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Críticas AdoroCinema
5,0
Obra-prima
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SER OU NÃO SER...HUMANO

por Roberto Cunha

Esqueça o que já ouviu falar sobre o filme ou o diretor. Tente esquecer também os milhões de dólares investidos. Prepare-se – apenas – para embarcar numa viagem para um novo mundo criado pelo visionário e perfeccionista James Cameron. E seja bem vindo à Avatar.

Com uma abertura simples, Jake Sully (Sam Worthington) conta sobre seu passado, presente e um futuro. É a deixa para conhecermos uma história muito simples e conhecida por todos, de diferentes maneiras: uma poderosa fonte de riqueza é descoberta e os homens querem, a qualquer custo, conquistá-la, nem que para isto seja necessário destruir. Novidade? Infelizmente, nada mais "naturalmente" humano.

Pandora é um lugar habitado pelos Na'Vis, alienígenas pacíficos que ainda vivem em parte como os ancestrais humanos, cavalgando, usando arco e flecha, e, as vezes, emitindo grunhidos para expressar alegria ou raiva. Para conhecer melhor sua história, um grupo de cientistas liderados pela Dra. Grace (Sigourney Weaver) toca o projeto Avatar que consiste na transferência temporária da mente humana para o corpo (avatar) de um Na'Vi.

Sully é o escolhido para se infiltrar entre eles e apresentar o dilema da distância abissal entre a busca do conhecimento dos cientistas e o desconhecimento das mentes gananciosas e bélicas lideradas por Selfridge (Giovanni Ribisi) e o Coronel Quaritch (Stephen Lang). Os mais atentos enxergarão referências como Guerra nas Estrelas, O Exterminador do Futuro, Robocop e Transformers. Uma das primeiras cenas com a Dra. Grace saindo de uma cápsula é emblemática e qualquer semelhança com a Ripley da franquia Alien não terá sido mera coincidência.

O roteiro segue uma fórmula padrão com mocinho, mocinha, vilão, trilha sonora envolvente e outros elementos manjados necessários para se criar uma estrutura previsível. O mérito é gerar encantamento por uma trama fácil e com um visual acachapante. Com diálogos fáceis de entender e humor, até certo ponto contido, o filme tem semelhança contextual com o clássico Dança com Lobos ao mostrar alguém que se mistura com "o outro" e acaba dividido entre o certo e o errado. Assim é Avatar. Uma história de amor e consciência. Um épico de ficção científica.

Os efeitos especiais da tecnologia desenvolvida pelo diretor, misturando ator real e computação gráfica, são impressionantes e muito superiores ao de Robert Zemeckis, do recente Os Fantasmas de Scrooge, que ainda confere aos personagens um visual artificial. Os Na'Vis de Cameron, por sua vez, são enormes, exóticos, de coloração azulada, feições de felino, e possuem uma humanidade ímpar nos gestos e olhares.

O ponto fraco da fantasia (sim, existe) é o momento "candomblé exotérico", que além de longo, acabou sendo repetido. E para não dizer que o filme é 100% acertos, algumas coisas mereciam mais atenção como um constante óculos Ray Ban no rosto de Trudy (Michelle Rodriguez), uma cadeira de rodas muito antiquada para a época e naves que parecem helicópteros (Apocalypse Now?) num futuro high tech.

Avatar é, acima de tudo, um grande libelo contra aquele que impiedosamente não para de destruir o planeta num processo involutivo sem precedentes. Uma mensagem do homem para o homem frente à poderosa e frágil mãe natureza, dita de maneira clara, sem subterfúgios, através de um símbolo universal (uma árvore) e um personagem dividido num questionamento hamletiano: ser ou não ser. Humano. Boa viagem.

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