A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars) 2014
A Culpa é das Estrelas é dirigido por Josh Boone ("Os Novos Mutantes") a partir de um roteiro de Scott Neustadter ("Daisy Jones And The Six") e Michael H. Weber ("Artista do Desastre"), baseado no romance de 2012 de mesmo nome de John Green. A história é centrada em uma paciente com câncer de dezesseis anos, Hazel Grace Lancaster, interpretada por Shailene Woodley, forçada por seus pais a frequentar um grupo de apoio, onde ela conhece e posteriormente se apaixona por outro paciente com câncer, Augustus Waters, interpretado por Ansel Elgort.
"A culpa é das estrelas" é um livro que eu ganhei de uma amiga há algum tempo. Como o gênero do livro não é um dos meus estilos preferidos de leitura, eu acabei deixando ele guardado no fundo da minha estante de livros. Nesse final de ano eu decidi dar uma organizada na estante e acabei separando os livros que eu ainda não tinha lido, e resolvi dar uma chance para eles. Foi exatamente o que aconteceu com o livro de "A culpa é das estrelas", que estava guardado e eu sequer me lembrava da sua existência. Resolvi ler o livro e logo após assistir o filme, e não é que eu me surpreendi em um contexto que eu estava com zero expectativas.
Sobre o livro:
O livro me surpreendeu, pois eu esperava uma história bem clichê, aquele típico romance adolescente mais do mesmo, que sempre encontramos por aí. Porém, com o passar das páginas a história foi me cativando e ficando cada vez mais interessante. É inegável que a história é sim um clichê, mas com elementos que discutem vários pontos que são importantes para a nossa vida no dia a dia.
Temos aqui a história de superação, de motivação, da ambição pela vida, de estar vivo, de querer viver os momentos da vida como se cada um fosse os últimos, e de fato poderia ser. Temos a história da Hazel e do Augustus, dois adolescentes que irão viver a maior aventura amorosa de suas vidas. O ponto em questão é realmente as condições de vida dos personagens, uma vez que eles possuem doenças terminais. Eu coloco a história como uma verdadeira carta de adeus, uma despedida da vida, que apesar de iniciarmos a história já sabendo da doença terminal da Hazel, mas queremos que ela lute pela vida, queremos que ela não desista da vida, não queremos que ela morra, e sim, queremos que ela viva esta sua história com o Augustus.
Eu diria que "A culpa é das estrelas" é um bom livro, ainda mais se você gosta do gênero em questão. E no final você também poderá se surpreender!
Sobre o filme:
No início você pode achar que "A culpa é das estrelas" é mais voltado para o público adolescente, até por contar com um elenco formado por Shailene Woodley e Ansel Elgort. Por outro lado você também pode achar que o filme é mais um melodrama forçado, feito com o único intuito de arrancar às lágrimas do público a qualquer custo. Porém, isso foi um ponto que me surpreendeu tanto no livro quanto no filme. Pois em momento algum a história pesa a mão nessa questão, o tema central já é bem especificado desde o início. Desde o começo você já sabe das condições da doença da Hazel e do Augustus, que ambos são adolescentes que estão vivendo os seus últimos dias, por mais doloroso que isso possa parecer, mas ambos são vítimas de uma doença terminal.
Por mais que o tema central da história seja o câncer, o que fatalmente poderia levar o tom e o ritmo do filme para o melodrama, temos uma Hazel que enfrenta a sua doença, que age como qualquer adolescente, que se estressa com os pais, que se apaixona, que usa uma autoparódia como sua válvula de escape para o seu problema no dia a dia. O mesmo posso falar do Augustus, que é divertido, irreverente, sarcástico com sua própria perna amputada pela doença. Ou seja, ambos vivem as suas vidas como qualquer adolescente, usufruem dela como qualquer pessoa, por mais que eles tenham toda dificuldade imposta pela doença, por mais que eles saibam que tem pouco tempo de vida. Este é ponto que faz de "A culpa é das estrelas" um filme adolescente que trata de um tema sério de forma séria, sem a banalização, sem apelar para o melodrama, sem forçar a barra com uma autopiedade, sem querer propagar uma vitimização.
Um ponto que merece ser destacado e enaltecido, é exatamente a adaptação do livro de John Green. Que é feito com bastante fidelidade, fazendo o simples sem querer inventar demais, sem querer polemizar em cima da obra, sem querer criar teorias sobre o destino dos personagens. Ou seja, um exemplo a ser seguido quando se trata de adaptações literárias. Outro ponto que o diretor acerta, é sobre a construção das cenas que envolve a exposição da doença de ambos os personagens, onde temos cenas mais rápidas e objetivas, quando se trata do problema pulmonar da Hazel e a perna amputada do Augustus. Pois é fato que outro diretor optaria por usar estas cenas para criar impacto, para comover o público.
