Steven Spielberg explica o final de Dia D e por que a última frase é tão ambígua: "Tinha uma mensagem"
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O diretor volta a explorar a vida alienígena para transmitir uma mensagem que diz respeito à humanidade.

Vários anos depois, Steven Spielberg decide retornar a um dos gêneros que o tornaram uma referência mundial, a ficção científica, e faz isso concentrando-se novamente no contato com a vida alienígena. Como costumava acontecer nessas outras ocasiões, Dia D tornou-se uma oportunidade para o diretor falar sobre o que concerne à humanidade por meio do elemento extraterrestre.

Aviso: A partir daqui, o texto contém spoilers de Dia D.

Nesta produção, acompanhamos uma série de personagens, entre eles os interpretados pelos protagonistas Emily Blunt e Josh O’Connor, fazendo o possível para compartilhar com o resto do mundo a evidência de que não apenas existe vida além do planeta Terra, mas que ela veio nos visitar — e que as provas foram devidamente ocultadas. Para isso, eles precisam enfrentar a oposição do governo e de uma empresa contratada para manter todas essas evidências sob custódia.

Spielberg termina Dia D com mistério

Dia D
Dia D
Data de lançamento 10 de junho de 2026 | 2h 25min
Criador(es): Steven Spielberg
Com Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth
Usuários
2,7
Adorocinema
4,5
Ver sessões (305)

Aqui encontramos Spielberg não apenas fazendo um apelo para lutar para que a verdade seja conhecida, mas também para encontrar uma maneira de comunicá-la às pessoas para que elas realmente se unam em torno dela.

"Tinha uma mensagem. Comecei com algo que eu queria dizer", explica o próprio Spielberg à Entertainment Weekly ao detalhar o que pretendia contar desta vez em seu aguardado retorno ao gênero. Uma obra que termina com uma frase muito específica, mas extremamente ambígua para muitos.

Assim que o objetivo de revelar os documentos classificados é alcançado, chegando inclusive a mostrar alienígenas com quem os personagens de O’Connor e Blunt têm a habilidade de se comunicar, eles tentam ser o vetor de comunicação para que os extraterrestres possam se expressar. Mas, em vez de entregar uma mensagem mais completa que revele suas intenções para com a Terra, o filme corta exatamente quando Blunt pronuncia a palavra: “Escutem”.

Amblin Entertainment / Universal Pictures

Estar preparado para escutar

"Estava lá no meu primeiro rascunho. Parecia certo". Assim o roteirista David Koepp detalha a decisão de encerrar o filme de forma tão abrupta, sem dar ao espectador a oportunidade de ver resolvidas muitas questões sobre os aliens no planeta.

No entanto, as questões com as quais Dia D lida concentram-se mais na necessidade de propagar a mensagem, e não na mensagem em si: "A pergunta era: ‘A notícia se espalhou?’. E foi aí que pensamos que estava o limite".

Longe de ser um capricho, esse tipo de apelo para escutar consolida o exercício de empatia radical que Spielberg busca em um mundo que ele percebe como profundamente dividido e egocêntrico. Um mundo onde nem mesmo a ameaça de uma possível guerra mundial — como visto nos telejornais sobre um provável ataque da Coreia do Norte — ou mesmo a religião consegue ser capaz de gerar uma união como espécie que se faz necessária.

Universal Pictures / Amblin Entertainment

Para Josh O’Connor, a essência do filme é bastante clara: "Olá, isso aqui vai ser sobre comunicação, saber escutar e participação". Embora muitos gostassem de ver a mensagem alienígena completa, para Blunt apenas a palavra escutar já é suficiente como mensagem: "Em muitos aspectos, o que foi revelado ao mundo no final é o bastante para que você faça o que eu estou dizendo para fazer no final". A questão, então, se volta contra o espectador e se ele se sente preparado para escutar.

Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).
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