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    mãe!
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    mãe!

    O delírio de Aronofsky

    por Rodrigo Torres
    Sempre que um novo cineasta desponta em Hollywood com uma proposta mais arrojada e pretensamente complexa, um surto coletivo se apropria da crítica e do público cinéfilo no intuito de alçá-lo ao patamar de autores atestados por anos, décadas de análises sobre sua obra. Darren Aronofsky habita o epicentro dessa discussão desde seu descobrimento em Réquiem para um Sonho, tendo alcançado o auge no excelente O Lutador e uma espécie de consagração no multipremiado Cisne Negro — um bom filme que, por sua vez, evidencia o principal truque do diretor: incorporar alegorias temáticas e visuais em uma narrativa perfeitamente inteligível e de interpretações limitadas. Nesse caso particular, um cinema frio que se basta em decifrar seus códigos e descobrir uma história simples, cuja complexidade reside em sua estrutura, não nas reflexões de caráter existencialista, psicológico ou filosófico propostas pela obra.



    Nessa condição de artífice, e dos bons em termos de manipulação da linguagem cinematográfica, Aronofsky é muito feliz na primeira metade de Mãe!. Como um bom pretensioso, o cineasta exige total atenção do público desde a sequência de abertura, em que uma casa deteriorada se restaura como uma peça orgânica, como um ser — dado importante. Em seguida, somos apresentados à protagonista, uma dona de casa cuja devoção ao marido se estende à efetiva restauração da residência dele. A relação íntima de Mãe (Jennifer Lawrence) com o lar é o primeiro grande simbolismo operado por Aronofsky, com a mansão vitoriana no meio do nada com predominância de tons pastéis espelhando o físico e a personalidade da personagem: uma mulher de outro tempo, submissa, que se basta a uma vida isolada, tranquila e sem graça dedicada ao marido. Assim, a casa e a mulher, ambas a serviço do homem, se confundem como uma só coisa.

    Ele (Javier Bardem), por sua vez, tem ambições maiores. Escritor em crise criativa, o homem deixa a necessidade de se isolar para produzir em troca da adulação de um fã e o convida para passar a noite. Eis o terrível protótipo do poeta, egocêntrico, e o início do pesadelo de Mãe. Com nítida inspiração na Trilogia do Apartamento de Roman Polanski (especialmente na trama de O Bebê de Rosemary e na estrutura cíclica de O Inquilino), a vida da protagonista segue em um crescente de delírio que não é tão bem-sucedido no campo onírico e do horror psicológico (apenas visualmente), e acerta em cheio quando investe na fina ironia do absurdo contido na situação: quanto maior seu tormento, mais hóspedes indesejados chegam a casa, e cada vez mais invasivos.



    Isso se estabelece em menos de uma hora, e de modo envolvente. Até que Darren Aronofsky perde a mão, a história se torna repetitiva, demais, evocando o martírio da protagonista e se transformando em uma experiência insuportável para o espectador. Então, com o mesmo expediente utilizado em Cisne Negro (porém de maneira mais exaustiva e presunçosa), o diretor e roteirista opera o surrealismo visual em prol de um sem número de alegorias religiosas. (E se você não quiser spoilers, retome a leitura após ter visto Mãe!) Os hóspedes indesejados Homem (Ed Harris) e Mulher (Michelle Pfeiffer) são Adão e Eva, e cometem seu próprio pecado original. Seus filhos Caim e Abel são interpretados pelos irmãos na vida real Domhnall e Brian Gleeson. O personagem de Javier Bardem é Deus. E, segundo o próprio Aronofsky, Jennifer Lawrence é... a Mãe Natureza!

    A partir daí, Darren Aronofsky compõe um mosaico caótico que confunde, incomoda e (além de uma abordagem que lhe rende comparações precipitadas com Stanley Kubrick e Luis Buñuel) serve apenas como analogia sobre a Bíblia. Quando Ele consegue finalizar seu livro e Herald (Kristen Wiig), representação do Arauto de Deus, anuncia o lançamento da publicação ao povo, uma legião de fãs se dirige para a casa (e para o horror) de Mãe — iniciando-se a metáfora (o alerta?) da destruição do universo pela humanidade, seja com guerras, seja pela exploração do meio ambiente. A mera adivinhação desse emaranhado de símbolos já agrada a muitas pessoas, o que é válido. Para outras, soa como um embuste reforçado pelo desfecho previsível e convencional da trama principal do filme.



