Quando se trata de padrinho do cinema zumbi moderno, não há duas respostas: George A. Romero. Com A Noite dos Mortos-Vivos, ele não só criou um clássico do terror de forte teor político, como estabeleceu o modelo para todo um gênero – que aperfeiçoou em sequências como O Despertar dos Mortos e Dia dos Mortos. Sem ele, The Walking Dead e tantas outras obras do gênero não seriam o que são. E Todo Mundo Quase Morto? Esse provavelmente nunca teria existido.
Edgar Wright prestou sua homenagem às obras de Romero com um tributo bem-humorado, lançando não apenas sua trilogia cult Cornetto (que permanece em alta até hoje), mas também criando seu próprio filme de zumbis com status cult – tão original e inovador que segue divertido quase 20 anos depois.
Com o segundo filme da trilogia, Chumbo Grosso, Wright migrou para o cinema de ação três anos após Todo Mundo Quase Morto. Já a conclusão da trilogia, Heróis de Ressaca, mergulhou no universo da ficção científica. Sempre a bordo: Simon Pegg e Nick Frost, uma dupla maravilhosamente incompatível que, junto com o diretor e roteirista Wright, conquistou os cinemas.
Até George A. Romero ficou impressionado!
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Wright, Pegg e Frost já eram sinônimo de comédia hilariante na época. O que diferencia Todo Mundo Quase Morto (e os outros filmes deles) da concorrência, porém, é que, mesmo se você tirar as muitas piadas geniais, ainda resta um filme emocionante e divertido – que, no caso do apocalipse zumbi, equilibra perfeitamente humor e horror.
Quem não captar as inúmeras referências – desde o lendário “They’re coming to get you, Barbara!” até a loja de eletrônicos com o nome do ator de Madrugada dos Mortos, Ken Foree – nunca vai sentir que perdeu algo. Claro, o filme é ainda mais prazeroso quando entendemos todas as camadas que o tornam brilhante, mas uma só já basta para se divertir.
Esse filme de terror foi lançado 56 anos atrás, mas criou uma regra que todos seguem até hojeO maior elogio a Todo Mundo Quase Morto veio do próprio pioneiro do cinema zumbi: George A. Romero ficou tão entusiasmado que logo convidou Edgar Wright e Simon Pegg para participações especiais em seu filme Terra dos Mortos, lançado um ano depois.
No longa, os dois aparecem como “zumbis de cabine telefônica”. Além disso, a declaração de amor de Wright ao gênero continua em diversas listas de “melhores”. A revista Time Out, por exemplo, recentemente o elegeu o terceiro melhor filme de zumbis de todos os tempos – e o melhor que não foi dirigido por Romero.
Por último, mas não menos importante, Todo Mundo Quase Morto também impressiona como um espetáculo sangrento, grotesco e divertido, sem qualquer restrição. Mesmo com classificação indicativa de 16 anos (adequada, dado seu tom descontraído), o filme é incrivelmente criativo, variado e inegavelmente visceral. Fãs de efeitos práticos certamente viram poucos massacres tão inventivos nos últimos 20 anos.
Conheça a história de Todo Mundo Quase Morto
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Shaun (Simon Pegg) trabalha como vendedor e divide uma casa com Ed (Nick Frost), seu melhor amigo, e Pete (Peter Serafinowicz). Sua rotina gira em torno do pub Winchester, mas Liz (Kate Ashfield), sua namorada, já cansou do lugar. Ela também reclama que Shaun não se desgruda de Ed, com suas piadas bobas e total falta de utilidade.
Para apaziguar a situação, Shaun marca um jantar com Liz em um restaurante chique, mas esquece de fazer a reserva. Irritada, ela termina com ele. Shaun, arrasado, passa a noite bebendo no Winchester ao lado de Ed, sem perceber que as pessoas ao seu redor estão se transformando em zumbis devido a um estranho fenômeno