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    Awake
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Awake

    Abri os olhos, não consigo mais fechar

    por Katiúscia Vianna
    Após sua performance premiada em Jane the VirginGina Rodriguez começou uma forte parceria com a Netflix. Dublou Carmen Sandiego (que pode ganhar um filme live-action com a moça) e Big Mouth, além de ter aparecido em longas presentes na plataforma como o cultuado Aniquilação e a divertida comédia Alguém Especial. Agora, ela investe em seu lado mais dramático em Awake, um drama que mistura suspense e ficção científica. 

    O filme acompanha um evento global catastrófico, onde o mundo começa a se tornar um caos quando todos os aparelhos eletrônicos param de funcionar e as pessoas perdem a capacidade de dormir. O foco da trama é Jill (Rodriguez), uma ex-militar de passado conturbado, que tenta proteger seus filhos dessa nova realidade. Porém, existe um detalhe especial: sua pequena filha, Matilda (Ariana Greenblat) parece ser o único ser humano que consegue pegar no sono.

    Awake traz uma realidade onde as pessoas não conseguem dormir



    Awake traz uma direção de Mark Raso (Copenhagen, Kodachrome), que também escreveu o roteiro com Joseph Raso. E seu trabalho até conta com alguns momentos criativos de câmera, como mostrar a visão do carro durante um acidente no lago ou dar um giro de 360º graus no veículo durante um ataque — numa clara inspiração ao trabalho de Alfonso Cuarón em Filhos da Esperança. Mas, no geral, é um resultado bem simples que não se destaca tanto, ainda mais com uma edição tão picotada e um roteiro fraco.

    Como é bem explicadinho no filme, a mente humana começa a surtar se você não ter o sono necessário, então não demora muito para a humanidade fugir do controle e promover caos por onde passa. Porém, o público não consegue entender a urgência de tal situação, pois não existe crescimento de tensão. Em menos de 24 horas, já tem gente atirando nos outros. Talvez a vida real seja assim? Talvez (e, sinceramente, espero nunca passar por uma realidade dessas só para descobrir). Mas como estrutura de roteiro, não funciona.

    Ainda mais quando percebemos que boa parte da história será contada dentro de um carro, sem uma noção clara de quanto tempo passou. Do nada, um personagem informa que se passaram quatro dias e temos que aceitar essa novidade e embarcar na jornada. Existem alguns momentos meio surreais, questionando como a sociedade vai sucumbir diante de uma crise, mas eles surgem apenas obstáculos pequenos diante da trama principal. 

    Gina Rodriguez lidera o elenco de Awake



    O foco fica mesmo no relacionamento de Jill com seus filhos, principalmente Matilda, já que a humanidade está com prazo de validade e a menina pode ser a única sobrevivente. O trabalho de Gina Rodriguez é bem honesto e você consegue perceber o desenrolar de sua mente através da performance. É inegável que seu timing cômico já conquistou Hollywood, mas é interessante vê-la se jogando em papéis diferentes e conseguindo se virar bem em trabalhos mais dramáticos.

    Outro grande trunfo é a pequena Ariana Greenblat, que mistura doçura e empatia numa personagem inocente — algo que é bem diferente de sua performance em Amor e Monstros, outra produção divulgada pela Netflix internacionalmente, por exemplo. Tão nova e já mostrando versatilidade? Bom pra ela! Já seu irmão na ficção, o intérprete de Noah, Lucius Hoyos é mais limitado, se tornando o elo fraco do trio principal.

    O elenco ainda conta com performances de atrizes veteranas, como Jennifer Jason LeighFrances Fisher — que fazem o melhor que podem com seu pouco tempo de tela. Sem contar que existe um personagem, Dodge (Shamier Anderson), que surge bruscamente e nunca tem suas motivações definidas, apesar de ter papel fundamental na trama.

    Awake tropeça no roteiro, mas não ofende



    Porém, é um filme que se encontra no início caótico de um apocalipse, onde uma mãe corre contra o tempo para treinar sua filha para um futuro perigoso. E, mesmo assim, essa sensação de desespero não chega ao espectador. Já tem gente já comparando o projeto com outro sucesso da Netflix, Bird Box, mas a obra estrelada por Sandra Bullock trazia a sensação de urgência e perigo, enquanto Awake passa mais tempo nos explicando o perigo do que realmente proporcionando essa experiência.

    Talvez sejam por que as coisas mal explicadas na trama (com a desculpa esfarrapada que ninguém realmente sabe o que está acontecendo, algo clássico já) ou o foco individual naquela que deveria ser uma questão de comunidade, mas o longa se torna tedioso em certos momentos. O que você nunca deseja ver em um suspense, não é mesmo?

     

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    Comentários

    • Jackson A L
      Com exceção de Gina Rodriguez, pouca coisa se salva no filme. Produções Netflix que insere a ideia e por falta de orçamento, lança filmes sem conteúdo. São muitos absurdos em sequência.
    • Springtrep
      odiei já vi filmes melhores
    • marcos souza
      concordo,
    • marcos souza
      pior filme que já assistir, perdi tempo assistindo essa porcaria..
    • Lucas M.
      Que filme péssimo . Senhor amado ,o diretor deveria ter vergonha.
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