Zootopia 2
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
Zootopia 2

Zootopia 2 repete a fórmula de sucesso, colocando Judy e Nick numa nova lição sobre amizade e preconceito que também beneficia os humanos

por Katiúscia Vianna

No meio de tantas princesas, é difícil lembrar que a Walt Disney Animation Studios tem outros projetos de sucesso que não envolvem vestidos bufantes. Financeiramente, o destaque fica para Zootopia, que arrecadou mais de 1 bilhão de dólares mundialmente - e ainda arrebatou um Oscar para casa. Nove anos depois, é a vez da sequência de Judy e Nick chegar às telonas, respondendo algumas dúvidas deixadas pelo primeiro filme e ampliando esse universo tão amado.

Qual é a história de Zootopia 2?

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A trama de Zootopia 2 começa apenas uma semana após os acontecimentos da obra original, mostrando Judy Hopps e Nick Wilde tendo problemas em sua parceria e causando algumas confusões pela cidade. Porém, a sagaz coelha descobre que uma cobra pode estar circulando por aí - algo estranho, considerando que os répteis não aparecem naquele local há 100 anos, considerados como inimigos da sociedade criada pelos mamíferos.

Essa cobra é Gary, que confessa ter um objetivo nobre: roubar um livro histórico para revelar a verdade sobre a criação de Zootopia e permitir que sua família volte para casa. Logo percebendo que Gary não é o vilão que parece ser, Judy obriga um relutante Nick a se jogar numa aventura perigosa para descobrir esse tal segredo, só que essa jornada pode afetar a amizade entre os protagonistas e colocar tudo que eles conquistaram em risco.

Zootopia 2 é uma história sobre amizade e preconceito

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Era inegável o desejo do público de retornar para o mundo de Zootopia, pois além do primeiro longa ser adorável e divertido; parecia ser apenas um vislumbre do potencial daquele universo. Afinal, se o foco foram os mamíferos na história original, por onde andam os outros tipos de animais? Algumas dessas dúvidas são respondidas em Zootopia 2, cuja proposta é explicar a ausência de répteis nesta cidade.

Isso abre a porta para uma nova trama sobre preconceitos, igualdade, convivência e coragem para fazer o que é certo. Em sua estrutura, existem algumas repetições da fórmula da franquia neste segundo longa: novamente Judy e Nick precisam enfrentar obstáculos - inclusive a própria polícia - para desvendar um segredo da cidade. Só que, na nova aventura, as diferenças entre os dois, que servem como opostos que se complementam, também causam atritos graças às suas ideologias.

Judy quer descobrir a verdade, sempre determinada, não importa os riscos. Por sua vez, Nick quer ajudar, mas ainda tenta fingir uma personalidade solitária - quando, na realidade, seu maior medo é justamente perder a melhor amiga. Você pode se encontrar shippando uma coelha com uma raposa novamente (e assim também questionando a sua sanidade)? Sim. Mas é a parceria entre os protagonistas que traz o coração da história.

Zootopia 2 segue construindo um universo animal (literalmente)

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Dentre os novos personagens, dois se destacam: Gary, a cobra já citada, impressiona por sua positividade em meio ao caos. Assim como Judy, ele acredita que o bem vencerá o mal e não desanima diante do cinismo ou da dificuldade. Do lado mais cômico, temos a castora Nibble, que conhece o mundo dos répteis graças a diversas teorias de conspiração que acompanha em seu vlog. Esse quarteto de personagens principais também ganham carisma com a dublagem nacional, liderada por Monica Iozzi (Judy), Rodrigo Lombardi (Nick), Danton Mello (Gary) e Samira Fernandes (Nibble).

Mesmo repetindo a fórmula, o grande trunfo de Zootopia 2 é justamente seguir os passos do original quando se trata da construção desse universo, onde animais assumem costumes humanos. Sob direção de Jared Bush e Byron Howard, que trabalharam na primeira animação, a continuação mantém o espírito curioso da franquia com piadas boas, enquanto a precisão nos detalhes nesse mundo é o que se destaca na multidão. Sejam em pequenas referências ao mundo real ou paródias de obras como O Poderoso Chefão e O Iluminado.

Ao mesmo tempo, a dupla de cineastas sabe exatamente o que fez sucesso no primeiro filme e traz os retornos de personagens coadjuvantes queridos, como Flecha, Sr. Big e Gazella (diva pop com mais uma canção inédita de Shakira: “Zoo”, que tem Ed Sheeran como um de seus compositores). Esse universo é tão recheado de seres engraçados que até fica um sentimento deles serem pouco aproveitados. Mas com o filme já quase batendo as duas horas de duração, talvez seja melhor aprovar uma segunda temporada da série de curtas Zootopia+ no streaming da Disney.

Judy e Nick estão apenas começando sua jornada nos cinemas

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Numa época onde a animação chinesa Ne Zha 2 é a maior bilheteria do ano (pelo menos até a publicação desta crítica), é interessante que a Disney prove como ainda, em nosso ditado popular brasileiro, “tem o molho”. Ou seja, a empresa sempre polêmica de Mickey Mouse ainda sabe como levar famílias ao cinema e conquistá-las com seu universo mágico. Obviamente, Zootopia já é uma propriedade intelectual conhecida, então não deve ser surpresa que os números preliminares de bilheteria indicam mais um sucesso mundial.

E, se você ficar até o final dos créditos (graças ao péssimo costume deixado pela Marvel, também da Disney), verá uma cena que dá abertura para Zootopia 3. As crianças amam Judy e Nick, provavelmente irão amar Gary, e se trata de um filme com piadas para adultos e pequenos. Logo, se manterem o estilo apaixonado, criativo e detalhado que torna Zootopia tão especial; estamos diante de uma franquia que ainda deve ficar muito tempo nas telonas - e em reprises no streaming Disney+.

No geral, Zootopia 2 entrega mais uma aventura colorida que vai divertir as crianças e - apesar de não ter a complexidade de um Divertida Mente, por exemplo - ainda traz lições importantes sobre preconceito, amizade e justiça. Você sai do cinema inspirado a resolver todas as injustiças do mundo e pronto para desafiar nossos líderes em busca de igualdade para todos. Obviamente, não demora cinco minutos para o indivíduo relembrar a complicada realidade humana, mas é um bom sentimento para deixar nas crianças ainda inocentes diante do cinismo característico da nossa espécie. Afinal, se elas vão construir o futuro, que seja a partir de um bom exemplo.

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