Wicked: Parte II
Críticas AdoroCinema
4,0
Muito bom
Wicked: Parte II

Ariana Grande e Cynthia Erivo brilham novamente em uma sequência menos vibrante, porém bem emocionante no mundo de Oz

por Katiúscia Vianna

756 milhões de dólares. Esse foi o valor arrecadado por Wicked nos cinemas. Desde então, Elphaba e Glinda se tornaram sinônimo de popularidade na cultura pop. Teve dancinha viral no tik tok, milhares de bonecos vendidos, pessoas desafinando com “Defying Gravity” e vários looks combinando rosa e verde fora do Carnaval da Mangueira. Logo, as expectativas são bem altas para Wicked: Parte 2, o longa que promete concluir a duologia comandada por Jon M. Chu, adaptar o segundo ato do famoso musical da Broadway e conectar essa história com o universo de O Mágico de Oz de uma vez por todas.

Qual é a história de Wicked: Parte 2?

Universal Pictures

Ambientado após os acontecimentos do primeiro filme, Wicked: For Good (no original) retrata as consequências das escolhas de Elphaba (Cynthia Erivo) e Glinda (Ariana Grande). A moça verde se tornou inimiga oficial de Oz, lutando pelos direitos dos animais e determinada a desmascarar o Mágico de Oz (Jeff Goldblum), mesmo sendo vítima da propaganda mentirosa de Madame Morrible (Michelle Yeoh).

Por outro lado, Glinda se tornou uma figura pública, amada pelo povo ao representar a suposta bondade do governo de Oz. Ao seu lado está Fiyero (Jonathan Bailey), que lidera o exército na busca por Elphaba, com suas próprias motivações. Situadas de lados opostos dessa guerra ideológica, o amor entre as duas amigas segue firme, mas uma tentativa de conciliação entre Elphaba e o Mágico, sob influência de Glinda, pode tornar a situação ainda mais desastrosa.

Também não ajuda o fato de uma tal de Dorothy estar chegando para percorrer o caminho de tijolos amarelos…

Wicked: Parte 2 já começa na desvantagem, mas conquista sua chance de brilhar

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Filmado simultaneamente com o primeiro Wicked, a sequência conta com a mesma equipe: Jon M. Chu na direção, roteiro de Dana Fox com Winnie Holzman, que também escreveu o libreto da peça original. Já as canções são de Stephen Schwartz, com a adição de duas faixas inéditas feitas especialmente para o novo longa. Porém, Wicked: For Good já começa com uma desvantagem. E nem estou falando do alto parâmetro de qualidade oferecido pelo longa anterior.

Qualquer fã da peça Wicked sabe que o primeiro ato do musical é bem mais adorado e equilibrado que o segundo ato. As canções mais viciantes (inclusive “Defying Gravity”, é claro) já foram, enquanto a história - apesar de mais dramaticamente suculenta - perde parte de sua magia na metade final. E isso acaba refletindo no longa de 2025. Porém, com mais tempo de preencher os vazios deixados pela história ao dividi-la em dois filmes, Jon M. Chu e sua equipe conseguem ter mais acertos do que erros na aguardada produção.

Para começar, basta perceber que o cineasta sabe que a amizade de Elphaba e Glinda é o grande trunfo da obra, então reúne as duas protagonistas bem antes do esperado narrativamente, em comparação à peça original. Com isso, temos momentos mais emocionantes como a adição de Ariana Grande em “Wonderful”, inicialmente um solo do Mágico - afinal, mesmo sendo Jeff Goldblum, existe um limite para a paciência geral da humanidade para ouvir o personagem cantando sozinho por muito tempo.

Mesmo sem “Defying Gravity”, a trilha sonora de Wicked 2 impressiona

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Se é ótimo ter mais cenas de Glinda e Elphaba, além de desdobramentos de personagens coadjuvantes, nem todas as adições feitas em Wicked: For Good são muito relevantes. Por exemplo, as novas canções são boas, mas não se destacam na multidão. Até dá para entender suas presenças na trama: “No Place Like Home” explica o motivo de Elphaba tentar salvar uma Oz que tanto a rejeitou, enquanto “The Girl in the Bubble” retrata a transformação de Glinda na Bruxa Boa definitivamente. Mas nenhuma tem o impacto de outros momentos mais bem-sucedidos, como “Thank Goodness/I Couldn’t be Happier” ou “As Long as You Are Mine”.

Porém, se o assunto é “canções de Wicked: Parte 2 que me deram vontade de levantar da cadeira, jogar flores para as telonas e bater palmas na frente de desconhecidos tão maravilhados quanto eu”, temos duas vencedoras. A primeira é “No Good Deed”. Estruturalmente, o segundo filme pertence mais à Glinda, porém o próprio Jon M. Chu citou este solo de Elphaba como um dos momentos mais poderosos do cinema musical, com modéstia nenhuma. E ele não estava mentindo. Em mais uma performance sólida, Cynthia Erivo mistura potência vocal com expressões marcantes nessa difícil canção - que marca a reviravolta de Elphaba.

Mas, obviamente, não posso deixar de citar “For Good”, que faz parte do título original do longa (que, por sua vez, debate muito sobre o conceito de “bondade” durante sua história). O dueto de Glinda e Elphaba é o clímax dessa amizade que acompanhamos por mais de 4 horas a esse ponto, culminando num momento bem emocionante e com grandes entregas de Ariana Grande e Cynthia Erivo (sério, as expressões devastadoras de Ariana nesta cena vão destruir seu coração, levar o público às lágrimas e provavelmente garantir uma indicação ao Oscar, no mínimo).

Cynthia Erivo e Ariana Grande lideram um elenco brilhante em Wicked: Parte 2

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Como já foi citado anteriormente, Cynthia Erivo e Ariana Grande foram as escolhas perfeitas para Elphaba e Glinda. É até difícil acreditar que elas nem tiveram um teste de química antes de serem contratadas, pois o filme depende dessa parceria. É possível ver as transformações nas versões mais adultas de suas personagens, com Grande investindo menos nos trejeitos cômicos para demonstrar uma figura em crise, enquanto Erivo tem mais chance de investir na vulnerabilidade e sensualidade de Elphaba.

No elenco coadjuvante, Jonathan Bailey e Michelle Yeoh seguem como destaques em certos momentos dramáticos, mas a transformação de Boq mostra que Ethan Slater tem mais talento escondido atrás da bondade meio loser do personagem. Afinal, Wicked: For Good é um filme mais sombrio - não necessariamente no visual, já que Oz segue como um lugar colorido cheio de cenários e figurinos espetaculares, só que o roteiro demanda uma performance mais madura. Pois essa não é uma história de finais felizes, se você observar por trás de holofotes e coreografias.

Mesmo sendo menos vibrante que o primeiro, Wicked: Parte 2 tem um impacto emocional impressionante, conseguindo melhorar diversos defeitos do segundo ato da peça original. Porém, existe o pecado de necessitar um conhecimento mínimo de O Mágico de Oz para compreender a história em sua totalidade - o que nunca é legal, né? Afinal, um filme deve se carregar por si só, infelizmente algo que estamos perdendo no cinema moderno de franquias e marcas.

Porém, não se surpreenda quando não ver o rosto de Dorothy nos cinemas este ano, pois ela não importa. Essa é a história não contada das bruxas de Oz: uma história sobre preconceito, mentiras, políticas.. E, principalmente de amizade. Daquele tipo de amizade que te muda para sempre. Da mesma forma que, depois de Wicked, tudo mudou em nós.

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