Após sete filmes e mais de uma década dando voz aos Minions, Pierre Coffin continua sendo a única pessoa capaz de falar com naturalidade o peculiar idioma das criaturas amarelas da Illumination. E o curioso é que nem ele mesmo consegue imitá-lo quando lhe pedem fora do estúdio.
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Uma mistura de tudo um pouco
O diretor e criador do chamado "minionês" revelou que as vozes que todos conhecemos são o resultado de um processo muito mais complexo do que parece, e explica como uma simples fala incompreensível improvisada acabou se tornando um dos idiomas fictícios mais icônicos do cinema de animação.
Devido à estreia de Minions & Monstros, Coffin reconheceu à revista Variety que é comum as pessoas lhe pedirem para imitar a voz de seus personagens, mas esclarece que não consegue fazer isso de imediato. "Se me pedissem para fazer a voz dos Minions agora mesmo, eu simplesmente não conseguiria", admite. O motivo é que seus diálogos são gravados em câmera lenta e, depois, a frequência é aumentada em seis semitons por meio de um programa de edição, fazendo com que o resultado final seja muito diferente de sua voz real.
Quando filmaram Meu Malvado Favorito, não estava claro como os Minions deveriam soar. Na verdade, enquanto esperavam encontrar a voz definitiva, Coffin gravou uma versão provisória, improvisando palavras sem sentido. "Eu não sabia muito bem o que dizer, então balbuciei incoerências... acho que disse panqueca e panna cotta", lembra. E parece que, no momento em que o produtor Chris Meledandri ouviu aquele teste, pediu para que ele mesmo fizesse as vozes oficiais.
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A construção do minionês
A partir do segundo filme, Coffin começou a construir uma linguagem própria, misturando palavras de diferentes idiomas. O minionês inclui expressões em espanhol, italiano, francês, japonês, coreano, alemão, híndi e indonésio. Seu objetivo era que o público não entendesse literalmente o que os personagens dizem, mas que conseguisse captar suas emoções. "Acho que há algo mágico no fato de você não os entender e, ao mesmo tempo, compreendê-los", explica.
Para Coffin, o significado de cada palavra é o de menos. Embora gravar todas as vozes tenha acabado por esgotá-lo — a ponto de ele abandonar temporariamente a direção da saga —, o profissional não cogita deixar o idioma nas mãos de outra pessoa.
"A razão pela qual resisto a passá-lo para outra pessoa é que... quando eu ouço, sinto que não se encaixa, que a linguagem está errada", afirma. Para ele, existe uma conexão especial entre a sua forma de interpretar o minionês e a animação dos personagens, uma combinação que considera impossível de replicar. E essa identidade única é, sem dúvida, parte da fórmula do sucesso.