Jon M. Chu celebra o início da turnê mundial de “Wicked: Parte II” no Brasil
Paulo Ernesto
Paulo Ernesto
-Redator
Crítico de cinema, roteirista e apresentador, Paulo une sua paixão por contar histórias com o amor por cultura pop. Já dirigiu curtas premiados e hoje produz conteúdos multiplataforma comentando cinema, séries e tudo que mexe com o coração cinéfilo.

Diretor revela os bastidores do segundo filme durante turnê mundial com a presença de Cynthia Erivo e Jonathan Bailey.

A turnê mundial de divulgação de Wicked: Parte II teve início no Brasil, com um evento realizado no Suhai Music Hall, em São Paulo, no dia 4 de novembro. O diretor Jon M. Chu, ao lado dos protagonistas Cynthia Erivo (Elphaba) e Jonathan Bailey (Fiyero), participaram da première que reuniu milhares de fãs e marcou o início da campanha global do filme, que ainda passará por Paris, Londres, Singapura e Nova York.

O evento contou com a apresentação de Larissa Manoela e Jeniffer Nascimento, e uma performance de Gloria Groove, que também conduziu o painel de conversa com o elenco e o diretor.

O AdoroCinema fez uma cobertura completa incluindo entrevistas no tapete amarelo e reações do público, disponíveis em nossas redes sociais.

Newell Todd / NBCUniversal

O impacto de “Wicked: Parte I”

No dia seguinte, durante uma coletiva exclusiva com jornalistas brasileiros e latino-americanos, Jon M. Chu falou sobre como a recepção do primeiro filme de Wicked influenciou diretamente a continuação. “Normalmente, tenho que mostrar meu filme para o estúdio 10 semanas após o fim das filmagens, mas pedi 15 para exibir os dois de uma vez. Queria que o estúdio entendesse as diferenças entre os dois e que nós da equipe também entendêssemos. Foi um inferno fazer isso, mas valeu a pena”, explicou.

Segundo o diretor, essa análise ajudou a construir uma segunda parte mais direta e emocional: “Se o público se importa tanto com essas personagens, não preciso de flashbacks, podemos apenas seguir em frente. Isso me deu muita liberdade criativa.”

A camada política e simbólica da sequência

Jon M. Chu explicou: “Se o primeiro filme era sobre ser quem você é, o segundo é um desafio. É sobre o que acontece quando damos poder a alguém, nossos instintos mais perigosos e nossos atos mais heróicos. Elphaba pode ser vista até como uma figura messiânica. No fim, ela entrega o livro e diz: ‘Agora é com vocês. Quem vocês vão escolher ser?’”

Para o diretor, o objetivo é provocar reflexão, e não oferecer respostas: “Espero que as pessoas saiam do filme com a sensação de que há uma escolha a ser feita. O cinema tem esse poder de questionar quem queremos ser.”

As novas músicas

Sobre as novas composições que integram a segunda parte, revelou que muitas surgiram do desejo de preencher lacunas emocionais: “Havia momentos em que eu me perguntava, o que ela realmente sente aqui? O que Elphaba deseja nos primeiros cinco minutos? Então pensei, vamos abrir com um momento de super-heroína, no topo do cânion, pronta para salvar os animais e revelar a verdade sobre o Mágico.”

O diretor elogiou o compositor Stephen Schwartz, responsável por algumas das novas faixas: “Ele me mandou mensagens de voz com ideias de canções. É um privilégio receber áudios com músicas do Stephen Schwartz”.

E completou: "Nos musicais, temos essa ferramenta incrível que nos permite sermos mais profundos. Nenhum outro gênero consegue isso, ouvir as palavras e a melodia do que se sente. Temos a possibilidade de levar o público o mais perto possível da alma dos personagens."

O amadurecimento da história e dos personagens

Para Jon M. Chu, Wicked: Parte II é o contraponto do primeiro filme: “Desde o início, concebemos tudo como uma grande jornada em dois filmes. O primeiro seguia a estrutura clássica de contos de fadas, e o segundo quebra tudo isso. É mais imprevisível. Na minha cabeça, o primeiro era sobre a coragem e o segundo é sobre as consequências dessa escolha. Ser corajoso não é fácil.”

Ele também destacou o desafio de equilibrar as relações entre Elphaba, Glinda e o Mágico: “Como fazer o público acreditar que ela se envolveria com ele de novo? Parte da resposta está em Glinda só ela poderia convencê-la. Não podia ser apenas sobre o Mágico, mas sobre trabalhar dentro do sistema. Às vezes, lutar não basta é preciso agir diferente.”

Em seguida, o diretor fez um paralelo entre o enredo e sua própria trajetória no cinema: “Essa é a mesma luta que eu tenho como cineasta. Às vezes me pergunto se deveria fazer filmes independentes, mais pessoais. Mas percebo que, ao trabalhar em larga escala, como em ‘Podres de Ricos’ e agora ‘Wicked’, há um poder enorme de tocar muita gente e provocar mudanças.”

Wicked: Parte II estreia nos cinemas brasileiros dia 20 de novembro de 2025.

facebook Tweet
Links relacionados