“Elvis”, cinebiografia dirigida e co-escrita por Baz Luhrmann, é um filme com a cara do diretor/roteirista/produtor australiano. Um espetáculo visual, repleto de cores e de vibração, com uma edição frenética e com recursos narrativos que tentam fazer jus à figura magnética, emblemática e igualmente chamativa que era a de Elvis Presley.
O filme tem como foco o relacionamento entre o cantor (interpretado por Austin Butler) e seu empresário, o Coronel Tom Parker (Tom Hanks), que se conheceram quando Elvis realizou as suas primeiras gravações, ainda na Sun Records, e era considerado uma promessa da música norte-americana.
“Elvis” enfoca muito bem os motivos por trás da transformação de Elvis Presley no Rei do Rock ‘N Roll. Se, por trás dele, tinha a mentalidade empresarial do Coronel Tom Parker, nos holofotes tínhamos um artista que soube se posicionar num momento histórico de um Estados Unidos segregacionista, conservador e violento.
Chama a atenção também, na trajetória de Elvis Presley, o fato dele ser um artista mundialmente aclamado sem nunca ter saído dos Estados Unidos e ter feito grandes turnês internacionais.
Neste ponto, “Elvis” reflete, também, uma crítica ao regime de trabalho de artistas como o cantor, com contratos de trabalho com cláusulas abusivas, reféns de seus empresários e sem a liberdade de poder planejar a sua carreira.
Embora não deva ser a obra definitiva sobre a vida e obra de uma estrela do porte de Elvis Presley, “Elvis”, com certeza, será lembrado pela sua visão extravagante e por duas excelentes performances: as de Austin Butler e de Tom Hanks, que devem estar presentes na próxima cerimônia do Oscar, assim como o filme deve ser indicado em algumas categorias técnicas.