Morreu nesta quinta-feira (16), aos 83 anos, Renato Machado, um dos nomes mais conhecidos da história do telejornalismo brasileiro. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, e a causa da morte não foi divulgada. O jornalista deixa a esposa, Mônica Morel, uma filha, a atriz Maria Eduarda Machado, e uma neta.
Renato construiu uma carreira de mais de quatro décadas na TV Globo e se tornou referência especialmente pela atuação como apresentador do Bom Dia Brasil. Ele também passou pelo Jornal da Globo, RJTV e Jornal Nacional, além de atuar como correspondente internacional e repórter especial em programas como Fantástico e Globo Repórter.
A trajetória de Renato Machado na TV
Renato Machado nasceu no Rio de Janeiro, em 1943, e cresceu em meio ao ambiente cultural da cidade. Formou-se em Direito pela PUC-Rio e chegou a ser aprovado no concurso do Itamaraty, mas não seguiu adiante na carreira diplomática após boicotar o exame de vista, já que sua intenção era atuar como correspondente internacional.
Antes de se consolidar como um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro, trabalhou como ator, dublador de cinema e também atuou na imprensa escrita. Sua carreira no jornalismo começou em 1969, como repórter do Jornal do Brasil.
Em 1982, foi contratado pela TV Globo e rapidamente conquistou espaço na emissora. Com experiência em assuntos internacionais e fluência em inglês e francês, participou de coberturas de grande repercussão, como a Guerra das Malvinas, no mesmo ano em que chegou à casa.
TV Globo
Ao longo dos anos, se especializou em coberturas externas e atuou como correspondente internacional, baseado em Londres e em outras praças, acompanhando eleições, negociações políticas e econômicas, crises e tragédias ao redor do mundo, como o acidente na usina nuclear de Chernobyl e atentados terroristas em Paris na década de 1980.
Em 1991, após uma breve passagem pela Rede Manchete, retornou à Globo como repórter especial, atuando em coberturas de eventos na América Latina e de fatos como o impeachment de Fernando Collor e a morte de Ayrton Senna.
Em 1996, Renato assumiu o Bom Dia Brasil como apresentador e editor-chefe, e promoveu uma reformulação que aproximou o programa de um formato de revista, com mais interação e espaço para colunistas, análises e temas de cultura, música e gastronomia. À frente do telejornal até 2010, dividiu a bancada com nomes como Renata Vasconcellos e Leilane Neubarth e imprimiu um estilo elegante, preciso e bem-humorado às manhãs da TV Globo.
“A gente foi buscando a maneira de se integrar, a maneira de olhar, a maneira de conversar às vezes com o telespectador [...] O cenário ganhou um pouco mais de espaço, houve muitas caminhadas; mais entradas de repórteres e comentaristas ao vivo, nossa busca foi de achar uma identidade própria”, afirmou Renato ao site Memória Globo.
Em setembro de 2011, retomou o posto de correspondente da Globo em Londres, onde cobriu acontecimentos marcantes como os ataques ao jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, os 95 anos de Nelson Mandela e a crise econômica na Grécia. Em 2016, passou a importante função na capital britânica para a repórter Cecília Malan.
Após esse período, passou a fazer reportagens especiais, especialmente ligadas ao universo dos vinhos, sua grande paixão. Em novembro de 2021, deixou a Globo.