Esse filme é sobre tudo — menos sobre o Elvis Presley
O filme Elvis (2022) tenta ser um espetáculo estético, mas esquece de ser fiel ao que importa: a alma real de Elvis Presley.
Transformam Elvis em um personagem melancólico, rebelde, incompreendido e contra o sistema — tudo o que ele nunca foi.
No lugar de um homem sensível, gentil, caseiro e focado na carreira, temos uma figura dramática, quase mística, que mais lembra o vocalista do Green Day do que o Rei do Rock.
A estrutura do filme parece um multiverso simbólico, com Elvis atravessando portais e realidades, como se fosse um Batman emocional em vez de um ser humano.
A montagem é frenética, como um vídeo de TikTok com filtro, efeitos, música remixada e uma sequência narrativa difusa — incluindo, claro, Doja Cat sendo tocada em 1956. (???)
O “vilão” criado, o produtor Tom Parker, é retratado como uma figura quase caricatural, digna da Marvel — com maquiagem de Vovozona, roteiro de circo e peso simbólico demais.
Na vida real, ele era um executivo com decisões comerciais — nem herói, nem vilão, e certamente não esse monstro de novela steampunk.
Sim, houve opressão. Sim, houve dor.
Mas o que o filme faz é exagerar tudo para contar não uma história sobre Elvis, mas sobre o “sistema” que o próprio diretor quis criticar.
Elvis vira um símbolo vazio, não um homem. Vira um herói revoltado, e não um artista apaixonado. Vira a fantasia emocional de um fã moderno, e não a realidade de quem ele foi.
Se você busca um retrato fiel, humano e verdadeiro de Elvis Presley —
> Esse filme não vai te mostrar.
Vai te confundir, te distrair, e no fim… te afastar de quem ele realmente foi.