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    Opinião: Por que o Oscar continua só indicando homens se o número de diretoras com filmes de maior bilheteria cresceu em 2019?
    Por Barbara Demerov — 25 de jan. de 2020 às 09:45
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    Apesar de as mulheres representarem 10% dos 100 maiores filmes do ano, nada muda no cenário da grande premiação de Hollywood.

    Apesar de ainda ser um pouco discreto, é de se comemorar que, dentre os cem filmes de maior bilheteria lançados em 2019, doze deles foram dirigidos por mulheres. Mas a alegria dura pouco quando lembramos de outro fato importante: estamos em 2020 e, em mais de 92 anos de cerimônia do Oscar – a mais importante (ou a mais conhecida?) premiação do cinema –, apenas cinco mulheres foram indicadas na categoria de Melhor Direção.

    É um número assustador. A falta de inclusão é real e tal cenário só ressalta a evidente falta de interesse dos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em "quebrar a roda" – que, a propósito, ainda é majoritariamente composta por homens brancos e norte-americanos. Um estudo comandado pela Dra. Stacy L. Smith, intitulado "Inclusion in the Director’s Chair: Analysis of Director Gender & Race/Ethnicity Across 1,300 Top Films from 2007 to 2019", se propôs a analisar a evolução da presença das cineastas no mercado cinematográfico e o progresso que ainda precisa ser feito para que a igualdade seja alcançada.

    No estudo, Smith destaca que os 10,6% de presença feminina no ranking de 100 filmes mais bem sucedidos do ano passado são de fato um avanço, pois esta é a porcentagem mais alta alcançada desde 2007, ano em que a análise começou. Para se ter noção de que 10,6% é, sim, um número alto, em 2018 apenas 4,5% diretoras estavam presentes na lista. Os passos são lentos, mas estão acontecendo.

    No entanto, é preciso compreender que a presença de mais diretoras no mercado (especialmente em Hollywood, o cerne do que vemos no Oscar) depende do número de indicações nas grandes premiações do cinema. É através delas que qualquer diretor(a) ganha mais prestígio e atenção, ainda que somente com uma indicação e não uma vitória. Por isso, é necessário falar sobre a ausência gritante de diretoras vencendo Oscars, Critics' Choice Awards, Globos de Ouro e etc.

    Kathryn Bigelow com seus Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção por Guerra ao Terror.

    Kathryn Bigelow fez história no Oscar ao ser a primeira (e até agora, única) mulher a vencer na categoria de direção por Guerra ao TerrorSofia Coppola foi a segunda mulher a vencer em Cannes pela melhor direção em 70 anos de festival com o filme O Estranho que nós Amamos, e Greta Gerwig, com Lady Bird, foi a quinta diretora a ser indicada ao Oscar em 2018. Contudo, em 2020, o nome de Gerwig reapareceu destacando algo negativo: mesmo com a indicação de Adoráveis Mulheres a Melhor Filme e mais cinco categorias, a cineasta ficou de fora da lista final na categoria de Direção. Este ano, o Oscar apenas indicou homens - ainda que seja importante destacar que o coreano Bong Joon-Ho teve seu trabalho reconhecido por Parasita.

    Mas, por mais incômodo que seja ver Gerwig fora da categoria de Melhor Direção no Oscar, é imprescindível frisar que há muitas diretoras por aí exercendo a profissão com a mesma dedicação de Sam MendesMartin Scorsese e Quentin Tarantino. É preciso reconhecer os trabalhos de Lulu Wang e seu elogiado The FarewellKasi Lemmons com Harriet (indicado a duas categorias nesta edição, incluindo Melhor Atriz para Cynthia Erivo), Céline Sciamma e o belo Retrato de uma Jovem em ChamasAlma Har'el com Honey Boy e, é claro, Olivia Wilde (Fora de Série) e Lorene Scafaria (As Golpistas).

    Não é como se não existissem inúmeras diretoras mais do que preparadas para serem indicadas ao Oscar. Elas estão aqui, espalhadas pelo mundo, sendo reconhecidas em festivais e premiações. É triste admitir que boa parte da notabilidade de uma diretora seja proveniente do Oscar e da boa vontade dos votantes em olhar para fora da caixa, mas tal conjuntura ainda vai demorar para mudar.

    Cynthia Erivo em Harriet.

