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    Festival de Gramado 2017: 'Vilã de Chiquititas' desponta como favorita ao prêmio de melhor atriz
    Por Renato Hermsdorff — 24 de ago. de 2017 às 19:37

    Conhecida no teatro com uma carreira de mais de 30 anos, Magali Biff é a protagonista de Pela Janela.

    Bruno Alfano

    Mesmo com mais de 30 anos de carreira no teatro, não tem jeito: para uma (boa) parte do público, ela será sempre a zeladora Ernestina, a marcante “vilã” da primeira versão brasileira da novelinha argentina Chiquititas, que completou duas décadas no último mês. Pois no festival de Gramado 2017, Magali Biff apareceu completamente diferente, como a sofrida Rosália, de Pela Janela. E despontou como favorita ao kikito de melhor atriz, fazendo frente à atuação de Maria Ribeiro (Como Nossos Pais).

    “De fato, eu sou uma atriz de teatro, onde você pode ser bastante exuberante”, Magali explicou, no encontro com a imprensa e público na manhã desta quinta-feira. “Então, foi bastante difícil retirar tudo isso, ser esse personagem com essa densidade, com todo esse movimento interior, sem ter a expressividade do teatro”, confessa.

    Cleiton Thiele/Pressphoto.
    Magali no debate.

    A palavra de ordem no longa de estreia da montadora Caroline Leone - ironicamente, também uma coprodução com a Argentina - é: economia. No filme, “Rosa” é uma operária de São Paulo, de 65 anos, que, apesar de ter dedicado a vida ao trabalho, é demitida. Perdida, ela acaba embarcando em uma viagem a Buenos Aires com o irmão. Trata-se uma obra difícil para o grande público, não convencional, pontuada por silêncios e centrado na figura da protagonista.

    “Eu quis fazer um filme que fosse hipnótico para os sentidos, queria que fosse um grande mergulho para dentro da pele da personagem”, admite a diretora.“Eu quis contar o mínimo possível. E acreditar no poder do cinema, no quanto o cinema consegue contar com imagem e som, e menos com descrições”. “Todos os excesso que eu, como montadora, muitas vezes tenho que deixar nos filmes, eu pude tirar no meu”, comemorou.

    As orientações de Caroline, segundo Magali, foram no no sentido de dizer “isso não, isso não, isso não, menos, menos, nada disso, nada disso”, disse, provocando risos na plateia. “E eu muito preocupada: como chegar nesse ponto de não fazer nada e ao mesmo tempo fazer tudo?" Deu certo. Sutil, a performance é realmente algo fora do comum.

    Diego Vara /Pressphoto.
    Caroline no palco do Palácio dos Festivais.

    Agora, se o filme tem potencial para agradar também aos fãs de Chiquititas... “Eles estão nessa idade da Caroline, em torno de 30 anos. Se ela teve essa sensibilidade toda, por que não eles?”, a atriz devolveu a pergunta ao AdoroCinema.

    Segundo longa-metragem de Magali Biff - que havia feito Deserto, de Guilherme Weber, a ser lançado em setembro -, Pela Janela tem previsão de estreia em 7 de dezembro. Encantada com o cinema, ela agora aguarda a resposta para um teste que fez para o próximo filme do diretor Karim Aïnouz (Praia do Futuro). Dedos cruzados.

    A sexta noite do Festival de Gramado 2017, cuja premiação será realizada no próximo sábado, contou, ainda, pela competitiva internacional, com a exibição do longa-metragem uruguaio El Sereno.

     

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