Nem O Iluminado, nem Um Sonho de Liberdade: Este suspense fantástico lançado há 42 anos é uma das melhores adaptações de Stephen King, e você o ignorou
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Quando falamos de Stephen King, logo pensamos em O Iluminado, À Espera de um Milagre, Louca Obsessão ou ainda Um Sonho de Liberdade. Mas esquecemos com muita frequência esta adaptação formidável, assinada por David Cronenberg.

Lançado em outubro de 1983, Na Hora da Zona Morta é uma das adaptações mais desconhecidas de Stephen King. No entanto, o filme de David Cronenberg prova ser uma das melhores transposições cinematográficas do mestre do horror.

Na Hora da Zona Morta
Na Hora da Zona Morta
Data de lançamento 28 de setembro de 2018 | 1h 45min
Criador(es): David Cronenberg
Com Christopher Walken, Herbert Lom, Brooke Adams
Usuários
3,9

Uma história única

De fato, quando se fala das adaptações para o cinema do escritor cult, citamos frequentemente O Iluminado, À Espera de um Milagre, Carrie, a Estranha, Louca Obsessão ou ainda Um Sonho de Liberdade, e esquecemos com muita frequência Na Hora da Zona Morta! No entanto, ele é dirigido por um mestre do gênero, David Cronenberg!

A história nos apresenta o personagem de Johnny Smith, jovem professor em uma pequena cidade do interior. Uma noite, ele é vítima de um acidente de carro, pouco tempo depois de ter levado sua noiva, Sarah, para casa. Ele só volta a si após cinco anos em coma. Sarah está agora casada.

Johnny percebe que passado, presente e futuro se confundem em sua mente. É assim que ele consegue salvar o filho de sua enfermeira de um incêndio e revela ao seu médico que sua mãe, que ele acreditava ter morrido na deportação, na verdade ainda está viva.

Lorimar Film Entertainment

Publicado em 1979, o romance de Stephen King é um best-seller, confirmando o talento de um escritor que não para de desenvolver seu sucesso desde o triunfo de Carrie, a Estranha, lançado em (1974). Muito rapidamente, a ideia de fazer uma adaptação para o cinema surge no estúdio Lorimar, que compra os direitos do livro.

Stanley Donen é cogitado para a direção, mas a empresa, sofrendo dificuldades financeiras, cede os direitos a Dino De Laurentiis. Este último contrata Debra Hill para cuidar da produção do longa-metragem. Ela então chama David Cronenberg para a direção.

Bill Murray, primeira escolha de Stephen King para interpretar Johnny Smith, é fortemente cotado para o papel. Finalmente, De Laurentiis, em acordo com Cronenberg, contrata Christopher Walken. Vale ressaltar que este personagem, que desenvolve dons de médium após um coma de 5 anos, é inspirado na vida de um famoso parapsicólogo, Peter Hurkos.

Um ator frágil e profundamente expressivo

Lorimar Film Entertainment

Se esta adaptação de Stephen King faz parte das melhores, é em grande parte graças ao seu elenco perfeito. Christopher Walken está perfeito como o jovem professor a quem tudo sorri, mas que vai perder tudo de um dia para o outro. Ele certamente ganhará um dom de médium, mas este presente será mais uma maldição para ele.

Depois de brilhar em O Franco Atirador e O Portal do Paraíso, o ator mostra uma outra faceta do seu talento com este personagem melancólico ao extremo. É certamente um dos seus maiores papéis, e infelizmente é muitas vezes esquecido também!

O ator exala uma fragilidade tocante, jogando com o estranho sem ser caricatural. Johnny Smith nunca é um herói, apenas um homem gentil preso em um pesadelo moral: É preciso fazer o mal agora para evitar um mal maior mais tarde? É um tema que nos fala a todos e que toca diretamente a corda sensível.

O resto do elenco também é excepcional, com Brooke Adams, Tom Skerritt e principalmente Martin Sheen como Greg Stillson, político corrupto pronto a tudo para ascender ao poder.

Sobrenatural, íntimo e trágico

Lorimar Film Entertainment

Além disso, se NA Hora da Zona Morta é tão interessante como adaptação de Stephen King, é porque ele se concentra no trágico íntimo. Aqui, não há horror frontal, e isso é ótimo. Além disso, não é apenas uma história de poderes psíquicos legais, é o relato de um homem despojado de sua vida. David Cronenberg, obcecado pelo corpo, pela perda de controle e pela alienação, era perfeito para assumir as rédeas do filme.

De maneira inteligente, Na Hora da Zona Morta ousa a contenção, e é precisamente isso que torna a história mais forte. Cronenberg usa muito poucos efeitos espetaculares, preferindo jogar com os silêncios e os olhares. Assim, o sobrenatural é quase banal, pesado, como uma maldição cotidiana para Johnny Smith. É exatamente o espírito do romance de King.

A moral e o político

Lorimar Film Entertainment

No fundo, o coração do filme é moral, não realmente fantástico, e é certamente uma das razões pelas quais ele é injustamente esquecido hoje. O verdadeiro assunto, não é a precognição, é o livre arbítrio, a responsabilidade moral e a solidão daquele que sabe. A questão central é arrepiante e sempre atual: Se você pudesse parar um monstro antes que ele se tornasse monstruoso... você o faria? Esta interrogação é absolutamente fascinante.

Além disso, seu teor político é quase muito perturbador hoje, pois inevitavelmente ecoa os desafios geopolíticos atuais. No entanto, isso não o impede de ser uma das adaptações mais fiéis à alma de Stephen King.

Na Hora da Zona Morta é um filme maduro, melancólico e moralmente complexo, uma joia discreta presa entre obras mais barulhentas como O Iluminado ou Louca Obsessão. É um longa-metragem que não grita para existir e que, por essa mesma razão, merece ser redescoberto. Último ponto, e não menos importante, a sublime música assinada por Michael Kamen, uma das mais belas do cinema!

Na Hora da Zona Morta está disponível para streaming nas plataformas Oldflix e Lionsgate+.

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