O Segredo do Abismo: Como esse ator respirava debaixo d'água no filme de James Cameron?
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Recurso utilizado surgiu na vida do cineasta durante a juventude.

Lançado em 1989, O Segredo do Abismo é um filme que fez história do ponto de vista técnico. Mas as filmagens rapidamente se transformaram em um inferno para a equipe técnica e os atores. Uma provação coletiva provocada em grande parte pelo próprio James Cameron, obcecado com a ideia de tornar o filme o mais realista possível.

Ao mesmo tempo um filme-catástrofe ambientado em uma época em que os ventos do fim da Guerra Fria ainda sopravam, um thriller claustrofóbico, um filme de ficção científica com um toque de terror, mas também uma comovente história de amor que ecoa a situação pessoal do cineasta que estava em meio a um divórcio, o longa revela o que é, sem dúvida, a maior força do cineasta: sua capacidade de contar histórias humanistas em um cenário fantástico. Tudo envolto em uma maestria técnica e visual inegável.

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Embora o filme tenha sido injustamente punido com um doloroso fracasso de bilheteria mundial, o tempo felizmente fez seu trabalho, elevando o filme de Cameron, que ganhou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, ao posto de clássico do cinema.

Rato de laboratório

20th Century Studios

Entre as sequências que impressionaram na época estava a do último terço do filme, onde Ed Harris é forçado a se aventurar nas profundezas da Fossa das Ilhas Cayman. Mas antes disso, um líquido é injetado em seu traje, o que lhe permitirá respirar.

É Navy Seal Monk (Adam Nelson) quem primeiro faz a demonstração, submergindo o rato de Alan "Hippy" Carnes (Todd Graff) no líquido. Este último está logicamente em pânico com a ideia de que seu infeliz animal de estimação irá se afogar. Um líquido que enche os pulmões para respirar? Impossível.

A sequência em questão...

O teste foi de fato realizado no animal, que respirava graças a esse líquido que tem um nome: perfluorcarbono. "A ideia era ver se o rato sobreviveria", comentou Van Ling, o famoso assistente de James Cameron, em uma entrevista de 1989 ao Los Angeles Times.

"Então fique tranquilo, não gastamos tanto tempo e esforço consultando vários especialistas, gastando 400 dólares em uma lata de perfluorocarbono de verdade para matar aquela pobre criatura. Filmamos aquela cena sob a supervisão de especialistas no assunto na Duke University. O rato realmente sobreviveu."

Ainda podemos entender a ansiedade e o ataque de pânico que tomam conta de Ed Harris na sequência em que o líquido invade seu traje de mergulho. Mesmo que lhe tenham dito para relaxar o máximo possível, ele logicamente tem os reflexos de alguém que está se afogando...

Uma ideia que remonta à Primeira Guerra Mundial

20th Century Studios

A ideia de criar tal líquido remonta a muito antes do filme. O primeiro estudo de instilação de fluido salino em pulmões de cães remonta à Primeira Guerra Mundial. Osso foi considerado um possível tratamento para os efeitos do gás venenoso.

Mas foi somente em 1962 que a equipe do fisiologista Johannes Kylstra conseguiu fazer mamíferos respirarem com líquido salino, mas sob pressão muito alta, equivalente a 1,6 km abaixo do nível do mar. Além disso, esse trabalho teve como alvo o mergulho em águas profundas como uma possível aplicação para resgate de submarinistas.

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Foi o mergulhador profissional Frank Falejczyk quem primeiro testou o fluido respiratório de perfluorocarbono. Embora tenha contraído pneumonia logo após o teste, ele conseguiu respirar com a ajuda do fluido. Então o conceito era válido.

Aos 17 anos, no ensino médio, James Cameron assistiu a uma palestra dada por Frank Falejczyk. Cameron saiu surpreso, o suficiente para lhe dar algumas ideias que ele rabisca em um canto, e que darão origem, muitos anos depois, ao seu filme.

"Fiz aulas de mergulho e depois escrevi a história de cientistas de uma base submarina que exploram a Fossa das Ilhas Cayman, no Mar do Caribe, usando esse líquido respirável, e descobrem uma civilização oculta lá", ele diria anos depois.

Em 1987, pouco antes de fazer o filme, Cameron o convidou como consultor para a preparação desta sequência. Falejczyk lhe contou toda a sua pesquisa sobre o assunto e explicou como proceder com o rato. O perfeccionismo de Cameron e sua obsessão pelo realismo, repetidamente. Para o melhor.

*Conteúdo Global AdoroCinema

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