Muito se fala sobre o fracasso estrondoso de Cats, mas é inegável que o filme, mesmo massacrado pela crítica, não sai da boca do povo. Além de ter ganhado a Framboesa de Ouro em 2020, virou piada durante a apresentação de Melhores Efeitos Visuais no Oscar e acabou taxado de cringe tanto por millennials quanto por membros da gen Z. "Ouvi dizer que é horrível", chegou a dizer James Corden, intérprete do felino Bustopher, na época do lançamento.
Baseado no musical da Broadway escrito por Andrew Lloyd Webber, Cats estreou em dezembro de 2019, com um elenco de peso também que inclui Judi Dench, Ian McKellen, Idris Elba, Jennifer Hudson, Taylor Swift, Rebel Wilson e Jason Derulo. Abusando do CGI para criar híbridos entre humanos e animais, o longa custou quase 100 milhões de dólares e se tornou uma bomba de bilheteria, arrecadando pouco mais de 70 milhões. O lado positivo disso tudo? Rende bons memes para a internet até hoje.
Como seria o elenco brasileiro de Cats?Em entrevista publicada pela Variety, Lloyd Webber explica que a peça foi originalmente vendida para a produtora de Steven Spielberg – Amblin Entertainment –, que pretendia transformá-la em uma animação. Isso nunca aconteceu, e o material terminou nas mãos de Tom Hooper (Os Miseráveis, O Discurso do Rei e A Garota Dinamarquesa). Embora Spielberg não tenha se envolvido diretamente, sua companhia foi uma das que realizaram o filme.
Lloyd Webber enxerga a decisão como desastrosa. "Cats estava totalmente errado, fora de escala. Não houve nenhum entendimento de como usar as músicas", declara à revista. "Eu vi e pensei: ‘Meu Deus, não’. Foi a primeira vez em meus 70 e tantos anos neste planeta que saí e comprei um cachorro. Então, a única coisa boa que veio disso foi meu filhote havanese."
Jennifer Hudson defende Cats e diz que musical foi entendido erradoSegundo o compositor, o cãozinho se tornou uma grande companhia durante o confinamento provocado pela pandemia de Covid-19. Lloyd Webber ficou isolado na Inglaterra e se apegou tanto ao animal que quer levá-lo de avião em sua próxima viagem a Nova York. Para isso, ele entrou em contato com a companhia aérea e explicou sua condição: “Eu disse que precisava dele comigo o tempo todo porque estou emocionalmente danificado e preciso desse cão de terapia."
A empresa respondeu perguntando-lhe se podia provar que aquilo era realmente indispensável. "Eu disse: Sim, veja o que Hollywood fez com o meu musical. A aprovação veio, então, com a seguinte nota: 'Não é necessário relatório médico'", lembra Lloyd Webber.