É uma das cenas de abertura mais brilhantes do cinema: Há 16 anos, não nos deixava respirar por 20 minutos
Bruno Botelho dos Santos
Bruno Botelho dos Santos
-Redator | crítico
Bruno é redator e crítico do AdoroCinema, que divide seu tempo na cultura pop entre tomar susto com os mais diversos filmes de terror, assistir os clássicos do cinema ou os grandes blockbusters e enaltecer o trabalho de David Lynch e Stanley Kubrick.

Em 2009, Quentin Tarantino nos presenteou com uma sequência que ficará gravada como um dos mais belos e tensos começos do cinema.

Quentin Tarantino é um dos mestres do diálogo, e seu talento para dialogar resultou, há 16 anos, em uma das cenas de abertura mais brilhantes e tensas da história do cinema. Durante 20 minutos, o cineasta prendeu a atenção do público com a abertura de Bastardos Inglórios (2009), que conta a história do início do tempestuoso relacionamento entre Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) e Hans Landa (Christoph Waltz).

Bastardos Inglórios
Bastardos Inglórios
Data de lançamento 9 de outubro de 2009 | 2h 33min
Criador(es): Quentin Tarantino
Com Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz
Usuários
4,6
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Bastardos Inglórios, uma comédia de humor negro ambientada na Segunda Guerra Mundial, estrelada por Brad Pitt, é considerado um dos destaques da filmografia do cineasta. A história acompanha vários personagens em uma missão para assassinar Hitler.

O filme foi um sucesso comercial e de crítica, arrecadando US$ 321,4 milhões em todo o mundo com um orçamento de US$ 70 milhões. A avaliação da imprensa especializada no Rotten Tomatoes é de 89%. Além disso, o próprio Tarantino chamou Bastardos Inglórios de sua "obra-prima". Um dos motivos para isso é sua cena de abertura.

Lançado há 16 anos, este filme estrelado por Brad Pitt contém "a melhor cena já escrita" por Tarantino

Da suavidade à tensão em Bastardos Inglórios

Universal Pictures

O filme começa com um belo cenário campestre francês, com uma atmosfera pacífica e rústica. Em uma casa, um homem corta lenha e uma mulher pendura roupa no varal, enquanto uma placa com a data 1941 aparece. A paz é quebrada quando, ao longe, um veículo do exército alemão nazista se aproxima. O homem ordena que as crianças entrem e fechem a porta. Em poucas cenas, Tarantino passa da gentileza à tensão.

Hans Landa se apresenta a Perrier LaPadite, interpretado por Denis Ménochet. Tudo é muito cordial, mas há uma expectativa preocupante: parece que tudo está prestes a explodir a qualquer momento. Durante a conversa entre os dois homens, descobrimos que a família de LaPadite – Léa Seydoux aparece no filme como uma das filhas de LaPadite – está escondendo judeus em seu porão. Se Hans Landa descobrir, será o fim para todos.

Universal Pictures

Com uma tomada vertical, descendo em direção ao chão, Tarantino mostra as pessoas escondidas sob a casa, prendendo a respiração. Shosanna é uma delas, e a única que consegue escapar da carnificina iminente.

O espectador sabe que tudo vai explodir, mas não sabe quando ou como, e isso deixa qualquer um grudado na cadeira. Por 20 minutos, Hans Landa interroga LaPadite. Por trás de sua aparência amigável, o alemão esconde uma personalidade manipuladora, fria e, acima de tudo, cruel. Sem dúvida, esta é uma abertura virtuosa para um filme de proezas de roteiro e direção.

Bastardos Inglórios rendeu a Waltz o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua interpretação de Hans Landa. Ele foi o único vencedor da noite, com o filme sendo indicado a oito estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Waltz transformou o soldado alemão em um personagem icônico, e Tarantino garantiu que a abertura do filme ficará para sempre gravada na memória do público.

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