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    Agente Oculto
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Agente Oculto

    Mais um na multidão

    por Rafael Felizardo
    Em setembro de 2020, Joe e Anthony Russo anunciaram ao mundo que estavam envolvidos em um novo projeto, após o fracasso do longa-metragem Cherry - Inocência Perdida. Responsáveis também pelos aclamados Vingadores: Ultimato e Guerra Infinita, apenas na Geeked Week deste ano a comunidade cinéfila teve dimensão do que seria Agente Oculto, uma produção nascida com a perigosa alcunha de “o filme original mais caro da história da Netflix”.

    Capa mais bonita do que o conteúdo

    Por falar em capa,The Gray Man (no original) é a adaptação do livro homônimo assinado por Mark Greaney, escritor americano que ficou famoso por ser colaborador de um mestre do suspense de espionagem: Tom Clancy.

    Com um elenco cheio de estrelas de Hollywood, Ryan GoslingChris EvansAna de ArmasRegé-Jean Page e – o cada vez mais internacional – Wagner Moura ditam o tom do filme, entregando uma mistura de ação com toques de comédia que cada vez mais readquire popularidade no audiovisual moderno.



    Através de uma trama que não se arrisca muito, acompanhamos a história de Sierra Seis (Gosling), um dos mais letais agentes sancionados pela CIA – e que ninguém sabe a real identidade. Quando ele embarca em uma missão pela Europa para resgatar seu contratante, Donald Fitzroy (Billy Bob Thornton), das garras de Lloyd (Evans), membro de uma milionária corporação mercenária, além de ex-oficial da CIA, acaba descobrindo alguns segredos sujos da agência para quem trabalha, passando a ter a cabeça colocada a prêmio ao mesmo tempo em que é caçado por todo o mundo.

    Indo direto ao ponto, Agente Oculto é uma produção cheia de clichês – o que não é necessariamente ruim, afinal, clichês tornaram-se clichês exatamente por um bom motivo: eles normalmente são eficazes. No enredo, temos o clássico protagonista caladão (especialidade de Gosling; ao melhor estilo Drive), a sidekick durona (se Armas foi Paloma em 007 - Sem Tempo para Morrer, agora, ela é Dani Miranda) e o vilão excêntrico (aqui, Evans entrega o melhor do filme). Com uma fotografia que agrada e um tom sutil de comédia que funciona, um dos grandes problemas do longa acaba sendo a constante sensação de “já vi esse filme algumas vezes”, exatamente por não apresentar nada além do esperado.

    O famoso filme original mais caro da história da Netflix

    Como dito no primeiro parágrafo desta crítica, Agente Oculto conquistou o título de filme mais caro já produzido pela Netflix, desbancando Alerta Vermelho em sua caminhada. Se por um lado a alcunha ajuda a aumentar o hype em torno da produção, fazendo com que olhos se virem para ela, por outro, o nível de exigência em relação ao resultado final também acaba subindo, visto que o longa já parte de uma posição privilegiada em relação a outros do mercado – em uma equação simples, mais recursos equivalem a mais possibilidades de alcançar o produto desejado.

    E é exatamente aí que acaba morando um dos grandes problemas do longa-metragem: a fama acaba virando-se contra ele. Analisando friamente, o CGI apresentado no filme não chega a ser ruim e tampouco atrapalha a experiência final do espectador, mas se você vende um artigo como algo mais caro da loja, espera-se que ele prontamente esteja em um nível acima dos outros, o que não é o caso de Agente Oculto.

    Por conta da campanha de “filme mais caro”, a sensação que fica ao acabar de assistir, é: “Mas por que essa é a produção mais cara já desenvolvida pela Netflix?”. Talvez as cifras nos contratos do elenco ajudem a explicar.

    Apesar dos pesares, Agente Oculto também acerta

    Se acreditarmos na máxima que tudo na vida tem dois lados, com a produção da Netflix não poderia ser diferente. Apesar dos pontos negativos, Agente Oculto acaba entregando um thriller de ação cômodo, que por não arriscar, mantém o espectador em sua zona de conforto a todo o momento.

    Além disso, se os personagens de Ana de Armas e Ryan Gosling beiram o genérico, soando como recortes insossos de arquétipos existentes dentre os milhões de filmes de ação hollywoodianos, o de Chris Evans de fato é um acerto, empregando o já conhecido carisma pelo qual o ator é conhecido. Em determinados momentos, é possível pegar-se simpatizando com o sociopata de bigode chamado Lloyd Hansen, um antagonista canastrão que poderia perfeitamente ter mais tempo de tela.



    Também vale colocar que a fórmula humorística aplicada pelos Russo no longa acaba funcionando. Agente Oculto por vezes flerta com o pastelão, mas ainda assim não se entrega ao subgênero, apresentando uma maneira mais sútil de lidar com seu lado cômico do que as produções da Marvel, também dirigidas pelos dois irmãos. Podendo até soar estranho, a atmosfera lúdica contida na produção, na maior parte das vezes, se sobressai à ação apresentada na trama – em outras palavras, The Gray Man é um filme de ação onde exatamente a ação o torna comum; genérico.

    Ver ou não ver, eis a questão

    Durante uma considerável parte da história das críticas de cinema, a tensão entre o que os críticos acham X o que o público acha sempre foi um dos tópicos mais debatidos, dividindo opiniões principalmente com a popularização da internet. Com Agente Oculto, ouso dizer que o parecer a respeito da obra ficará mais uma vez fracionado, agradando considerável parte do público mas parecendo pobre para os chamados especialistas.

    Tecnicamente, o longa-metragem apresenta uma temperatura morna que acaba sendo um prato cheio para as críticas, mas que, como já colocado, mantém o espectador dentro do que ele espera. É cômodo.

    Com tiros errantes, perseguições implacáveis e personagens esquecíveis, a experiência The Gray Man não deve ser marcante, mas se você quiser apenas um filme para ver enquanto almoça ou antes de dormir, talvez esta seja a sua opção.

     

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