Sobre o elenco:
Shailene Woodley ("Big Little Lies") entrega uma performance no ritmo certo de sua personagem, ela consegue dosar os momentos mais eufóricos (como na viagem para Amesterdã) com os momentos de maiores tristezas (como nos acontecimentos finais). Acredito que ela foi uma ótima escolha para dar vida para a história de Hazel Grace Lancaster.
Ansel Elgort ("Em Ritmo de Fuga") é o contraponto perfeito para a personagem da Shailene, pois ambos conseguem adquirir uma química instantânea, ambos conseguem comprar a nossa atenção e consequentemente a nossa empatia. Ansel é um ator muito talentoso e versátil, ele consegue incorporar muto bem o personagem, ele conseguiu acertar o timing perfeito do Augustus do livro, que é justamente ser esse cara extrovertido, brincalhão, sempre com suas tiradas cômicas, mostrando que estar vivo e apaixonado pode ser maravilhoso, mesmo sabendo da sua condição.
Nat Wolff ("Murder at Yellowstone City") é o Isaac, o melhor amigo cego de Augustus. Ele também consegue acertar o personagem com relação ao livro.
Laura Dern ("Jurassic World: Domínio") está perfeita como a Frannie Lancaster, mãe de Hazel.
Assim como o Sam Trammell ("Homeland"), o Michael Lancaster, pai de Hazel.
Pra finalizar eu não poderia deixar de citar a presença ilustre do grande Willem Dafoe ("Pobres Criaturas") como Peter Van Houten. O personagem Peter Van Houten no livro eu achei bem questionável, por mais que no final descobrimos o real motivo para ele estar ali presente na história, mas como um todo eu achei o seu contexto um tanto quanto desnecessário. Porém, isso não anula a elegantérrima presença do Sr. Willem Dafoe.
Tecnicamente o filme é modesto mas é bem feito!
A trilha sonora por sinal é bem modesta, mas é muito bem acertada, uma vez que a trilha sonora não apela para ritmos que fatalmente irá forçar a comoção do público. A fotografia é bem ajustada, é bem trabalhada juntamente com toda a cenografia.
Gostei da referência que o filme não deixou de fora, com relação ao uso do cigarro apagado do Augustus. Particularmente eu acredito que o cigarro é usado como uma metáfora para simbolizar o sufocamento da vida que é sentido pelo próprio Augustus.
"A culpa é das estrelas" ainda nos deixa algumas lições de vida:
Por exemplo o fato de se colocarmos no lugar da Hazel, pois ela tem uma doença terminal, ela tem pouco tempo de vida, ela sabe que vai morrer, ela é pessimista, ela fica chateada, ela fica estressada, a vida não tem mais graça, a vida não tem mais cor, a vida não tem mais sentido, porém ela insiste em viver, ela quer estar viva, ela quer viver esse seu pouco tempo de vida com o Augustus, ela se apega ao seu último fio de esperança. Esta é uma reflexão que podemos fazer em nossas vidas, pois você não tem uma doença terminal como a Hazel, você não precisa carregar um balão de oxigênio o tempo todo, e mesmo assim você é pessimista, você não dá o devido valor por simplesmente estar vivo e sem um prazo para a sua vida acabar.
Podemos fazer várias reflexões:
"Tudo é infinito enquanto dura! Não importa quanto tempo temos para aproveitar a vida. O importante é aproveitar e viver intensamente agora. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta."
"A felicidade está nos momentos e nas coisas simples. Basta saber olhar e saber valorizar cada momento."
"É fundamental aprendermos a dar valor a uma conversa, ao conforto de um abraço, ao sorriso, enfim coisas simples que fazem parte do nosso dia a dia. E que só precisam de um olhar mais atento e um coração simples para nos trazer felicidade."
"Mesmo em meio à dor, ver as coisas pelo lado positivo sempre ajuda. Não podemos permitir que os problemas dominem nossa vida ao ponto de perder a fé, a esperança e a alegria."
"Fugir da dor pode apenas prolongar o sentimento e trazer consequências à saúde e ao bem-estar. É importante saber encarar a dor e conviver com ela. Não podemos deixar que ela nos domine, mas podemos aprender com ela."
"São os sonhos que nos impulsionam a seguir em frente. E cada passo em direção a este sonho deve ser valorizado. Muitas vezes, a busca é que torna o encontro mais feliz. Sempre há um motivo para viver e correr atrás dos nossos sonhos."
"A culpa é das estrelas" me surpreendeu muito, eu jamais poderia imaginar que em um filme adolescente eu fosse encontrar os temas e os pontos que foram abordados tanto no livro quanto no filme. Posso afirmar que esta história em si vai muito além de uma doença, pois estamos diante de uma lição de superação, de amor, de carinho, de convivência, de descobrimentos, de revelações, de saber aproveitar o que se tem, enquanto se tem. Verdadeiramente é uma lição de vida diante do inevitável, a morte!
"Nem todo mundo que chega na sua vida, vem com a intenção de ficar. Da mesma forma, que nem todos os que se foram, queriam partir. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados. Não sabe como sou muito grata por nosso pequeno infinito."
Hazel Grace
- 27/12/2024