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    Jolt: Fúria Fatal
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Jolt: Fúria Fatal

    Comprometimento raso

    por Kalel Adolfo
    Kate Beckinsale já está acostumada a estrelar produções de ação. Inclusive, o maior papel de sua carreira aconteceu em Anjos da Noite, franquia eletrizante que marcou a cultura pop ao mesclar vampiros e lobisomens em uma narrativa excêntrica e esteticamente excepcional. Portanto, a notícia de que a atriz iria protagonizar Jolt — que pertence ao gênero que a levou ao estrelato mundial — nos fez criar inúmeras expectativas. Infelizmente, a aura magnética da artista não foi o suficiente para impulsionar a qualidade de seu novo trabalho.

    Dirigida por Tanya Wexler (Histeria), a trama é extremamente inusitada: nela, Lindy (Beckinsale) possui um distúrbio neurológico raro que a faz ter impulsos de raiva mortais. Por isso, ela está sempre carregando uma espécie de eletrodo especial. Caso sinta o ódio dominá-la, basta acionar o dispositivo para receber uma descarga de energia que neutraliza as suas emoções destrutivas.

    Dessa forma, ela não coloca a vida das pessoas a sua volta em risco. Infelizmente, isso não significa que incidentes violentos não possam ocorrer de vez em quando. Porém, após conhecer Justin (Jai Courtney), a personagem consegue encontrar momentos de tranquilidade que diminuem a intensidade de seus ataques.

    Contudo, essa é apenas a introdução: assim que cria um vínculo benéfico com o rapaz, ele acaba sendo assassinado por uma entidade misteriosa. Agora, ela precisa encontrar os responsáveis pela barbárie ao mesmo tempo em que foge das autoridades, já que é a principal suspeita do crime.

    Trama criativa é desperdiçada em um roteiro descompromissado



    Apesar da proposta ser atípica — em níveis que podem soar desproporcionais — Jolt consegue abordar algumas temáticas cotidianas que causam identificação imediata no espectador. Até porque, o distúrbio de Lindy pode ser ativado através das situações mais comuns, como uma resposta atravessada, tratamentos rudes e barulhos incômodos.

    Quem nunca perdeu o equilíbrio em dias específicos — e por razões minúsculas? Especialmente em tempos de pandemia — onde os nossos nervos estão à flor da pele — não é incomum experienciar tais sentimentos intoxicantes. Portanto, mesmo sem a intenção, o longa consegue conversar com uma sociedade que, mais do que nunca, está sempre à beira de um colapso nervoso.

    Contudo, a maneira em que essas questões são apresentadas carecem de seriedade e comprometimento. É possível trazer um ritmo objetivo e bem humorado para a história sem desperdiçar o seu potencial dramático. E neste caso, a produção parece estar sempre com medo de demonstrar vulnerabilidade.

    Mesmo com diálogos e piadas afiadas — que funcionam frequentemente — o filme cai na monotonia ao optar por caminhos narrativos unidimensionais. 

    Nem mesmo o carisma de Kate Beckinsale traz nuances para a história



    Beckinsale definitivamente está em sua zona de conforto quando o assunto é ação. Portanto, não é surpreendente ver a estrela entregando uma performance carismática e dinâmica em uma obra como Jolt. Porém, todo esse talento é desperdiçado em um roteiro que está sempre batendo nas mesmas teclas, com receio de oferecer mais do que a típica história do indivíduo que busca vingança por seu amante perdido.

    Preceitos básicos de narrativa investigativa são esquecidos



    A fórmula que traz um ritmo frenético para a história é a mesma que nos afasta emocionalmente da obra. Todas as etapas da trama são apressadas, de forma em que os arcos narrativos aparentam estar incompletos.

    Não conseguimos ter uma verdadeira dimensão de como o distúrbio neurológico impacta a vida de Lindy. O relacionamento entre a protagonista e Justin é pouco desenvolvido, retirando o impacto de sua morte. Consequentemente, a investigação iniciada pela personagem soa incoerente, já que o público não pôde compreender por que uma mulher estaria disposta a arriscar a própria vida por alguém que conviveu por tão pouco tempo.

    Além disso, todos os fatores conflituosos da investigação são resolvidos de maneira abrupta, não abrindo margem para a criação de uma atmosfera misteriosa e envolvente. Tanta pressa faz com que Tanya entregue apenas uma porção de sequências explosivas e uma proposta exageradamente crua.

    Jolt diverte, mas não oferece excelência técnica e narrativa

    Não se engane, Jolt está longe de ser um dos piores lançamentos do ano. Aliás, há inúmeros momentos bem-humorados e empolgantes nesta produção. Contudo, a obra decepciona ao entregar arcos incompletos, ideias demasiadamente aceleradas e um raso comprometimento em ir além da receita básica executada em quaisquer filmes de ação.
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