É um dos melhores suspenses dos últimos 10 anos: O que devemos entender do final de Sede Assassina, com Shailene Woodley?
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Disponível no streaming, propomos um foco no final deste thriller febril, muito mais pertinente do que parece!

Lançado em 2023, Sede Assassina é um thriller de intensidade febril, estrelado por uma dupla sólida: Shailene Woodley e Ben Mendelsohn. Dirigido por Damián Szifron (Relatos Selvagens), o filme foi muito bem recebido pela crítica e pelo público, mas infelizmente não teve um sucesso muito grande nas bilheterias.

Sede Assassina
Sede Assassina
Data de lançamento 22 de junho de 2023 | 1h 59min
Criador(es): Damián Szifron
Com Shailene Woodley, Ben Mendelsohn, Jovan Adepo
Usuários
3,6
Assista agora no Prime Video

No entanto, esta narrativa é conduzida com maestria e não fica devendo nada aos clássicos do gênero, como O Silêncio dos Inocentes, Os Suspeitos ou Seven: Os Sete Crimes Capitais, com os quais compartilha alguns aspectos (relação mentor-aluno, atmosfera sombria e crepuscular, um final chocante...).

Uma investigação cativante

Sede Assassina acompanha Eleanor Falco (Shailene Woodley), uma policial de Baltimore com um passado atormentado e marcada por problemas de dependência. Ela é recrutada por uma equipe de agentes do FBI para ajudar a rastrear um atirador de elite responsável pelo assassinato de vários participantes de festas de Ano Novo.

Eleanor trabalha em estreita colaboração com o investigador principal do caso, o Agente Lammark (Ben Mendelsohn), mas a caçada é dificultada por inúmeros obstáculos, incluindo pressões políticas, interferências burocráticas, má comunicação entre os serviços, bem como fanáticos por armas que procuram explorar os assassinatos em benefício próprio.

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A polícia local, enquanto isso, se concentra em um adolescente com atividade suspeita na internet, apesar das objeções de Lammark. O jovem não apenas é inocente, mas a batida policial leva ao seu suicídio.

Tudo isso culmina em um novo massacre em um shopping center, causando mais várias mortes. Após este drama, Lammark é demitido e Eleanor é suspensa. É somente após serem afastados que a dupla consegue finalmente chegar ao verdadeiro assassino.

Um desfecho chocante

No final, graças a provas forenses, técnicas de perfilamento e interrogatórios, Eleanor e Lammark começam a suspeitar de um certo Dean Possey, interpretado por um aterrorizante Ralph Ineson. Eles vão até a casa de sua mãe, mas a Sra. Possey (Rosemary Dunsmore) afirma não o ver há anos.

Eleanor então nota um galpão atrás da casa e percebe que a Sra. Possey está mentindo. Dean está postado no galpão, com sua arma apontada para Lammark. Este último é baleado a sangue frio. Horrorizada, Eleanor pede à mãe de Dean que tente convencê-lo a sair, dando-lhe seu telefone e sua arma para mostrar que não representa nenhuma ameaça.

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É um erro monumental, pois a Sra. Possey, uma vez fora, vira a arma contra ela. Essa nova reviravolta neste final de intensidade louca eleva a tensão no espectador. Dean então aparece e entra na casa. Ele explica a Eleanor que seu desejo de matar não está ligado a uma agenda pessoal ou a qualquer ofensa, mas sim a uma desconfiança misantropa em relação à sociedade moderna.

Em seguida, ele pede a ela que o mate quando ele adormecer ao lado de sua falecida mãe. Mas a polícia chega e Dean entra em pânico. Ele força Eleanor a se refugiar no subsolo do galpão, onde ele colocou bombas. Quando os policiais cercam o local, ele aciona uma explosão. No caos, Eleanor consegue escapar e Dean se embrenha na floresta, onde é baleado pela polícia.

Comprar o silêncio

A cena final mostra Eleanor diante do prefeito. Um cargo no FBI lhe é oferecido em troca de seu silêncio sobre a forma como o caso foi conduzido. Ela aceita ser reconduzida para dentro de uma máquina que criticava, sob a condição de que Lammark seja homenageado e sua pensão seja revertida para seu marido.

Pouco antes dos créditos, Eleanor se dirige para a sede do FBI enquanto a voz over de Lammark ressoa: "Se pegarmos este cara, tudo isso será apagado e poderemos finalmente fazer o trabalho para o qual fomos feitos".

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Este final ilustra perfeitamente o problema das instituições, como a polícia; esta última é prisioneira de um emaranhado de procedimentos, restrições administrativas e jogos de poder internos, a ponto de a própria eficácia da investigação ser comprometida, gerando consequências fatais.

Lammark é a demonstração perfeita, no papel deste policial experiente atolado em todas essas burocracias que o impedem de fazer seu trabalho corretamente. Eleanor, a jovem policial, tenta de todas as formas mudar as coisas, mas fatalmente acabará também por se conformar.

Um sistema bloqueado?

Finalmente, este desfecho é uma análise chocante e perspicaz sobre o sistema, que não procura nem reconhecer suas falhas nem se transformar. Este final nos diz que ele se contenta em mascarar seus fracassos, enquanto os poderosos reescrevem a história e compram o silêncio com promoções. Assim, aqueles que chegam ao poder raramente são aqueles que o exercem com responsabilidade ou eficácia.

"O poder é uma aposta na luta entre aqueles que o merecem e aqueles que o adoram. É um combate perpétuo. Não posso dizer que estamos ganhando por enquanto", dirá Lammark a Eleanor no filme, bem ciente dos problemas que eles precisam enfrentar, e que sem dúvida nunca serão resolvidos.

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Sede Assassina é muito mais do que um filme policial comum; é mais pertinente e inteligente do que parece, questionando verdadeiramente nossas instituições, apontando um dedo acusador para uma sociedade paradoxalmente misantropa, doente de sua burocracia e de seus jogos de poder.

Ao contrário de muitos suspenses do gênero, a conclusão, portanto, não termina em um triunfo claro e líquido, apesar da neutralização do assassino. Ela deixa o público questionar o custo humano e sistêmico deste tipo de investigação, enfatizando que a resolução de um caso não resolve necessariamente os problemas profundos que o geraram. Assim, ele se revela um dos melhores filmes policiais dos últimos 10 anos.

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