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    Caçada Mortal
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Caçada Mortal

    Não se deixe enganar pelo título caça-níquel - ou deixe.

    por Renato Hermsdorff
    Um ex-policial que agora trabalha como investigador privado aceita ajudar um traficante de drogas que está atrás do homem que sequestrou e matou sua esposa. Ao aprofundar o caso, ele descobre que esse não é o primeiro crime do(s) procurado(s). Com alguma variação no calibre na arma, está aí descrita a trama de 11 entre dez títulos exibidos no Domingo Maior da TV Globo – aquela faixa de filmes que encerra a semana com tiro, porrada e bomba.

    Caçada Mortal - FotoO ex-agente poderia ser vivido por Jean-Claude Van Damme, Dolph Lundgren, (Sylvester Stallone?), Denzel Washington ou mesmo Nicolas Cage. Mas trata-se de Liam Neeson. E o título em português, Caçada Mortal (no original A Walk Among The Tombstones, algo como “caminhando entre as lápides”), também não ajuda. E a impressão inicial é que a soma da sinopse clichê + título genérico é só mais um estratagema de Hollywood de catar um troquinho a mais do seu bolso.

    Não que não seja, mas Caçada Mortal (não tinha mesmo outra opção de título?) é entretenimento de qualidade. Dirigido por Scott Frank, mais conhecido por seu trabalho como versátil roteirista (O Nome do Jogo, Minority Report - A Nova Lei, A Intérprete, Wolverine: Imortal e até Marley & Eu), o filme é baseado no romance homônimo ("A Walk Among The Tombstones"; e não "Caçada Mortal", pelo amor de deus) escrito por Lawrence Block, um capítulo da série protagonizada pelo ex-policial ex-alcoólatra Matthew Scudder (Neeson).

    Caçada Mortal - FotoA despeito da direção segura (quase um David Fincher), da aposta em planos nada óbvios, da fotografia bem agradável, é na essência anti-Domingo Maior que o filme cresce: ao contrário da média desse tipo de filme de ação, Caçada Mortal (erg!) não faz apologia gratuita à violência, muito menos ao uso das armas de fogo (mas não se preocupe, amante da ação, elas estão lá) – pelo contrário. Esse elemento surpresa – que se dá no conteúdo – também se repete na forma, como na belíssima sequência de abertura, quando os créditos iniciais são projetados (preste atenção): quando o espectador pensa estar vendo uma coisa, essa coisa, na verdade, é outra.

    O roteiro é um pouco rocambolesco e um tanto quanto sentimental, é verdade (mas qual desses filmes, afinal, não é?), mas a história é instigante. Descontada a atuação do boy Disney Dan Stevens (Downton Abbey) fazendo voz de Don Corleone, Neeson não tem grandes dificuldades em reprisar um tipo de papel que domina, e David Harbour (O Protetor) se destaca como um vilão sarcástico.

    Não deixe se enganar pelo título caça-níquel: C*ça*a Mo*t*l é te como base uma boa história, contada de maneira objetiva, sem truques ou maneirismos.
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