Clint Eastwood sobre o papel mais lendário que recusou: "Me ofereceram uma boa quantia em dinheiro, mas era de outra pessoa"
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O ator e diretor de cinema quase se tornou James Bond há 55 anos, substituindo Sean Connery, mas ele recusou.

O lendário Clint Eastwood anunciou sua aposentadoria há poucos meses, encerrando assim uma carreira de mais de seis décadas como ator e uma um pouco mais curta como diretor. Sua filmografia definiu o faroeste moderno, reinventou o thriller e consolidou um estilo sóbrio e humanista que influenciou gerações. No entanto, em 1971, ele optou por não se dar ao luxo de interpretar ninguém menos que James Bond.

É difícil imaginar um americano no papel hoje em dia, mas, há 55 anos, quando apenas duas pessoas haviam dado vida ao 007 nas telonas – o escocês Sean Connery e o australiano George Lazenby – não parecia uma ideia tão absurda. Não era um capricho ou uma noção isolada: respondia a um momento em que a franquia buscava expandir seus horizontes e testar o terreno para encontrar rostos capazes de personificar o carisma, a elegância e a dureza que deveriam definir esse agente.

Clint Eastwood recusou James Bond

Warner Bros. Pictures

Entre outras coisas, James Bond precisava de uma renovação. Após uma série de desentendimentos, e também devido ao cansaço de ter interpretado o personagem em vários filmes, Connery abdicou de sua licença para matar, e George Lazenby assumiu o papel e a difícil tarefa de substituir a lenda escocesa.

Sua estreia em 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969) não convenceu o público na época e ele não retornou para uma sequência. A EON Productions não teve escolha a não ser abrir os cofres para trazer de volta o ator original da saga – ele recebeu a quantia recorde de US$ 1,25 milhão na época – e obteve sucesso com 007 - Os Diamantes São Eternos (1971)... mas foi apenas uma solução temporária. Eles precisariam de um novo ator e os produtores Cubby Broccoli e Harry Saltzman acharam que seria uma ideia muito interessante ter Clint Eastwood como o rosto da franquia nos anos 70.

Me ofereceram muito dinheiro para interpretar James Bond se eu aceitasse o papel. Isso foi depois que Sean Connery saiu. Meu advogado, que representava os Broccoli [produtores da franquia Bond], veio até mim e disse: 'Eles adorariam ter você'. Mas para mim, bem, esse era o trabalho de outra pessoa. Era o negócio do Sean. Eu não me sentia bem fazendo isso. [Além disso,] eu achava que James Bond deveria ser britânico. Eu tenho ascendência britânica, mas, seguindo essa mesma lógica, eu achava que ele deveria pertencer mais à cultura britânica e, além disso, não era a minha praia

Jovem ator queria interpretar James Bond

Com 007 Viva e Deixe Morrer
Com 007 Viva e Deixe Morrer
Data de lançamento 17 de dezembro de 1973 | 2h 01min
Criador(es): Guy Hamilton
Com Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour
Usuários
3,7
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E foi aí que a história terminou. Roger Moore finalmente assinou contrato para interpretar James Bond em 007 - Viva e Deixe Morrer (1973) e manteve o papel durante toda aquela década e boa parte da seguinte. Mais tarde vieram Timothy Dalton, Pierce Brosnan e, finalmente, Daniel Craig, que redefiniu a franquia com 007 - Cassino Royale, 007 - Quantum of Solace, 007 - Operação Skyfall, 007 Contra Spectre e 007 - Sem Tempo Para Morrer. Hoje, Amazon e MGM Studios estão procurando o sucessor de Craig para trabalhar sob a direção de Denis Villeneuve, e embora os rumores sejam muitos, a certeza é escassa: eles querem alguém jovem, o que descarta nomes recorrentes como Henry Cavill ou Idris Elba da disputa pelo papel.

Bruno Botelho dos Santos
Bruno Botelho dos Santos
-Redator | crítico
Bruno é redator e crítico do AdoroCinema, que divide seu tempo na cultura pop entre tomar susto com os mais diversos filmes de terror, assistir os clássicos do cinema ou os grandes blockbusters e enaltecer o trabalho de David Lynch e Stanley Kubrick.
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