Críticas AdoroCinema do filme Ninfomaníaca - Volume 1
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Críticas AdoroCinema Ninfomaníaca - Volume 1

4,5

A eterna busca
De Francisco Russo

Antes de falar sobre Ninfomaníaca, voltemos um pouco no tempo. Criticado mundialmente devido às declarações a favor de Hitler em pleno Festival de Cannes, durante a coletiva de imprensa de Melancolia, Lars von Trier se viu em maus lençóis ao ser declarado persona non grata no festival que, durante anos, serviu de palco para o lançamento de seus novos filmes. Em meio à polêmica, ele resolveu cutucar ainda mais: anunciou Ninfomaníaca, cuja história acompanharia a vida sexual de uma mulher da infância a velhice, com direito a cenas de sexo reais. Era o projeto ideal para aquele momento da carreira do diretor, já que permaneceria sob os holofotes da mídia graças ao tabu existente em torno da vida sexual da mulher - qualquer mulher - e, é claro, seu lado polêmico e incisivo, que possibilitava a crença de que ele realmente iria a fundo no projeto. É claro que, marqueteiro por natureza, von Trier soube conduzir esta fama com habilidade, fazendo com que crescesse cada vez mais a expectativa em torno do filme – ou filmes, como acabou acontecendo.

Ninfomaníaca - Volume 1 - FotoContexto estabelecido, é importante dizer que Ninfomaníaca é um filme incompleto, pelo simples fato de ser uma história dividida em duas partes. Mas, ainda assim, encantador. Nem tanto pelo tema abordado, que acaba se tornando menor diante do que von Trier tem a dizer, mas especialmente pela forma como é retratado. É verdade que Ninfomaníaca traz várias cenas de sexo, de nudez frontal e algumas explícitas – com direito a penetração -, mas elas são apenas o meio através do qual a mensagem principal é transmitida: a busca em sentir algo, seja lá o que for. É esta eterna ambição que fez com que Joe tivesse sua sexualidade tão exacerbada quando ainda jovem. Da mesma forma, o não sentir algo fez com que se arriscasse cada vez mais, sem medir consequências, como se estivesse em uma busca ensandecida por algo vital que jamais encontraria – ao menos não da forma como sempre procurou.

Entretanto, é importante mais uma vez ressaltar, esta parábola é contada apenas parcialmente em Ninfomaníaca – Volume 1. É possível ver a Joe adulta (Charlotte Gainsbourg), encontrada cheia de hematomas abandonada em um beco e carregando um enorme fardo de culpa, e também a Joe jovem (Stacy Martin), inconsequente em suas aventuras sexuais, mas o que fez com que uma se transformasse na outra é algo que apenas o Volume 2 responderá. Fica no ar a pergunta crucial: o que fez com que esta mulher, que jamais se pautou por moralismos ou questões religiosas, assumisse de forma tão forte este sentimento de culpa, ao ponto de a todo instante repetir “sou um ser humano ruim”?

Ninfomaníaca - Volume 1 - FotoAo longo desta trajetória, von Trier destila na tela algumas de suas características tradicionais: o humor afiado, extremamente sarcástico, que surpreende pelas insólitas comparações presentes no episódio O Pescador Completo e também por uma piada autorreferente sobre antissemitismo. O sadismo emocional do diretor também marca presença, especialmente na humilhante sequência estrelada por Uma Thurman no episódio Mrs. H., que em muito lembra o impacto emocional de Ondas do Destino. Assim como, mais uma vez, von Trier espalha ao longo do filme pílulas de uma cultura erudita com um certo acesso ao espectador comum.

