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    Cine PE 2018: Rodrigo Santoro fala sobre oportunidades em Hollywood e motivação para atuar em Westworld
    Por João Vitor Figueira — 3 de jun. de 2018 às 16:12

    "As oportunidades estão muito maiores. Nem se compara com 12 ou 13 anos atrás", avaliou o ator, homenageado neste ano no Cine PE.

    Com anos de projeção internacional em sua carreira como ator, Rodrigo Santoro é frequentemente citado como sendo um caso de sucesso quando o assunto é a tão sonhada "conquista de Hollywood". Com papeis de variadas importâncias na terra do Tio Sam, a presença do brasileiro na Meca do cinema industrial foi um dos temas mais abordados na coletiva de imprensa de Santoro durante sua passagem pelo Cine PE na noite de sábado (02).

    Quando Santoro foi para os Estados Unidos, houve quem consideresse um retrocesso para um ator de seu talento e importância no Brasil fazer pontas em produções de menor prestígio artístico, como seu papel sem falas em As Panteras Detonando (2003). Entretanto, com o tempo o astro conseguiu participações de maior destaque na indústria americana, como o vilão Xerxes em 300 (2006) e 300 - A Ascensão do Império (2014), Jesus Cristo no remake de Ben-Hur (2016) e Hector Escaton na série Westworld (2016 - presente).

    Felipe Souto Maior/Cine PE
    Santoro fala na coletiva de imprensa do Cine PE.

    Durante a coletiva, Santoro fez questão de dizer que sua presença no mercado internacional aconteceu de forma natural. "Esta visão de que eu fui fazer uma carreira uma carreira em Hollywood não existe. Eu fui divulgar filmes brasileiros lá: Abril Despedaçado e Carandiru. A partir desses dois filmes eu passei a entrar em contato com o mercado externo, com o cinema no mundo", disse. "Daí, gradativamente, eu fui me aventurando, me encantando, me auto estimulando...  E ao mesmo tempo sem levar muito a sério. Com isso eu quero dizer que não era um objetivo planejado. Eu não saí daqui com uma mochila nas costas e falei: 'Vou conquistar Hollywood'. Nunca existiu esse pensamento." Santoro afirmou ainda que "nunca se desrespeitou" ao aceitar um papel menor nos EUA e que sua "estrada é uma só", quando se refere às escolhas de sua vida artística.

    Quando perguntado sobre o desafio de seguir carreira nos Estados Unidos, disse que a tarefa não era fácil, pois quando ele faz um teste para o papel "está competindo com o mundo inteiro".

    O ator também falou como foi observar Hollywood por dentro a partir de um ponto de vista de um latino-americano em um país como os Estados Unidos e sobre a mudança de panorama para atores estrangeiros na indústria americana. "As oportunidades estão muito maiores", avaliou. "Nem se compara com 12 ou 13 anos atrás. Na primeira vez que eu fiz um trabalho fora do Brasil era um outro mercado. As oportunidades eram muito pequenas e estereotipadas quando voltadas para um latino. Eu pegava um roteiro e já ia logo procurando o Raul, o Juan, o Ramirez. Era sempre isso. Só tinha isso. De uns cinco ou seis anos para cá isso vem se transformando. As produções vem olhando para o mercado mundial com outros olhos."

    Santoro em 300 (2006).

    Apesar dessa fala, Rodrigo ainda acredita que alguns estereótipos resistem. "Antigamente se buscava muito o latino, agora se busca o estrangeiro, qualquer um, que tenha sotaque. O americano faz o bonzinho, que é o herói, e normalmente a vaga para os outros vilões e os coadjuvantes ficam abertas para o resto do mundo." Contundo, o ator fez uma ressalva e disse que sua ponderação se refere ao que acontece no casting de um blockbuster e não de qualquer filme rodado nos EUA.

    Ao comentar sua participação em Westworld, Santoro falou que foi o elenco da série, que conta com nomes como Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood, Thandie NewtonEd Harris e Tessa Thompson, que despertou seu interesse em atuar na produção do canal HBO. "Eu já tinha me interessado pelo roteiro, mas eu tinha dúvidas sobre manter um compromisso mais longo com a série até porque eu continuo residindo no Brasil", revelou. "Mas aí, quando eu comecei a entender quem são os atores que iriam participar da série meu interesse aumentou imediatamente. É claro que eu queria ter a oportunidade de trabalhar com essas pessoas. É uma experiência incrível. É algo que eu não consigo nem descrever. E não é porque são pessoas famosas é porque são grandes artistas, como outros que eu já tive oportunidade de trabalhar, como Othon BastosPaulo Autran e Fernanda Montenegro."

    Quando o assunto mudou para seus projetos futuros, Santoro mostrou muito entusiasmo ao comentar o drama Un Traductor, no qual atua em espanhol e russo em uma trama baseada em fatos reais e ambientada em Cuba. O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

    Ao falar sobre seus métodos de atuação, Santoro expressou como pensa o ofício de ator. "Eu construo personagens como um pedreiro constrói uma casa. Eu me relaciono com a profissão dessa forma. Acho que o artista é um estudante do comportamento humano. Eu estou sempre observando muito e sempre procurando momentos para olhar para a vida. São coisas simples, como ir para a praça e ficar olhando. É quando você entende o comportamento humano."

    *O AdoroCinema viajou para o Cine PE a convite da organização do evento.

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