    Para seguir no caminho correto, os estúdios devem tomar o primeiro passo. O estudo de Smith ressalta que a Universal Pictures foi a principal responsável pelo aumento do número de diretoras em 2019: das doze cineastas, cinco dirigiram filmes para a empresa. Como vocês podem perceber, esta é uma via de duas, três, quatro mãos: é um verdadeiro trabalho em equipe que, se bem alinhado, fará a diferença para as jovens aspirantes a cineastas que querem garantir seu espaço no mercado como qualquer profissional.

    Mas ainda há bastante estrada pela frente, uma vez que o documento também aponta que, entre as mulheres, existe uma desigualdade racial evidente e preocupante. Em 2019, quatro das doze diretoras são negras, mas, entre 2007 e os dias atuais, apenas treze mulheres dirigiram os filmes de maior bilheteria. Isso mesmo, treze.

    Diante destes números e fatos, é fundamental ficarmos de olhos abertos ao que está acontecendo na indústria cinematográfica e observarmos os filmes que ficam de fora simplesmente por não serem comandados por homens, por mais elogiados que sejam. Há uma razão para isso, e ela está ligada à rejeição de novas ideias e ações. Com cada vez mais membros votantes, a Academia há de querer sair do óbvio e notar que um bom trabalho independe do gênero, da cor ou da faixa etária do indivíduo. Ao menos é isso o que podemos fazer: esperar pela igualdade ser alcançada.

    *Dentre os doze filmes dirigidos por mulheres que se encontram na lista de 100 longas citados, estão: Frozen II, Capitã Marvel, Harriet, As Golpistas, Fora de Série e Adoráveis Mulheres.

