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    King’s Man: A Origem
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    King’s Man: A Origem

    Sem inspiração, spin-off acerta apenas no escapismo

    por Bruno Botelho
    Quando foi lançado em 2015, Kingsman - Serviço Secreto foi uma das maiores supresas no gênero de ação e espionagem ao homenagear os clássicos e ao mesmo tempo modernizá-los com algumas das melhores cenas de ação dos últimos tempos – o que fez dele um enorme sucesso entre o público e a crítica. Com esse saldo positivo, o filme inevitavelmente receberia uma sequência, que foi intitulada Kingsman: O Círculo Dourado (2017), com a missão de expandir o universo e apresentar cenas de ação ainda mais empolgantes que o anterior – como é o caso da icônica cena da igreja –, mas acabou frustrando a crítica e o público com recepções mistas.

    Enquanto o terceiro filme de Kingsman não chega para encerrar história de Eggsy, personagem interpretado por Taron Egerton, o roteirista e diretor Matthew Vaughn resolveu dar um novo passo na franquia e tentar recuperar seu prestígio com King’s Man: A Origem, que é uma prequela para a série principal e focada na primeira agência de inteligência britânica. Será que eles acertaram desta vez?

    Qual é a história de King’s Man: A Origem?



    King’s Man: A Origem
    , terceiro filme da sequência, apresenta as raízes da primeira agência de inteligência britânica independente, quando um grupo formado pelos piores tiranos e criminosos mais cruéis de todos os tempos planeja uma ameaça capaz de roubar milhões e matar inocentes. Nesse contexto, um homem se vê obrigado a correr contra o tempo na tentativa de detê-los e salvar o futuro da humanidade. 

    O cineasta Matthew Vaughn está acostumado a trabalhar com histórias baseadas em quadrinhos, como pudemos ver em Kick Ass - Quebrando Tudo (2010), X-Men: Primeira Classe (2011) e, obviamente, Kingsman - Serviço Secreto – o último caso inspirado em HQs criadas por Mark Millar e Dave Gibbons. Com seu estilo extravagante ressaltado pela continuação O Círculo Dourado, Vaughn traz uma prequela que pretende apresentar uma história mais sólida – aqui, situada no século XX e principalmente na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial, mesclando fatos históricos com a ficção desse universo. 

    Depois de um prólogo ambientado na virada do século, o filme parte para os meses que antecedem a Primeira Guerra Mundial e mostra o grupo formador de Kingsman: Duque Orlando Oxford (Ralph Fiennes); sua empregada, Polly (Gemma Arterton); seu empregado, Shola (Djimon Hounsou); e seu filho, Conrad (Harris Dickinson) ao lado do rei George (Tom Hollander), que os envia para evitar o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand (Ron Cook). Sem sucesso na missão, eles precisam impedir a expansão da guerra em toda a Europa, que é dificultado por causa de uma conspiração formada por criminosos ao redor do mundo, incluindo o monge russo Rasputin (Rhys Ifans), a espiã holandesa Mata Hari (Valerie Pachner), o líder revolucionário russo Vladimir Lenin (August Diehl) e o mentalista austríaco Erik Jan Hanussen (Daniel Brühl), todos acatando ordens de um personagem misterioso – revelado apenas no final.

    King’s Man: A Origem escorrega em história sem inspiração, mas acerta no escapismo



    O roteiro escrito por Matthew Vaughn em contribuição com Karl Gajdusek para King’s Man: A Origem tem a clara intenção de ser melhor trabalhado que os capítulos anteriores (especialmente o segundo), levando a franquia para o clima conspiracionista da Primeira Guerra Mundial enquanto apresenta os primórdios de Kingsman. Apesar de uma ideia interessante no papel, o filme falha em aspectos importantes por não conseguir encontrar seu tom em uma história pouco inspirada e repleta de altos e baixos.

    Isso fica claro com o contexto histórico estabelecido no texto de Vaughn e Gajdusek, que acaba se tornando um problema dentro da própria narrativa, que nunca consegue entrelaçar de forma natural o universo de Kingman com essa história de guerra e conspirações políticas: por vezes parece um drama ambientado na guerra e deixa de lado suas próprias pretensões como franquia ao montar as raízes da agência de inteligência, enquanto em outros momentos abraça abertamente o estilo despretensioso pelo qual ficou marcado – no caso, onde estão seus melhores momentos em suas 2 horas e 10 minutos.

    Quando abraça o escapismo, a produção consegue retomar em diversas momentos o maior atrativo da série de fillmes, que são as cenas de ação criativas e bem executadas, coisa que Matthew Vaughn sabe fazer como poucos em Hollywood atualmente, com ótimos combates corpo a corpo e até mesmo cenas situadas em campos de guerra. Quem se destaque nesse quesito são Shola de Djimon Hounsou com suas técnicas de combate corporal, Polly de Gemma Arterton com sua agressividade e manuseio de armas, além de Rasputin de Rhys Ifans com suas acrobacias insanas que parecem ter saído diretamente do circo.

    Se tratando das atuações, o filme acaba falhando por causa de sua própria diferença de tom. No grupo formador de Kingsman, os personagens recebem um desenvolvimento maior de suas personalidades, como destaque para as complexidades Duke Oxford de Ralph Fiennes, um excelente protagonista. Por outro lado, o grupo de antagonistas acabando sendo retratado de forma exageradamente caricata. Isso não seria um problema dentro de uma sátira de espionagem (o que, inclusive, foi feito anteriormente), mas esses personagens destoam dos demais e a oscilação de tom do filme acaba prejudicando totalmente isso.

    Olhando para King’s Man: A Origem, uma coisa precisa ficar clara: dificilmente a franquia conseguirá alcançar novamente o resultado supreendente e inventivo do primeiro filme em diversos quesitos. Por isso, é louvável os esforços de Matthew Vaughn para tentar apresentar algo diferente nesse capítulo prequel, cabe agora ao cineasta conseguir mais uma vez conciliar seu estilo de direção com tramas mais coesas.

    Vale a pena assistir King’s Man: A Origem?



    Se voltando para uma história prequel, King’s Man: A Origem é um spin-off que tenta recuperar o prestígio que a franquia conquistou em Kingsman - Serviço Secreto de 2015, mas já apresenta um certo cansaço por causa de uma história pouco inspirada. Estabelecendo as origens da primeira agência de inteligência britânica independente, o roteirista e diretor Matthew Vaughn ainda mostra seu valor quando abraça o escapismo e seu próprio estilo excêntrico, mas se perde quando leva sua obra muito a sério.

    Apesar de contar com momentos divertidos e cenas de ação bem executadas, King’s Man: A Origem é mais arrastado e menos criativo que seus antecessores, por vezes podendo se tornar um pouco enfadonho.

     

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