De volta à Grécia Antiga: Compositor de A Odisseia almeja o Oscar com uma trilha sonora feita com instrumentos de séculos atrás
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Se o filme corresponder às expectativas, sua trilha sonora poderá se tornar uma de suas armas mais fortes na temporada de premiações.

Nenhum grande filme seria o mesmo sem sua música. Imaginar Star Wars sem a Marcha Imperial é quase como um filme sem alma. O Rei Leão sem seus coros perderia toda a sua essência. Jurassic Park sem John Williams não teria a mesma abertura majestosa. Duna sem os sons arrebatadores de Hans Zimmer simplesmente flutuaria no deserto.

A trilha sonora não apenas acompanha um filme; muitas vezes, ela o impulsiona, transformando-o em uma memória duradoura que permanece mesmo depois de esquecermos alguns diálogos. Christopher Nolan sabe disso melhor do que ninguém. Seus filmes usam a música como um motor emocional, e tudo indica que A Odisseia, seu novo épico estrelado por Matt Damon, já está na disputa pelo Oscar antes mesmo de seu lançamento.

Ludwig Göransson retorna à Grécia Antiga

O compositor encarregado da trilha sonora de A Odisseia é Ludwig Göransson, que já havia trabalhado com Nolan em Tenet e Oppenheimer. Seu retorno não é totalmente surpreendente: após o impacto de seu trabalho no filme de 2023, parecia lógico que Nolan quisesse retornar a esse nível de intensidade sonora. O interessante é que, desta vez, o desafio está em outro lugar.

Warner Bros.

Segundo o compositor, Nolan tinha uma ideia muito clara desde o início: ele não queria que A Odisseia soasse como um típico filme épico de espadas, coros solenes e gigantescos instrumentos de sopro. Seu raciocínio é bastante simples: na Grécia Antiga, não existia orquestra como a entendemos hoje. Então, em vez de adornar a história com música moderna disfarçada de antiga, ele pediu a Göransson que encontrasse um som mais próximo do mundo de Odisseu.

Isso levou o compositor a pesquisar instrumentos associados à Idade do Bronze e à tradição da Grécia Antiga. Entre eles estão o aulo, um instrumento de sopro com som penetrante; a lira, imediatamente ligada à imagem clássica do poeta e da canção; e uma série de gongos de bronze concebidos para dar peso físico ao universo do filme.

Uma epopeia sem a música épica habitual

A decisão faz todo o sentido quando se considera a abordagem habitual de Nolan. Seus filmes não têm como objetivo soar como um blockbuster comum. Em Dunkirk, a música era usada como fonte de pressão, como se o tempo estivesse esmagando você. Em Tenet, o som se tornou mais uma peça do quebra-cabeça. A trilha sonora de Oppenheimer parecia transitar entre ciência, culpa e uma explosão iminente. Em A Odisseia, a abordagem parece ainda mais primitiva.

A Odisseia
A Odisseia
Criador(es): Christopher Nolan
Com Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway
Data de lançamento 16 de julho de 2026

Göransson não se limitou a pegar instrumentos antigos e misturá-los. A ideia era fazê-los soar de maneiras inesperadas, combiná-los com texturas modernas e brincar com os metais como material sonoro. Se isso funcionar na tela, pode ser um daqueles detalhes que desafiam a explicação, mas são sentidos, e talvez até ganhe um Oscar.

Ainda não vimos o filme completo, mas é impossível não pensar em prêmios quando Nolan, Göransson e uma escolha musical tão específica se unem. A Academia costuma levar em consideração quando uma trilha sonora não apenas acompanha as imagens, mas também define a identidade de um filme. E aqui, tudo parece apontar para isso: uma epopeia antiga que não quer soar como as epopeias do passado.

Ana Pilato
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.
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