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    Elsa má?! Frozen poderia ter tido um final bem diferente
    Por Vitória Pratini — 1 de abr. de 2017 às 10:53
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    Produtor detalha os planos originais da Disney - e eles eram bem diferentes do que você viu na tela.

    Frozen - Uma Aventura Congelante é uma das animações mais bem-sucecidas de todos os tempos. Bateu recordes de bilheterias, levou para casa duas estatuetas do Oscar (de Melhor Animação e Melhor Canção Original) e ainda deixou todo mundo cantando "Let it Go" por muitos meses.

    Mas, acredite, o final do filme – bastante girl power, mostrando que o amor verdadeiro também pode ser aquele entre duas irmãs, algo que contribuiu para o seu sucesso – poderia ter sido bem diferente. O produtor Peter Del Vecho, em entrevista ao Entertainment Weekly, explicou o final alternativo e detalhou como a caracterização de Elsa mudou durante a criação do roteiro.

    Como poderia ter sido


    Originalmente, Elsa e Anna não eram irmãs, nem mesmo eram da realeza (então, Anna não era uma princesa). Elsa se auto-proclamara Rainha do Gelo e era uma vilã muito maldosa – mais ou menos como no conto original de Hans Christian Andersen.

    Frozen passou por diversas mudanças mas aqui estão alguns elementos comuns nos primeiros esboços do roteiro:

    A animação abriria com uma profecia que dizia que "um governante com um coração de gelo traria destruição para o reino de Arendelle".

    Então, conheceríamos Anna, nossa heroína inocente e de coração puro, e Elsa, uma Rainha do Gelo desprezada que foi deixada no altar e congelou o próprio coração para nunca amar novamente. Assim, tanto Elsa quando os espectadores assumem que ela seja a vilã da profecia.

    No ato final, Elsa criaria um exército de monstros da neve para atacar os heróis, enquanto Kristoff tem um "momento Han Solo" e chega para ajudar Anna. Para parar o ataque do exército de Elsa, o (duvidoso e 'duas caras') Príncipe Hans desencadeia uma enorme avalanche, não se importando que isso coloque Anna, Elsa e toda Arendelle em perigo. Anna percebe que Elsa é a única esperança deles, então a convence a usar seus poderes para salvar o reino. A reviravolta é que a profecia do início não é de fato sobre Elsa, mas sobre Hans - ele é que tem, metaforicamente, um coração congelado porque é um sociopata insensível. O coração de Elsa, então, é descongelado permitindo que ela ame novamente.

    O que os fez mudar de ideia


    Essa versão não era boa o suficiente para os criadores de Frozen: "O problema é que sentimos como se tivéssemos visto isso antes", afirmou Del Vecho. "Não foi satisfatório. Não tínhamos nenhuma conexão emocional com Elsa - não nos importávamos com ela porque ela tinha passado o filme todo sendo a vilã. Isso não nos atraiu. Não conseguíamos nos identificar com os personagens."

    Então, os diretores Chris Buck e Jennifer Lee, que também cuidou do roteiro, começaram a se perguntar se Elsa tinha mesmo que ser vilã e imaginaram como seria se Elsa e Anna fossem irmãs.

    "Torná-las parentes nos levou à ideia de que ela vivia com medo de seus poderes", explicou Del Vecho. "E se ela tem medo de quem ela é? E tem medo de machucar quem ela ama? Agora nós tínhamos um personagem em Anna que era toda sobre o amor e Elsa que era toda sobre o medo. Isso levou Elsa a ter um caráter mais simpatizante em termos dimensionais, e em vez do tema tradicional do bem versus o mal, tivemos um que nos pareceu mais identificável: amor versus medo, e a premissa do filme se tornou que o amor é mais forte do que o medo."

    A partir daí, os diretores investiram na ideia das irmãs, chamando, inclusive, funcionários da Disney para contar experiências familiares a fim de criar ideias para que o público se identificasse com o relacionamento entre Anna e Elsa. Então, surgiu a premissa de que nem sempre um beijo do amor verdadeiro é o que salva o dia:

    "Uma das coisas que Chris Buck tinha na maioria das versões do filme foi um momento em que o coração de Anna estava congelado e precisava ser descongelado. Chris disse 'Será que sempre precisa ser o beijo do amor verdadeiro que resolve esse problema? Será que sempre tem que ser o homem que vem e resgata a mulher? Poderia ser algo diferente?' e isso levou a um final diferente. Agora que elas são parentes, Elsa tinha seu próprio medo e seria Anna que salvaria o dia em vez de Elsa, resgatando sua irmã – e seria esse ato altruísta que descongelou o coração de Elsa. Uma vez que aterrissamos nessa ideia de um final, [o chefe de animação da Disney] Ed Catmull ligou para Jen Lee e disse: 'Se você conseguir fazer com que o final seja recompensado e se pudermos realmente sentir, acho que teremos um filme de sucesso. E se não conseguir... nós não teremos nada'. Então isso realmente colocou a pressão sobre ela para fazer isso funcionar."

    Tornando o final mais emocionante


    O principal desafio era fazer o público passar por um turbilhão de emoções e uma progressão de expectativas durante a cena de ação final. Primeiro, o espectador tem que sentir que Hans poderia ser o heró, então tem que achar que Kristoff pode ser a resposta. Só em último caso que o público deveria perceber que Anna salvar Elsa é a solução. Mas como fazer isso de modo que faça sentido visualmente?

    "Nós não conseguimos descobrir um caminho, logisticamente, para encená-lo. É fácil depois que você sabe qual é", disse Del Vecho. Felizmente, o artista de storyboard John Ripa deu uma ideia que os ajudou a desvendar o final visualmente. "O que ele mostrou foi que as emoções de Elsa criaram uma nevasca branca", continuou o produtor. "Isso nos permitiu isolar Hans e Elsa de Anna procurando Kristoff através da névoa. Dessa forma, pudemos revelar Kristoff momentos antes de revelar Elsa para Anna, e permitiu o timing que precisávamos. Quando ele lançou aquele final, [o diretor criativo da Disney] John Lasseter, os diretores e toda a equipe de história se levantaram e lhe aplaudiram de pé".

    Pelo jeito, o desfecho agradou também o público, tanto que Frozen 2 já foi confirmado e está em produção.

     

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