"Nunca mais me convidem": Clint Eastwood boicotou o Oscar por 20 anos – eis o motivo!

Em 1993, Clint Eastwood ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Diretor por Os Imperdoáveis. Antes disso, no entanto, ele ficou longe da premiação de cinema mais importante por duas décadas. Você descobre os motivos dele aqui!

Por Marco Rigobelli

Como já observamos em outro artigo, Richard Gere foi banido do Oscar e não pôde comparecer à cerimônia por 20 anos. Clint Eastwood também se manteve afastado daquele que é, indiscutivelmente, o prêmio de cinema mais importante do mundo por duas décadas inteiras – mas de forma totalmente voluntária!

Faz mais de 70 (!) anos que Eastwood apareceu pela primeira vez em frente às câmeras. Na década de 1960, ele teve seu grande avanço como ator graças à lendária Trilogia dos Dólares de Sergio Leone, antes de iniciar uma carreira de diretor igualmente bem-sucedida no início dos anos 1970 com o suspense psicológico Perversa Paixão.

Mas demoraria até o ano de 1993 para que o astro, hoje com 96 anos, segurasse seu primeiro Oscar nas mãos – como diretor do faroeste tardio Os Imperdoáveis, que também arrebatou outras três estatuetas de ouro, incluindo a de Melhor Filme. Em 2005, ele conseguiu repetir essa façanha com o drama esportivo Menina de Ouro: mais uma vez, um filme dirigido por Eastwood saiu como o grande vencedor da cerimônia do Oscar com quatro vitórias (aqui também, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor).

Um improviso de emergência e um roteiro ruim

Mas, até lá, a lenda viva de Hollywood tinha uma relação um tanto quanto dividida com a Academia – que ignorou assiduamente a ele e a seus filmes durante várias décadas. Em 1973, ele compareceu à cerimônia do Oscar pela última vez (até então), quando foi convidado a entregar o prêmio de Melhor Filme (que, aliás, foi para O Poderoso Chefão naquele ano!) – como substituto de Charlton Heston, que estava preso no trânsito. Mais tarde, Eastwood relembrou a noite da seguinte forma (via Cinephilia And Beyond):

"[O roteirista] Howard Koch disse: 'Aqui está o roteiro'. Era uma paródia de Moisés, Os Dez Mandamentos [Nota: Heston interpretou o papel principal do referido profeta no épico de mesmo nome], 'Não farás isso, não farás aquilo', mas tudo relacionado a filmes. Um material ruim, mesmo para Moisés. Eu disse: 'Isso é uma piada. Nunca mais me convidem.' [Koch me perguntou] 'Você volta se for indicado?' – 'Sim, eu volto'. E Koch disse: 'Então não preciso me preocupar'".

Warner Bros. Pictures

A propósito, Eastwood decidiu não usar as falas que obviamente não eram destinadas a ele – o que ele disse em vez disso, você pode conferir na íntegra no vídeo da cerimônia:

Eastwood cumpriu sua promessa. Apenas dois de seus filmes foram indicados ao Oscar nos 20 anos seguintes, embora nenhuma das indicações tenha ido para o próprio astro de Perseguidor Implacável: por Josey Wales, o Fora da Lei (1976), o compositor Jerry Fielding pôde ter esperanças de levar uma das cobiçadas estatuetas douradas, enquanto Bird (1988) até chegou a levar um Oscar para casa – mas apenas na categoria secundária de Melhor Som. Eastwood não estava na plateia em nenhum dos casos.

A volta por cima (com um gosto doce e amargo)

Foram apenas as indicações por Os Imperdoáveis que o levaram a superar a própria relutância – embora uma pequena derrota estivesse escondida até mesmo naquele que era seu maior triunfo até então: pela sua atuação na obra-prima do faroeste, Eastwood também recebeu sua primeira indicação ao Oscar como ator – mas acabou perdendo para Al Pacino (Perfume de Mulher)! Por Menina de Ouro, Clint Eastwood foi mais uma vez indicado como Melhor Ator, mas levou a pior contra Jamie Foxx, que foi premiado por "Ray".

Marco Rigobelli
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.
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