Morre Luiz Carlos Barreto, ícone do cinema brasileiro, aos 98 anos: Sem ele, nenhum destes filmes históricos existiria
Compartilhe esta matéria

Jornalista, cineasta e produtor, Barretão foi conhecido por atuar em grandes obras do cinema brasileiro, como Vidas Secas e Dona Flor e Seus Dois Maridos.

O cinema brasileiro perdeu um de seus grandes nomes nesta quarta-feira (22). Cineasta, jornalista e produtor, Luiz Carlos Barreto morreu aos 98 anos, na madrugada de hoje, no Rio de Janeiro. Conhecido como Barretão, o realizador esteve por trás de grandes produções que moldaram a indústria cinematográfica nacional.

Quem foi Luiz Carlos Barreto?

Reprodução/Youtube / Canal Brasil

Nascido em Sobral, no Ceará, em maio de 1928, Luiz Carlos Barreto teve sua relação com o jornalismo antes do cinema. Antes de abraçar a sétima arte, ele marcou a história da revista O Cruzeiro como repórter e fotógrafo, além de ter atuado como correspondente na Europa por cerca de um ano.

Enquanto na experiência internacional estreitou o laço com o jornalismo cultural, com registros de artistas como Frank Sinatra e Marilyn Monroe, foi no Brasil que afinou seus conhecimentos sobre cinema ao conhecer Glauber Rocha pelo veículo. Em uma viagem à Bahia, o então jornalista conheceu a lenda do Cinema Novo e recebeu um convite irrecusável.

Deus e o Diabo na Terra do Sol em 4K: "A obra de Glauber Rocha é fundamental para o Brasil", avalia produtor

“O Glauber estava montando o Barravento com o Nelson Pereira dos Santos e chegou para mim: ‘Você tem que fotografar o Vidas Secas, não é, Nelson?’. ‘Vocês estão malucos, eu não sei fotografar a não ser com a minha Leica”, contou ele no programa Conversa com Bial, da TV Globo.

Com o seu conhecido temperamento irredutível, o cineasta prosseguiu: “‘Você vai fazer uma fotografia que ainda não foi feita no Nordeste. Todo filme, o Nordeste parece um jardim.’ Concordei com ele. ‘Eu quero mostrar a intensidade da luz, a luz como um personagem que destrói a plantação, que incomoda o homem’”.

Contribuições de Barretão ao cinema brasileiro

RioFilme

Ao longo da carreira, Barretão foi se transformando: do repórter-fotográfico suas ocupações transbordaram para a cinematografia, o roteiro, a direção e a produção. Trabalhou em Vidas Secas e Terra em Transe, conforme esperado por Glauber, e acabou elevando à estética de um trabalho já em constante revolução.

Ao lado da família, o cineasta produziu mais esteve envolvido em mais 150 filmes, incluindo Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Menino do Rio, O Quatrilho e O Que é Isso Companheiro - estes dois últimos levaram o Brasil ao Oscar e foram dirigidos por seus filhos, Fábio e Bruno, respectivamente.

Deus e o Diabo na Terra do Sol em 4K: "Filme volta para fazer o mesmo tipo de resistência de 1964", afirma Paloma Rocha, filha de Glauber

Ele deixa a esposa, e também produtora, Lucy Barreto, os filhos Bruno e Paula, 9 netos e 8 bisnetos.

Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.
Links relacionados