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    Comentários
    • Gabriel Angelo
      Barbara Demerov, vc sempre milita nas materias q fica publicando aqui no adoro cinema, deixe pra fazer isso no seu twitter q NINGUEM liga, n vem militar pela causa q vc ache certo aqui, seja imparcial. Vai exigir cota pra mulheres no oscar agora ? mds
    • Carmmando Alves
      pelo que me lembro a academia é composta por mais de 6 mil menbros e que este numero foi revisto para que mulheres e negros fossem a maioria, para dar uma maior diversidade, mas pelo visto isso só funcionou por um ano e agora vemos que todos na verdade votam pela qualidade e não pela orientação sexual, cor, é tão somente choradeira de pseudo jornalista Brasileiro amargurando fracassado que não tem o que comentar vive falando besteiras como esta , criticando a maioria da qual eles mesmo puseram lá.
    • Sebastião S
      Mulher na direção perigo constante !
    • Marcelo Mendes Silva
      É simples! São apenas 5 vagas. Para uma mulher ser indicada, ela teria que, pelo menos estar entre os 5 melhores. Se ela for a 6ª melhor, consequentemente ela estará fora. É a vida. Ou será que querem cotas também no Oscar?
    • João
      Meio?
    • Baby do Biruleibe
      o que eu vejo nessa materia ta mais pra um desabafo do q informaçao, cade a imparcialidade?! depois nao entende pq cai o numero de visitas do site.... primeiro q isso se resume a matematica basica, 12 filmes de 100 é igual a 12%, seria necessário pelos menos 20 filmes (pq sao 5 indicaçoes) para existir uma chance estatística de indicação (baseando-se que esses mesmos 100 filmes foram considerados na competiçao)... entao parem cm esse vitimismo... ate hoje existe essa briga com os blockbusters a galera ate da uma chorada, mas depois eles seguem em frente tendo a certeza de que o trabalho foi bem feito... e tenho certeza que é o mesmo vale para essas 12 diretoras q tem sim o reconhecimento das pessoas.... dane-se o oscar
    • Baby do Biruleibe
      DORMI NO MEIO zZzZzZz.... mas enfim é isso ta certo!!!! estatisticamente ainda nao possivel ganhar....
    • Jamerson Costa dos Santos
      Pq os homens fizeram um trabalho melhor, simples assim. Quantidade não é qualidade. E se for ver, o número de homens dirigindo filmes deve ser muito superior.
    • J. Heleno Paiva
      Eu não sei se você está falando sério ou só trolando/sendo irônico. De qualquer forma, você não soube se expressar bem. Se estiver falando sério e de forma objetiva, então sinto muito, mas esse seu argumento é tolo e raso.
    • Pedro Rosenfeld
      É que Hollywood é meio machista.
    • J. Heleno Paiva
      A vida é como ela é, não como nós queremos que ela seja. Vocês não podem desconstruir séculos de tradicionalismo comportamental com ativismos tacanhos que só falam para um nicho. A sociedade ocidental não vai virar um paraíso de igualdade de gênero porque a verdade dolorosa que o feminismo moderno não quer engolir é que homens e mulheres podem ter os mesmos direitos, mas nunca serão objetivamente ''iguais'' devido ao puro e simples processo natural. Mulheres podem ser melhores que os homens em determinadas funções, bem como homens podem ser melhores que mulheres nessas mesmas funções. O que não querem admitir é que, por acaso, mulheres são péssimas em certas coisas mesmo, e isso é totalmente normal, mas a ideia de ''poder feminino que pode tudo'' do ativismo identitário moderno cega as pessoas. Então sinto muito, mas não é tentando impor uma verdade absoluta(como tipo, ''ah tiveram vários filmes legais feitos por mulheres esse ano, um absurdo não ter nenhuma mulher indicada'', ignorando que, tem apenas 5 indicados na categoria, e um grupo de pessoas especializadas julgou pura e simplesmente que o trabalho dos homens indicados foi superior que o de qualquer mulher, NESTE ANO, e também tentando impor que tiveram ''vários filmes bons'' feitos por mulheres como uma verdade inquestionável) que vocês vão conseguir avançar em alguma coisa importante, e tão pouco será com ''lacres'' e artigos vitimistas patéticos como esse. Lutem pelas causas realmente justas do feminismo clássico, como igualdade salarial e liberdade reprodutiva, e não essa linha tóxica de ''mulheres podem tudo'', ''nenhum homem presta'', ''pelos no suvaco'', e ''sair com o peito de fora''. Vocês não vão à lugar algum com essa mentalidade. Defendam suas causas de forma articulada e respeitando a liberdade de opinião de cada um sem ficar rotulando de machista, fascista, e o caralho a quatro toda vez que alguém discorda de você. Pois, como eu disse, a vida é como ela é, não como a gente quer que seja, o mundo não vai virar esse paraíso cor-de-rosa que vocês fantasiam, superem ''manas''...
    • J. Heleno Paiva
      Exato. Mas este tipo de artigo patético já era de se esperar da Barbara Demerda, sendo que ela é um dos quadros da lacrosfera pseudo feminista da mídia de entretenimento. Essa gente quer se utilizar de qualquer expediente para tentar enfiar goela abaixo da sociedade suas convicções, que são bem diferentes das do povo que eles tentam manipular, mas só se fodem. Agora podem vir me chamar de ''fascistinha'', turma do PSOL. Fiquem a vontade, só tenho uma má notícia pra vocês, eu sou um social-democrata clássico, de centro. O que me faz diferente de vocês é o fato de eu saber que a ascensão da extrema-direita se deve ao radicalismo identitário desta fração da esquerda que domina a mídia, ignorando os valores conservadores do cidadão comum.
    • ChadGrey
      Apesar de as mulheres representarem 10% dos 100 maiores filmes do ano, nada muda no cenário da grande premiação de Hollywood.E porque haveria de mudar?!Acho bem que as nomeações para os Oscar sejam feitas através da qualidade; nunca por pressão social (que é o que tem acontecido nos últimos anos e nós a assistir - quem ainda assiste - à palhaçada/comédia que tem sido)*Dentre os doze filmes dirigidos por mulheres que se encontram na lista de 100 longas citados, estão: Frozen II, Capitã Marvel, Harriet, As Golpistas, Fora de Série e Adoráveis Mulheres.E é isto... Isto só prova que quantidade - isto é, número de pessoas que pagam bilhete para assistir ao cinema - não é nem deve ser equiparada a qualidade. Os Oscar são (ou deveriam ser) nomeações para o melhor dos melhores do ano... Não o melhor porque é mulher, homem, branco, preto, cigano... Têm que estar lá os melhores dos melhores independentemente da raça. As mulheres querem ter mais presença? Acho bem que a tenham. Mas pelo seu trabalho e qualidade do se trabalho e não apenas porque produziram um filmezito e têm vagina em vez de pénis. Comecem a produzir filmes de qualidade e teremos todo o gosto em assistir às mesmas a receber o merecido prémio.
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