    Tal polarização de opiniões, por outro lado, rende críticas injustas ao cineasta, como creio ser o caso das acusações de misoginia. A protagonista é de fato apática e vítima de uma violência similar à de Jesus no cruel A Paixão de Cristo, mas não há torture porn. Em nenhum momento a câmera de Aronofsky deixa de ser compassiva à personagem, estando sempre colada a Jennifer Lawrence — logo, junta ao ponto de vista do espectador. Vale também refletir sobre uma perspectiva holística bem difundida que toma a casa como espelho do estado psicológico do dono, que no longa-metragem é Ele. Mas quem cuida desse interior é a Mãe (que congela ao pisar na porta de saída da mansão, tamanha a conexão), explorada até que o marido perceba a necessidade de destruí-la(s) e, assim, obter sua renovação, retomar a inspiração. Nesse ciclo pavoroso, Ele é o inconteste vilão. Mãe representa não só a natureza, como todas as mulheres que se doam em vão.
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    Comentários

    • Mércio Cunha
      Muitas analogias confusas e uma agressividade repetitiva, se quer assistir um filme confuso esse é o filme, para muitos é tempo perdido, acredito que para os que gostem desse tipo de abordagem seja interessante.Dou 4/10.
    • dilera corno
      ESSE FILME SÓ SERVE PRA UMA COISA ........... PRA BOSTA NENHUMA, N TENHO NEM OQ FALAR DESSE LIXO DE REPRODUÇÃO. A HUMANIDADE TEM QUE TER VERGONHA DE CONSEGUIR REPRODUZIR UMA MERDA DESSA PERANTE NOSSO PLANETA ......... TUDO COISA DO DEMONIO
    • dilera corno
      O PIOR FILME DE TODA A HISTORIA DESSA BUCETA DE SOCIEDADE MORDERNA, NUNCA VI TANTO LIXO EM UM FILME SÓ...... SABOSTA TIRA TD O TEMPO DE SUA VIDA, ROTEIRO UMA DISGRAÇA ....... SÓ ESTRESSA ESSA BUCETA DE FILME DO CARALHO, PREFERIA TER VISTO O FILME DO PELE ........ FILME LIXOOOOOOOOOOOOO MULHER BURRA, MARIDO BURRO, TD MUNDO BURRO, BRASILEIRO É BURRO, DIRETOR XEIROU 455 QUILOS DE COCAINA PRA FAZER SABOSTA DE FILME.... TD FILH DE LIXEIRO E XUPINGOLE
    • Paulo R.
      Muito bom filme, todo cheio de sinais em relação a casa e a estrutura dos visitantes que chegaram lá na primeira metade do filme, na segunda metade o suspense psicológico dá lugar também a um drama psicólogo tudo muito bem simbolizado, eu gostei bastante e muito mais que Cisne Negro e Réquiem, preciso ver O Lutador agora, mas por si só, pra mim esse filme já é o ponto-alto da carreira de Aronofsky, que foi feliz na escolha da Jennifer Lawrence que se sai muito bem, Bardem também foi ótimo e um elenco de apoio com Michelle Pfeiffer foi uma ótima sacada, pra uma personagem com um sarcasmo irritante...Sei que muita gente vai discordar, pq nem todo mundo vai conseguir pegar os sinais e entender o jogo psicológico e a analogia com a criação que o filme faz, mas eu achei genial, inclusive o final...nota 9/10
    • Mark Augusto
      Uma obra de arte incompreendida.
    • luciano d
      Nunca nesses meus 46 anos de idade Tinha visto algo tão ridículo quanto esse filme, é uma cena mais inverosímel que a outra, o filme perde todo o sentido e acaba irritando o pobre do telespectador.
    • Luciane
      Se vc estiver a fim de perder 2 h da sua vida assistindo a algo q não vai lhe acrescentar nada, pelo contrário, vai acabar o filme e vc vai ver o qto perdeu tempo com algo tão ruim, assista, vá em frente. Esse filme serve para entendermos que sinopses tb podem ser muito mau escritas, assim como os filmes mas, nesse caso, conseguiram o feito de escreverem mau tanto a sinopse qto o filme. A sinopse nos engana fazendo acreditar q será um filme de superação, amor, suspense... e o filme nos mostra desde o início que não teremos nada disso. O filme é ridículo, de um mau gosto extremo. Vc assiste imaginando o tempo inteiro que tudo aquilo vai mudar radicalmente, haja visto que são acontecimentos improváveis, q só podem acontecer sob alucinação, porém, nada acontece e segue o enterro... O autor deu uma volta de 2h para dizer algo tão simples que em 15' de filme conseguiria, e de forma mais atrativa de se assistir. É o tipo do filme que vc só assiste até o final pq quer ter certeza de que ainda vai melhorar e q o seu tempo não foi perdido... vc torce para o filme acabar logo pq não aguenta mais assistir tanta porcaria e no final, vc constata que o filme é uma porcaria mesmo e vc perdeu sim seu precioso tempo! O autor não foi feliz e com certeza a maioria q assiste tb não fica nem um pouco feliz, por ter sido tão enganado!
    • Rodrigo Vaz Soares
      Lendo sua pseudocrítica cheia de clichês, nota-se que você não entendeu o filme. Tudo bem, ninguém é obrigado a raciocinar.
    • Antônio Lane
      Filme bom é aquele que provoca discussão, de todo tipo. Pelas opiniões abaixo, deve ser muito bom. Deve fazer pensar, o que poucos têm feito nos últimos anos. Vou assistir.
    • Ezequiel C
      caralho agora eu entendi o filme, mais a bizarrice depois da metade pelo o amor cara, ai nao da.
    • Rapha W.
      Filme angustiante,um dos piores que assisti na vida
    • Julianne
      de fato!
