Em mais um longa de proporções magistrais, Christopher Nolan está prestes a firmar mais uma vez seu nome no cânone do cinema autoral contemporâneo. Depois de longas aclamados como Interestelar, Oppenheimer, A Origem e a trilogia d'O Cavaleiro das Trevas, o diretor agora, de fato, adapta um épico com A Odisseia, poema grego atribuído a Homero que conta a história do guerreiro Odisseu que, após lutar na Guerra de Troia, encara uma jornada repleta de aventuras na volta para casa.
"Foi uma decisão óbvia": Christopher Nolan responde a uma das críticas mais difundidas de A OdisseiaO caráter monumental dessa história encontrou um diretor igualmente disposto, durante toda a sua carreira, a construir produções epopeicas para as telonas, estendendo os limites do cinema. Não à toa, Nolan reuniu em A Odisseia um elenco recheado de astros de alto calibre hollywodiano; fez questão de filmar o longa, pela primeira vez na história, inteiramente em IMAX com uma câmera pesada e criada especialmente para as filmagens; e decidiu utilizar o mínimo de efeitos visuais possíveis, construindo do zero, por exemplo, o cavalo de Troia e os navios que Odisseu e sua tripulação navegam pelas águas do Mediterrâneo na trama.
Sem o uso de tela verde, Matt Damon exalta a ousadia de Christopher Nolan nos bastidores de A Odisseia
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A atenção de Nolan para os detalhes práticos e a preocupação em criar um verdadeiro espetáculo cinematográfico, por outro lado, exigiu dos atores uma resiliência impressionante durante as gravações, que, segundo o ator protagonista Matt Damon, foram feitas sobre condições extremas e brutais.
“A piada era que, a cada locação, a gente pensava: ‘Bem, a próxima vai ser mais fácil’, porque normalmente, em todo filme, chega um momento em que as coisas dão uma trégua. Mas isso simplesmente não aconteceu. Foi implacável”, disse o ator em entrevista para a revista Time.
"Vocês se importariam se fimássemos o vômito?": Christopher Nolan aproveitou uma tempestade real para gravar cena de A Odisseia em alto-marDamon enfrentou as conjunturas mais adversas: foi atingido por jatos de mangueiras, caminhou diariamente até o alto do monte onde gravaram no Castelo de Santa Caterina, na Sicília, e ficou encharcado pela chuva durante as cenas gravadas na Islândia. Quando finalmente Damon achou que tinha ultrapassado os momentos difíceis, indo filmar suas cenas finais numa praia no Marrocos, o paraíso arenoso o surpreendeu negativamente.
"Acabou sendo, tipo, a capital mundial do kitesurf”, disse ele. “Estava ventando muito. A areia entrava nos nossos olhos. E não havia absolutamente nada que pudéssemos fazer para bloqueá-la."
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E não é como se Nolan não tivesse avisado das exigências dessa produção. Numa conversa com a Entertainment Weekly, Damon revelou que o diretor advertiu sobre as dificuldades que a produção exigiria. "Ele disse algo como: ‘Esse filme vai ser difícil’. E eu olhei para ele tipo: ‘Já fiz, sei lá, uns 80 filmes’”, contou o astro. “E ele respondeu: ‘Não… Esse filme vai ser muito difícil’. Para ser justo, ele não estava mentindo.”
Ainda assim, o ator descreve participar do set de Christopher Nolan e de A Odisseia como uma das experiências mais gratificantes de sua jornada. "Filmes como esse não estão mais sendo produzidos. Fazer isso sem tela verde, do jeito que David Lean teria feito, não conheço ninguém, com exceção do Chris, que sequer esteja tentando isso”, disse Damon à revista Time. “Não há muitas pessoas na casa dos 50 anos como protagonistas nesses épicos. Encarei esse filme como se fosse o último filme que eu faria na vida.”
A Odisseia estreia dia 16 de julho nos cinemas brasileiros.