Quando Ridley Scott dirige um filme, podemos esperar mundos visuais impressionantes. Além disso, o cineasta consegue romper com as convenções narrativas tradicionais com notável facilidade. Napoleão, por exemplo, não foi uma ode estrondosa ao imperador titular, mas sim uma paródia quase irônica do herói nacional francês. Mesmo o filme O Último Duelo, baseado em fatos reais, é apenas superficialmente um épico medieval clássico sobre cavaleiros estoicos em vastos campos de batalha.
Na realidade, Ridley tentou reimaginar Rashomon, de Akira Kurosawa, e inseriu-o no contexto dos debates do movimento #MeToo. Mas quando as espadas são desembainhadas, a coisa toda fica intensa!
Ainda não viu o filme com Matt Damon, Jodie Comer, Adam Driver e Ben Affleck? Então você pode fazer isso hoje à noite, no Disney+.
É sobre isto que trata O Último Duelo
20th Century Studios
França, século XIV: Marguerite de Carrouges (Comer) acusa Jacques Le Gris (Driver) de estupro. Seu marido, o cavaleiro Jean de Carroughes (Damon), leva a queixa a seu senhor, Pierre d'Alecon (Affleck). No entanto, Pierre tem fortes ligações com Le Gris e quer abafar o caso. Ele rejeita a acusação e declara que Marguerite apenas sonhou com o ocorrido.
Carrouges vê apenas uma chance e desafia Le Gris para um duelo até a morte. Segundo uma antiga tradição, embora já não praticada, este duelo decidirá a verdade. Pois acredita-se que Deus concederá a vitória àquele que disser a verdade. Ao fazê-lo, Carrouges arrisca não só a sua própria vida, mas também a da sua esposa. Caso perca, ela será queimada na fogueira por ter feito uma falsa acusação.
Ação de cavaleiros em disparada
Embora O Último Duelo, apesar de sua ambientação histórica, seja claramente uma crítica ao presente, a direção de Ridley Scott parece um tanto contida demais – e a culpa de Le Gris não deixa dúvidas. Isso, naturalmente, diminui o impacto da história. Mesmo assim, a epopeia medieval é fascinante. Os atores são excepcionais (especialmente Jodie Comer!) e a ação é tremenda.
O grand finale, centrado no último duelo oficial de cavaleiros da história francesa, é um que, devido à sua fisicalidade avassaladora, não será esquecido tão cedo!