    • Julianne
      Um dos melhores filmes que já assisti, Aronofsky sempre surpreendendo mentes grandes!
    • Maria Carolina d
      Um filme horroroso, nojento e repulsivo! Um dos piores filmes que assisti na minha vida! Se gosta de filme macabro e vazio, que acha que está passando uma mensagem intelectual, mas no final das contas, é obsceno e repugnante! Há formas mais suaves de passar uma lição importante para quem assiste e Darren Aronofsky escolheu a pior forma possível, errou feio! Já tinha assistido o Cisne Negro, achei mais ou menos, fui assistir este acreditando que seria melhor, até mesmo porque gosto do Javier Bardem, mas me arrependi. Na primeira hora do filme até achei interessante, mas no resto, o terror foi tomando conta, assim como a minha indignação! Péssimo, péssimo, péssimo, não recomendo!
    • Maria Carolina d
      Concordo plenamente com a Stephanie! Um filme horroroso, nojento e repulsivo! Um dos piores filmes que assisti na minha vida! Se gosta de filme macabro e vazio, que acha que está passando uma mensagem intelectual, mas no final das contas, é obsceno e repugnante! Há formas mais suaves de passar uma lição importante para quem assiste e Darren Aronofsky escolheu a pior forma possível, errou feio! Já tinha assistido o Cisne Negro, achei mais ou menos, fui assistir este acreditando que seria melhor, até mesmo porque gosto do Javier Bardem, mas me arrependi. Na primeira hora do filme até achei interessante, mas no resto, o terror foi tomando conta, assim como a minha indignação! Péssimo, péssimo, péssimo, não recomendo!
    • Aydar Brito
      Não é questão de ser cult, direita, esquerda, religioso ou não. Eu gostei bastante do filme pelos simbolismos mesmo e as reviravoltas.Muita gente religiosa fica puta com as comparações com a Bíblia e tals. Mas a crítica e o conteúdo tem tudo a ver com todo egocentrismo e hipocrisia contido na maioria dos dogmas religiosos. A representação da mãe natureza, Deus, Jesus, Adão, Eva, Caim, Abel e os fanáticos q cultuam estes são perfeitas, cabíveis e atuais principalmente! E temos tb a submissão q ainda existe demais na nossa sociedade e a força que consequentemente pode dar pra uma mulher. Fora o fato de aguentar segurar o amor e manter o ciclo deste pra reconstrução do mundo. Não critico quem não gostou, mesmo pq cada um tem seu ponto de vista sobre o filme. Qto a mim, eu achei ótimo, diferente e o comparo a algumas obras atuais como Corra, A Bruxa e Hereditário.
    • Dani Barros
      É um filme difícil, mesmo...
    • Allan Machado
      Esse pessoal Bolsonaro é inacreditável né? Tudo os caras enxergam esquerda, comunismo...
    • Amancio da Silva
      Crítica nada a ver. Crítica tolíssima! O crítico — no intuito de acabar com o filme — faz uma relação depreciativa com religião, e não é isso que o filme diz. O demonismo aí é independente, renovado e vitorioso sempre, e não uma caricatura fragilizada, como aquela presente no discurso da igreja. O Darren Aronofsky é um gênio, e a crítica tola e supersticiosa não entende que ele em nenhum momento faz alusão à religião — não há uma cruz, não há uma hóstia, não há uma Bíblia. O poema demônico, isto é, o filme em si, mostra a genialidade de Aronofsky, que apresenta o Mal nunca submisso às crenças religiosa, mesmo havendo manifestações cúlticas, porque este demonismo existe desde antes do paganismo, entre o final do Paleolítico e durante todo Neolítico, festejado pelo sexo, pelo sacrifício e pelo canibalismo. E é o fogo a representação máxima do Ente que dita ao mundo. É um filme arriscado, sobretudo dentro dos lares desavisados, porque é um projeto inspirado pelo dominador. O filme é um poema de amor aquele cujos poderes regem o mundo do homem, e que domina na história da humanidade, revelando-se desde Ur da caldeia. Demonismo puro, sobretudo quanto à ousadíssima representação nihilista de parir, matar e comer a vida recém nascida! Penso que os satanistas não gostaram desta “abertura”, qual seja, de profanar o segredo mais velado do Mal, que é, por assim dizer, parar o ciclo natural de vida da humanidade, e celebrá-lo por meio do sexo em si mesmo, sem a sua inerente realização pelo nascimento. O Filme mimetiza o mais conhecidamente antigo ritual. O FOGO.
    • mariana saraiva D
      Achei esse filme muito bom, ele buga sua cabeça no começo e tem que revê-lo mais de uma vez para conseguir captar todas as mensagens que ele propõe, por isso não concordo com você, acho o final surpreendente, acho que é original (até porque eu duvido que outro filme tenha colocado na cara que Deus é um menino mimado), além de as situações que são repetidas além de enfatizar o que a Mãe sente ela conta a história da Bíblia, como o Dilúvio quando a pia quebra e a casa fica inundada e o Apocalipse no final onde tudo queima. Então acho que não gostou dessa repetição acho que também não deve gostar da estrutura narrativa da Bíblia ne. Bem, gostei muito do filme, uma outra versão de uma história que já conhecemos.
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