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    Em um Bairro de Nova York
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Em um Bairro de Nova York

    Orgulho latino e muita festa!

    por Katiúscia Vianna
    Já é difícil para um musical fazer sucesso na Broadway. Fazer sucesso fora dos limites dos Estados Unidos? Mais complicado ainda. Obviamente, a melhor opção para ter um alcance internacional é se transformar num grande filme de Hollywood. Porém, esse também é um processo demorado. Em um Bairro de Nova York, ou melhor, In the Heights, demorou mais de uma década para ser levado às telonas. Nesse meio tempo, o compositor Lin-Manuel Miranda criou o fenômeno Hamilton e se tornou queridinho da Disney. Mas, agora chegou a vez de sua primeira obra brilhar. 

    In the Heights acompanha alguns dias de uma comunidade latina de Washington Heights, em Nova York. Enquanto penam com o calor, acompanhamos como cada um desses moradores tem sonhos e almejam grandes jornadas. Tudo isso a partir do protagonista Usnavi (Anthony Ramos), dono de uma mercearia local que planeja voltar para sua terra natal, República Dominicana. Surgem então romances, muitos números musicais e grande celebração da cultura latino-americana. 

    Em um Bairro de Nova York quebra estereótipos



    Usnavi pode ser o protagonista oficial, mas o filme é formado por diversos personagens carismáticos que ganham espaço na narrativa. Nina (Leslie Grace) é uma jovem universitária que sente pressão para voltar à faculdade, mas não sabe o que deseja. Por sua vez, ela é alvo da paixão de Benny (Corey Hawkins), um taxista que é empregado na empresa do pai da jovem. Ainda temos Vanessa (Melissa Barrera), que trabalha no salão de beleza da comunidade, mas sonha em sair do bairro e fazer carreira fashionista, enquanto vive um "quase romance" com Usnavi. 

    Para quem viu o musical original (que ganhou uma versão brasileira chamada Nas Alturas em 2014); existem algumas mudanças significativas na trama. A ordem das canções é diferente, Nina perdeu sua mãe, enquanto as animadas Carla (Stephanie Beatriz) e Daniela (Daphne Rubin-Vega) se tornaram um casal. Principalmente através de um arco de imigrantes ilegais, Quiara A. Hudes mostra como soube adaptar seu próprio texto para as telonas, sem perder a alma da história, nem relevância política em uma sociedade que, infelizmente, ainda ignora minorias.

    As cenas musicais de Em um Bairro de Nova York são de tirar o folêgo



    Mas Em um Bairro de Nova York não é um drama sobre sofrimentos. Pelo contrário, a dor é transformada numa melodia. Está calor demais? Todo mundo fecha as portas e vai pra piscina do clube. Acabou a luz do bairro? O pessoal faz uma festa e solta fogos de artifício. Isso representa a força de uma comunidade baseada na união e no orgulho. Assim, cada canção tem o potencial de se transformar num show. E, nesse quesito, Jon M Chu (Podres de Ricos e o futuro Wicked) foi a escolha perfeita para a função. Usando a contagiante trilha sonora de Lin-Manuel Miranda, o cineasta deixa a criatividade falar mais alto em cada número musical, dando o destaque para as coreografias de Christopher Scott.

    A faixa "96.000" cria um espetáculo gigantesco na piscina, onde cada minuto traz dezenas de dançarinos sincronizados e um mashup de vozes elétrico. Por outro lado, "When the Sun Goes Down" dá uma chance de Benny e Nina se tornarem Fred AstaireGinger Rogers desafiando a gravidade.  Ainda temos a emotiva "Paciencia y Fe", canção solo de Abuela Claudia (Olga Merediz), que é a matriarca do bairro. Ela explica todas as dificuldades dos imigrantes, enquanto é cercada por caóticos sentimentos representados por coreografias e luzes num túnel de metrô.

    Porém a cena que representa a mensagem de Em um Bairro de Nova York é "Carnaval del Barrio". Um número musical com 7 minutos de duração, ela é a pura expressão de "orgulho latino", com os personagens cantando numa grande mistura de inglês e espanhol. Danças típicas de Porto Rico, México e Dominica Republicana e Cuba ganham espaço, até que todo o elenco se reúne numa mesma coreografia animada. É puro êxtase que celebra as bandeiras de nossas heranças. Inclusive, é possível ver uma bandeira brasileira ali na brincadeira. A gente agradece a lembrança, viu?

    Lin-Manuel Miranda compõe e também participa de Em um Bairro de Nova York



    In the Heights é a história de uma comunidade e tem sucesso em encontrar um elenco unido com boa química. Alguns são mais limitados que outros, mas nenhum ator parece ser carta fora do baralho. Anthony Ramos tem tudo para se tornar um novo galã de Hollywood, enquanto o jovem Gregory Diaz IV é uma revelação como Sonny, primo do protagonista com uma visão política apurada. Lin-Manuel Miranda ainda faz uma breve aparição como o Piraguero, vivendo uma rivalidade divertida com Mr. Softee (Christopher Jackson) — o que é um toque legal quando você lembra que os dois fizeram parte do elenco original da peça, junto com Olga Meredíz.

    No final das contas, Em um Bairro de Nova York é uma grande festa, com personagens carismáticos, coreografias impressionantes e canções que irão te fazer cantarolar por dias. Ás vezes, pode ser meio exagerada ou previsível, mas nunca perde a humanidade de sua história. Já faz tempo que os latinos merecem ter seu espaço como astros de cinema. É legal se ver representado na tela, não é mesmo? Dá vontade de pegar nossa bandeira e sair dançando pelas ruas — o que a gente só faz na época da Copa mesmo.

     



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