CRU
por Lucas SalgadoNão sou fatalista ao ponto de dizer que Taylor Lautner jamais terá uma grande atuação, mas a certo que hoje, aos 19 anos, ele ainda não possui estrutura ou talento para carregar nas costas um filme de ação. A verdade é que o ator de Crepúsculo ainda está muito cru para "ser vendido" como o mais novo astro de Hollywood. Não basta ter um rostinho bonito ou uma legião de fãs adolescentes, é importante também ter presença. Nos anos 80, o cinema de ação sempre esteve ligado não só à ideia de força, mas também à de experiência, como foi os casos de Bruce Willis, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e companhia, e é disso que o espectador sentirá falta em Sem Saída.
O longa conta a história Nathan (Taylor Lautner), um jovem que leva uma vida normal ao lado dos pais, mas que como todo adolescente se sente meio "fora de lugar" em seu mundo. Ao realizar um trabalho para o colégio, acessa um site de crianças desaparecidas e encontra uma foto que lembra muito ele próprio, quando era criança. Nathan passa a investigar a situação, que não demora a desencadear numa série de trágicos acontecimentos. Em pouco tempo, o jovem se vê solto no mundo, podendo contar apenas com a ajuda da bela vizinha Karen (Lily Collins). A trama envolve ainda criminosos russos e a CIA, mas no final das contas não passa de uma premissa interessante.
A culpa de Sem Saída não ser um bom filme não pode ser atribuída somente ao fraquíssimo desempenho de Lautner. É verdade que tanto ele quanto Collins ainda são crus demais para serem as figuras centrais de uma produção como esta, mas é certo também que a responsabilidade deve ser dividida com quem os colocou lá, no caso os produtores. O diretor John Singleton também tem a sua parcela de culpa. Com exceção de uma cena que acontece em uma lanchonete, todas as outras sequências de ação parecem mal pensadas. Não há um ritmo constante nas mesmas, havendo sempre uma quebra desnecessária ou uma conclusão pouco eficiente.
Singleton é um diretor que sabe o que faz, mas é certo que muitas vezes não consegue corresponder as expectativas de quem procura um novo Os Donos da Rua (1991), seu primeiro trabalho nas telonas. De lá pra cá, realizou filmes como Shaft, + Velozes + Furiosos e Quatro Irmãos, todos com boas cenas, mas também repletos de altos e baixos. Não foi em Abduction (no original) que o cineasta reencontrou a boa forma.
Como tudo que envolve a série Crepúsculo - por mais que a única relação seja o ator - é provável que Sem Saída faça sucesso nas bilheterias, tanto que o filme nem precisou estrear para os realizadores já avisarem que deve acontecer uma continuação. Mas é certo que isso não pode ofuscar o fato de ser uma produção repleta de problemas, com um roteiro cheio de buracos.
São poucas as coisas que se destacam no novo longa. A trilha sonora de Edward Shearmur não se sobressai em momento algum, assim como a fotografia de Peter Menzies Jr. Mas ainda assim, é melhor não se destacar do que derrapar a todo momento, como acontece na edição de Bruce Cannon.
Conhecido pelo papel de Mikael Blomkvist na versão sueca de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Michael Nyqvist interpreta o vilão Kozlow e sem sombra de dúvida é a melhor atuação do elenco, que conta ainda com as presenças de Alfred Molina, Sigourney Weaver, Maria Bello e Jason Isaacs. Todos bons nomes, todos mal aproveitados.
Lautner e Collins, como já dito, não seguram a produção e não dão a mesma o suporte necessário para se tornar algo interessante, mas mais uma vez é importante ressaltar que não receberam nada de muito especial em primeiro lugar. Curiosamente, a melhor cena dos dois é aquela em que se beijam calorosamente como dois adolescentes, o que na verdade eles são. É o único momento natural em longos 106 minutos.
Sem Saída é um dos filmes menos surpreendentes produzidos nos últimos anos. A intenção era criar um thriller de ação repleto de reviravoltas, mas como fazer isso se nenhum dos caminhos seguidos pelo roteiro surpreendem o público. Obviamente não irei falar o final nesta crítica, mas é bem provável que com 30 minutos de projeção você já saiba o que irá ocorrer no desfecho. Se for assistir ao longa é bom já ir com uma certeza: você estará em uma rua sem saída.