Entre as excelentes sequências de abertura do cinema, muitas vezes nos esquecemos dos fantásticos primeiros 15 minutos de Assassino a Preço Fixo, um thriller de 1972 dirigido por Michael Winner e estrelado por Charles Bronson, com Jill Ireland, Keenan Wynn e Jan-Michael Vincent no elenco.
Um assassino à solta na abertura de Assassino a Preço Fixo
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Um homem (Bronson) sai de um carro carregando uma mala. Ele caminha tranquilamente pela rua e entra em um hotel. Sem dizer uma palavra, ele contorna a recepção, sobe as escadas e chega a um quarto decadente com uma janela com vista para a rua. Ele abre sua mala, que contém o equipamento para uma câmera com lente de longo alcance.
Ele fotografa um apartamento do outro lado da rua. Enquanto ouve música clássica, observa atentamente as fotos, que prende em uma das paredes do seu quarto.
O homem entrou discretamente no apartamento do outro lado do corredor, mexeu no fogão, trocou alguns saquinhos de chá por outros que havia trazido e colocou explosivo dentro de um livro, que depois colocou cuidadosamente de volta na estante, de frente para a janela do seu quarto de hotel. Ele saiu e voltou para o quarto para observar com binóculos.
Quando um apartamento explode
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Quando vê um homem – cuja fotografia está pendurada em seu quarto – entrar no apartamento, ele observa pacientemente. Assim que o homem do outro lado do corredor adormece após tomar chá, Bronson prepara um rifle de precisão, monta-o em um tripé e atira com precisão no livro. Ocorre uma explosão (amplificada pelo que Bronson havia instalado no fogão) e o apartamento é vaporizado.
Corte para a câmera. Reticências: Bronson está em casa, queimando as provas. O telefone toca, ele atende: descobrimos que o nome do personagem é Arthur e que ele precisa ajudar alguém chamado Harry. Após 15 minutos de filme, essa é a primeira palavra dita desde o início.
15 minutos de silêncio: melhor que Leone!
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Enquanto Sergio Leone já havia oferecido uma abertura silenciosa de 12 minutos em Era Uma Vez no Oeste quatro anos antes, também com Charles Bronson no elenco, Michael Winner vai um pouco além com essa meticulosa premeditação de um assassinato.
Na época, dois anos antes de se tornar o protagonista de Desejo de Matar, Bronson já tinha a imagem de um cara durão, após filmes como Visitantes na Noite e Cidade Violenta. Seu público, acostumado a esse tipo de filme, pode ter se surpreendido ao descobrir essa longa sequência silenciosa em Assassino a Preço Fixo, que se desenrola lentamente e carece de qualquer ação real para dar ritmo à narrativa.
O filme apresenta com perfeição a personagem de Arthur Bishop, um assassino perfeccionista com um modus operandi meticulosamente planejado, baseado nas observações pacientes que faz antes da execução. O filme é ainda mais eficaz ao estabelecer esse retrato na introdução, visto que esses métodos irão, mais tarde, entrar em conflito com os do jovem recruta interpretado por Jan-Michael Vincent.
Em 2023, uma cena semelhante abriu o filme O Assassino, de David Fincher, com a grande diferença de que o espectador ouvirá o monólogo interno do assassino, interpretado por Michael Fassbender, durante 20 minutos, até o momento em que ele comete seu primeiro assassinato em cena. Como costuma acontecer nos filmes de Fincher, o objetivo é compreender as motivações ou o processo de pensamento do assassino, e que melhor maneira de fazer isso do que entrando na sua psique?
Em Assassino a Preço Fixo, apenas o método do assassino profissional fala por si, quase como se fosse sua única razão para viver. Nessa cena de abertura, Arthur Bishop não passa de um instrumento de morte sem alma. Nascido para matar. Um começo brilhante para um filme um tanto esquecido hoje em dia.