Todo Mundo em Pânico 6
Críticas AdoroCinema
3,0
Legal
Todo Mundo em Pânico 6

Com o retorno dos irmãos Wayans, Todo Mundo em Pânico 6 é um revival divertido e cheio de apelo à nostalgia

por Rafael Felizardo

Idealizada pelos irmãos Wayans, Todo Mundo em Pânico, sem sombra de dúvida, é uma das franquias mais frutíferas do audiovisual. De 2000 a 2013, cinco longas-metragens foram lançados nos cinemas de todas as partes do mundo, responsáveis por cativar o público ao parodiar os mais icônicos filmes de terror.

Dito isso, após um longo período de hiato, a saga enfim foi revivida com Todo Mundo em Pânico 6. Aguardado por muitos, o sexto capítulo carrega de volta aos holofotes alguns dos nomes mais memoráveis da mitologia, como Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris e Regina Hall.

Irmãos Wayans retornam a Todo Mundo em Pânico 6

Primeiramente, vale a pena um pouco de contexto. Apesar de ter sido criada por Marlon, Shawn e Keenen Ivory Wayans, Todo Mundo em Pânico passou um tempo considerável sem suas presenças. Para quem não sabe, após Todo Mundo em Pânico 2, os irmãos entraram em uma disputa contratual e financeira com a então dona da franquia, Miramax, o que levou a companhia a seguir em frente sem os astros.

Na prática, os Wayans não eram donos da franquia, mas sim seus idealizadores. Desta forma, a Miramax conseguiu produzir Todo Mundo em Pânico 3, 4 e 5 sem Marlon, Shawn e Ivory - o que desagradou tanto aos fãs, quanto aos três. Marlon chegou a afirmar em entrevistas que Todo Mundo em Pânico foi tomado de sua família e que ideias que eles haviam desenvolvido para um terceiro filme acabaram sendo usadas sem sua participação.

O retorno dos Wayans a Todo Mundo em Pânico 6 foi divulgado primeiramente em meados de 2025, após notícias darem conta de que o clã e a Miramax haviam chegado a um novo acordo.

Todo Mundo em Pânico 6 e o "humor sem filtros"

Apesar de abrir com uma sátira extremamente sem graça a Pânico 6 - com direito a participação especial da atriz Teyana Taylor -, Todo Mundo em Pânico 6 melhora com o tempo. O enredo é ambientado 26 anos após os primeiros filmes, e começa com Waldinha, uma das filhas de Cindy, sofrendo uma tentativa de assassinato por parte do Ghostface. Enquanto a jovem se recupera no hospital, a família se une a amigos do passado para tentar dar fim ao serial killer.

Se em março de 2026, em entrevista ao AdoroCinema, Marlon Wayans prometeu um filme sem filtros, ele de fato cumpriu. Todo Mundo em Pânico 6 não poupa ninguém do humor, e faz piadas com questões étnicas, de gênero, criptomoedas, geração Z, carros elétricos e outras atualidades. Títulos que marcaram as salas escuras nos últimos anos também não escapam ilesos, como Pecadores, Sorria, Corra!, John Wick, A Substância, Longlegs, Corrente do Mal. A Hora do Mal e até Guerreiras do K-Pop e As Branquelas.

Paramount Pictures

Entretanto, por mais que o humor de Todo Mundo em Pânico 6 desafie constantemente o "politicamente correto”, o longa não consegue alcançar o mesmo nível de transgressão do capítulo original, de 2000. Aqui, as comparações são inevitáveis, visto que o próprio Marlon chegou a afirmar que o retorno da saga visava “proteger o tom dos primeiros filmes”.

Quem era vivo durante o lançamento sabe que Todo Mundo em Pânico foi um fenômeno cultural de grandes proporções, e dificilmente qualquer continuação conseguirá reproduzir aquele impacto.

Apelo à nostalgia faz bem à saga

Apesar de eu não ser fã de remoer o passado, Todo em Mundo em Pânico 6 se sai bem nesse quesito. Por mais que o projeto introduza personagens novos como Waldinha (Savannah Lee Nassif), Sara (Olivia Rose Keegan), Jack Kirsch (Cameron Scott Roberts) e outros, quem brilha mesmo são os originais - aqueles conhecemos dos dois primeiros filmes.

Cindy, Shorty, Ray e Brenda retornam de maneira natural, como se nunca tivessem ficado longe das telas. A química entre os atores permanece intacta, e o diretor Michael Tiddes parece ter entendido que grande parte do carinho do público está justamente nas interações entre essas figuras.

Com um mergulho completo na nostalgia, o longa conta também com participações da jornalista Gail (Cheri Oteri), do policial Doofy (Dave Sheridan), Greg (Lochlyn Munro), Bobby (Jon Abrahams) e Mãozinha (Chris Elliott). Em muitos casos, essas aparições têm pouco impacto na trama principal, mas funcionam como recompensa para os espectadores que acompanham a franquia desde o início.

‎Paramount Pictures

Vale a pena assistir a Todo Mundo em Pânico 6?

De maneira direta: sim, vale. Não pense que encontrará no filme a reinvenção da roda, mas como tentativa de retomar uma mitologia audiovisualmente marcante, Todo Mundo em Pânico 6 faz um bom trabalho.

Apesar de ter como público alvo as gerações passadas, o filme tenta dialogar em alguns momentos com a geração Z - e sinceramente, não sei se consegue. Nem sempre as piadas em cena são certeiras, mas na maior parte das vezes foram capazes de tirar risadas sinceras das pessoas à minha volta no cinema.

No fim das contas, Todo Mundo em Pânico 6 entende exatamente o que precisa ser: uma celebração de uma franquia que marcou época. O retorno dos irmãos Wayans devolve à série parte da identidade que se perdeu ao longo dos anos, e mesmo sem atingir o impacto cultural do original, o projeto entrega uma experiência digna como revival.

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