Há 3 anos, o fenômeno Godzilla: Minus One conquistou o mundo inteiro, arrecadando 113 milhões de dólares em receitas mundiais com um pequeno orçamento de 15 milhões! O diretor Takashi Yamazaki e suas equipes também conseguiram o feito de levar o Oscar de melhores efeitos especiais, passando à frente da Marvel (Guardiões da Galáxia Vol. 3) ou de Tom Cruise (Missão Impossível Acerto de Contas).
Takashi Yamazaki foi o primeiro diretor a receber este prêmio desde Stanley Kubrick em 1968 por 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Esta performance é ainda mais notável, pois o orçamento de Minus One é mais de 10 vezes inferior ao das versões americanas recentes do monstro Godzilla. O filme de 2014, dirigido por Gareth Edwards, custou 160 milhões de dólares. Por sua vez, Godzilla VS Kong, reivindicava um orçamento monstruoso de 200 milhões de dólares.
Retorno às origens em Godzilla: Minus One
Após as últimas obras de Hollywood a apresentar o famoso monstro, a franquia retorna às suas origens, o que é bom! De fato, o longa-metragem é produzido pela Toho, o estúdio japonês histórico que criou o primeiro filme Godzilla em 1954 (dirigido por Ishiro Honda).
Assim, a trama não se passa nos dias de hoje, mas nos leva ao final da Segunda Guerra Mundial. O Japão mal se recupera deste conflito armado quando um perigo gigantesco surge na costa de Tóquio. Koichi, um piloto kamikaze desertor traumatizado pelo seu primeiro confronto com Godzilla, vê ali a oportunidade de se redimir por sua conduta durante a guerra.
Toho
Assim simplificada, a narrativa vai direto ao ponto, revelando sua criatura com parcimônia, à maneira de Tubarão, para tornar a ameaça ainda mais impactante. Cada vez que o Kaiju aparece, ele é ainda mais poderoso e furioso, aumentando a tensão até o clímax final. É de notar que a direção foi confiada ao realizador japonês Takashi Yamazaki, a quem devemos, em particular, o excelente filme de animação Lupin III: O Primeiro em 2019.
O cineasta retoma um tema já abordado em 2015 em O Último Assalto, o dos kamikazes. O personagem principal de Godzilla: Minus One é um desses soldados destinados a cometer suicídio em combate. Consumido pela culpa de ter falhado na sua missão, ele se entrega de corpo e alma à luta contra o Titã destrutivo.
Apesar do seu orçamento limitado de apenas 15 milhões de dólares, Godzilla: Minus One nos oferece efeitos visuais impressionantes. O design da criatura, uma mistura entre um dragão e um tiranossauro, é de uma beleza de tirar o fôlego. As cenas de destruição são de uma engenhosidade notável para um orçamento tão pequeno. Uma verdadeira façanha por parte da equipe do filme.
Digno de Jurassic Park
A título de exemplo, a sequência de abertura com o primeiro ataque de Godzilla, é de uma intensidade surpreendente. Takashi Yamazaki consegue nos fazer sentir o mesmo terror sentido na primeira vez que encontramos o T-Rex em Jurassic Park, de Steven Spielberg.
Toho
De fato, em certos aspectos, particularmente na direção e iluminação, a cena lembra aquela passagem icônica da obra-prima de Spielberg. O filme também oferece sequências aéreas de tirar o fôlego e momentos épicos em alto-mar. É um deleite visual, e o ritmo acelerado do filme nos mantém cativados do início ao fim.
Se o trabalho nos efeitos especiais deve ser elogiado, o trabalho nos outros aspectos criativos também o deve ser. Da cenografia aos figurinos, passando pela direção de arte, a reconstituição histórica do final da década de 1940 é surpreendente. Nada é deixado ao acaso nesta produção repleta de boas ideias e descobertas, deixando o espectador colado à sua cadeira.
Além disso, os atores são todos fabulosos, especialmente Ryûnosuke Kamiki, intérprete do herói, Koichi. Com 32 anos, o artista é uma estrela em ascensão do cinema japonês. Graças a uma criatividade fora do comum, Godzilla: Minus One consegue nos fazer esquecer o seu orçamento limitado e entrega um dos filmes de monstros mais espetaculares dos últimos anos!