Filmes de aventura e anos 80 são praticamente sinônimos. Naquela década vimos o lançamento de A Princesa Prometida, Os Goonies e Indiana Jones. As pessoas estavam sedentas por grandes experiências cinematográficas, e era isso que a indústria estava nos oferecendo. No final dos anos 90 e início dos anos 2000, o gênero começou a perder popularidade e, após o fracasso de A Ilha da Garganta Cortada em 1995, havia pouca vontade de tentar novamente. Mas a Disney tinha outros planos.
Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra (2003), longa-metragem inspirado em uma atração da Disneylândia, não tinha sucesso garantido, mas que acabou sendo o tiro de largada para uma das franquias mais lucrativas da história do cinema.
O filme custou à Disney US$ 140 milhões e arrecadou a impressionante quantia de US$ 654 milhões. A franquia, com seus cinco filmes, arrecadou US$ 4,5 bilhões. O resultado valeu o esforço de toda a equipe, que trabalhou até 16 horas por dia para concluir a edição e deixar o filme pronto a tempo da estreia. Não foi o único problema.
O primeiro diretor que recebeu o roteiro e poderia ter dirigido o filme foi Steven Spielberg. Ele considerou seriamente a ideia de ter atores como Bill Murray, Steve Martin ou Robin Williams. Mas as coisas não deram certo e o diretor escolhido para fazer o filme foi Gore Verbinsky. Como Gore relata em seu livro sobre a produção do filme, Bring Me That Horizon, ele viu nos piratas uma oportunidade de contar uma história sobre rebelião, sobrevivência e aventura, e resolveu assumir o projeto.
Gore Verbinsky dirigiu a comédia familiar Um Ratinho Encrenqueiro em 1997, que foi um sucesso comercial, e também o filme de terror O Chamado, o remake americano do japonês Ring - O Chamado, que recebeu críticas muito boas. Então, ele foi capaz de nos fazer rir, mas também de nos assustar. Em Piratas do Caribe, o diretor conseguiu combinar os dois estilos para fazer de seu primeiro filme de piratas uma obra divertida, extravagante e aterrorizante, sem perder um pingo de épico e drama nos momentos-chave.
Walt Disney Studios
O nascimento de Jack Sparrow
Vamos falar sobre o protagonista Capitão Jack Sparrow. Quando Stuart Beattie, autor de um dos primeiros rascunhos do roteiro do filme, estava escrevendo o personagem, ele tinha Hugh Jackman em mente. Sua versão do protagonista era, portanto, muito diferente do que ele se tornou. Nomes como Matthew McConaughey, Jim Carrey, Robert De Niro e Christopher Walken foram considerados para o papel.
Como todos sabemos, Johnny Depp acabou encarnando o capitão e contribuiu muito para seu desenvolvimento. Como ele passou dois anos assistindo desenhos animados com a filha, ele queria dar a Jack aquele toque de desenho animado. Ele também se inspirou nos gestos e na aura do astro do rock Keith Richards, contribuiu com piadas e momentos que não estavam no roteiro, ajudou a caracterizar o personagem e até, junto com os maquiadores, implementou uma piada recorrente sobre uma crosta que seu personagem tinha no rosto, de um pequeno ferimento, e que crescia conforme o filme avançava. Detalhes que enriqueceram seu caráter e o mistério que o cercava.
Por sua vez, Orlando Bloom, que acabara de interpretar Legolas em O Senhor dos Anéis, não queria o papel porque achava que ninguém se interessaria por um filme de piratas, mas Geoffrey Rush, o Capitão Barbossa, o convenceu a aceitá-lo. Por sua vez, Keira Knightley, que na época tinha apenas 17 anos, entrou no que seria seu primeiro grande sucesso de bilheteria e, embora tenha dito em diversas ocasiões que precisou de terapia para lidar com isso, foi uma ótima decisão em sua carreira.
Um trio de protagonistas que lideraria Piratas do Caribe – assim como suas sequências – e reacendeu o interesse do público em aventuras tradicionais no cinema.