6 meses após triunfar nos cinemas, um dos melhores filmes de terror do último ano está no streaming, junto com o lançamento de sua sequência
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Alex Garland escreve uma história de sobrevivência extrema que nos lembra que vamos morrer e que devemos viver.

Graças a George A. Romero, obtivemos não só uma definição cinematográfica mais consistente e expansível do conceito de zumbi, mas também estabelecemos a maneira pela qual os mortos-vivos poderiam ser usados para fazer discurso antropológico e social. Certamente, poucos monstros deram mais margem para investigar nossa deriva social em um contexto de emergência.

O passar das décadas, e especialmente neste século, deixou uma proliferação de histórias sobre zumbis que tentaram, por um lado, entreter ao máximo, e por outro, mostrar o ser humano como o verdadeiro monstro quando chega o pós-apocalipse. Mas um filme como Extermínio 3: A Evolução decidiu ir um pouco além.

Extermínio 3: A Evolução
Extermínio 3: A Evolução
Data de lançamento 19 de junho de 2025 | 1h 55min
Criador(es): Danny Boyle
Com Aaron Taylor-Johnson, Jodie Comer, Alfie Williams
Usuários
2,7
Assista Agora na HBO Max

A doença nunca cessa

O retorno de Danny Boyle e seu roteirista Alex Garland ao universo epidêmico que eles moldaram com Extermínio também lança uma trilogia que continua nos cinemas com a sequência Extermínio - O Templo dos Ossos. Aproveitando a oportunidade, o fabuloso início da nova saga estreia no streaming e pode ser visto através da HBO Max.

Quase três décadas se passaram desde que explodiu a doença que transformou grande parte da sociedade britânica em monstros devoradores de carne. Estes evoluíram e montaram suas próprias sociedades hierárquicas, assim como uma comunidade de humanos que conseguiu se refugiar em um fenômeno rochoso cercado por água, ao qual só se pode acessar e sair quando a maré baixa o suficiente.

Esta nova ordenação é marcada por um retorno a costumes mais primitivos que tentam ser um análogo da deriva sociopolítica de territórios como o próprio Reino Unido, que diante da incerteza e do medo decidem abraçar traços tradicionais que não deixam de ser um disfarce para derivar na barbárie. Boyle e Garland examinam bem essas evoluções para tentar dar algo diferente do que fizeram décadas atrás.

Sony Pictures

Extermínio 3: lembrar o que é a morte

No processo, eles também tentam construir drama humano, colocando a história a partir de um coming of age (amadurecimento) do garoto protagonista que tem que se mover igualmente no terreno do cinema de sobrevivência. Boyle deslumbra bastante nessa faceta com a arriscada decisão visual de filmar todo o filme com iPhones (replicando a ousadia do filme original filmado com câmeras digitais de baixo orçamento), embora elaborando a ação com pulso e afastado de convencionalismos em seu uso do bullet time.

Tudo isso permite construir um relato bastante emocional para indagar de verdade o que significa sobreviver e também morrer em um contexto onde a ameaça da morte é constante. A entrada do personagem de Ralph Fiennes desvia o filme para um interessante território inexplorado por muito cinema zumbi, permitindo certas extravagâncias que acabam sendo emotivas em suas reflexões. Uma boa maneira de retornar a um universo que ainda tem muito a desenvolver, aparentemente.

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