Extremamente provocador – não apenas pelo tema mas também pelo formato, como demonstram os minutos iniciais onde o espectador é obrigado a aguardar o início tardio do filme -, Ninfomaníaca – Volume 1 encanta pela ousadia. Ao explorar um tema tabu, ao trazer uma profunda análise emocional sobre algo que poderia facilmente ser banalizado, ao fazer graça em momentos surpreendentes, ao tirar o espectador do conforto de sua poltrona. Ou por momentos tão sutis, como o breve sorriso sacana de Stellan Skarsgård ao vislumbrar o passado de Joe. Trata-se de um filme ambicioso que deixa uma expectativa enorme para o que vem a seguir, por mais que as cenas do próximo volume, presentes ao término da sessão, deem uma certa ideia do que acontecerá. Seu único pecado é o episódio Delírio, pela sensação de gratuidade que transmite em relação à história como um todo. Um grande filme, que exige que o espectador se dispa de preconceitos e moralismos para captar a essência da história - por mais que von Trier, ainda bem, adore uma boa polêmica.

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Comentários

  • Francisco C.

    Doença menta??? kkkkkkkkkk

  • Renato S.

    Muito bom. Confesso que me surpreendi com o filme, não por causa das cenas de sexo e sim pelo humor do qual não vi em outros filmes de Lars von Trier. As atuações foram dignas, principalmente o de Uma Thurman no papel de mulher traída e a surpresa Stacy Martin no papel de Joe quando era jovem. A dramaticidade foi algo importante que foi bem desenvolvida ao longo do filme. As associações com a vida dos peixes, a música, a teoria de Fibonacci foram fantásticas.
    Para quem apenas esperava um filme pornô acho que foi uma decepção, isso porque o filme fala de sexo de uma maneira espontanea, de um jeito que muita gente gostaria de falar mas não fala, tudo por conta dos padrões comportados do qual devemos nos alienar. Agora é só esperar pela Parte II

  • Camila d.

    Ótimo filme. Não conhecia a obra de Von Trier, contudo, acho que este foi um bom começo. Obviamente, a nudez tem chocado muita gente desde Kubrick , basta perceber os discursos ingenuamente puritanos contra filmes deste tipo, contudo, este não é um filme que choca pelo visual, mas atrai pela forma e conteúdo. A frieza de Joe me fez recordar as narrativas de Graciliano que, em "Vidas Secas", não se compadece ao narrar os dissabores vividos pelas personagens e não se regojiza de suas virtudes. A ausência do sentimento, os momentos cult, as analogias, os recortes das cenas, tudo em "Ninfomaníaca" é de uma essência genial.

  • Alessandro L.

    Cenas carregadas de profunda depressão, inexistência de sentimento, diálogos metafóricos e sexo quase mecânico.
    Assim é o primeiro volume de Ninfomaniaca. Stellan Skarsgård que se diz não religioso mas bom ouvidor de Bach e com quadro de uma santa em sua Kitnet.

  • Magno V.

    Arte em cena! Os detalhes do silêncio, logo no início do filme, seguido pelo pesa heavy alemão me capturaram desde o começo. Não pisquei o olho durante todo o filme pra não perder os diálogos inteligentes, clássicos, vem elaborados. Estou curioso pra ver a parte II

  • Camila A.

    rs... Desculpe, mas... Além de concordar com as respostas anteriores a esse seu comentariozinho... Ficar comparando diretores é totalmente sem propósito!

  • Aglae P.

    Von trier é polemico, afiado , sarcastico os filmes dele vão direto e sem escalas ao interior do ser humano que pelo que vi do filme EXTRAORDINARIO chamado melancolia, e este era um verdadeiro agregador de simbolos, cada um tinha uma experiencia pessoal e intrasferivel sobre "melancolia" o que vejo do filme não são as cenas sexuais, e sim a visão do diretor, uma especie de falência do ser humano, uma viagem interna forte, feroz, e pessimista, vejo tambem uma ... tentativa de romper conceitos sexuais moralismos, é sempre uma aventura maravilhosa assistir seus filmes

  • Aglae P.

    O que eu amo nos filmes dele pode ser colocado em duas situações faz refletir, faz viajar no interior da uma pancada emocional necessaria ao extremo de uma geração , que parou de questionar parou de pensar além, quando vi , melancolia, o filme é tão simbolico, ,tao atordoante, tão bom cada vez que se assisti uma (s) nova ... cena carregada de ideias, que fazem pensar, ainda não vi ninfomaníaca, mas com certeza será um filme por tudo que venho ouvindo, absorvendo, que fará com que pense melhor.

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