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    Acusado de racismo, ...E o Vento Levou é retirado de cinema americano
    Por Bruno Carmelo — 28 de ago. de 2017 às 13:50

    "Não podemos mostrar um filme insensível a grande parte da população local".

    As tensões raciais continuam acaloradas nos Estados Unidos. Após a passeata de supremacistas brancos em Charlottesville e o discurso controverso de Donald Trump, condenando "excessos dos dois lados", o cinema Orpheum, em Memphis, preferiu retirar o clássico ...E o Vento Levou de sua programação.

    O local é acostumado a exibir filmes antigos, mas o épico passado na Guerra Civil despertou protestos pelo retrato estereotipado e servil da população negra. Vale lembrar que 64% dos habitantes da cidade são negros. Nas redes sociais, parte dos espectadores defendia a exibição como forma de aprendizado de um passado a não repetir, mas outros se sentiam ofendidos com o teor do filme.

    A empresa se pronunciou oficialmente sobre o caso: "O Orpheum agradece os comentários de seus membros sobre a programação. Nossa organização tem a missão de divertir, educar e esclarecer a comunidade, e não pode mostrar um filme insensível a grande parte da população local".

    De fato, a representação de homens e mulheres negros tem sido muito mais questionada nos cinemas, de modo que estereótipos de antigamente (o blackface, por exemplo) não costumam ser aceitos nos dias de hoje. As redes sociais têm ajudado minorias a exigirem respeito e representatividade no cinema.

    Embora ...E o Vento Levou seja um clássico do cinema, outras obras de teor questionável também o são: O Nascimento de uma Nação ostenta conteúdo abertamente racista, enquanto O Triunfo da Vontade utilizou as técnicas mais modernas do cinema para venerar as ideias nazistas. Ou seja: os tempos mudam, os espectadores também. 

    Concorda com a decisão do Orpheum?

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    Comentários
    • Welton
      Na minha opinião, deveriam exibir sim, mas com o esclarecimento de que poderia causar espanto e indignação pela romantização de uma sociedade escravagista, denunciando o cínico racismo do roteiro. Uma obra de arte desse nível nunca deveria ser proibida, é um dos melhores filmes da história do cinema mundial. A atuação de Clarck Gable e Vivian Leigh é imperdível, e o filme também propiciou o primeiro oscar para uma atriz negra, Hattie McDaniel, cujo desempenho também foi impecável. Censura nunca mais.
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