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    Homens em Fúria
    Críticas AdoroCinema
    1,5
    Ruim
    Homens em Fúria

    Descrença

    por Francisco Russo

    é um filme estranho. Começa com uma proposta, de certa forma clichê, e aos poucos se transforma para abordar assuntos bastante diferentes sem, no entanto, abandonar o tema inicial. O resultado final é um filme de ritmo travado que, apesar de manter sempre a coerência, deixa no ar a sensação de "por que?". Tudo começa com Stone (, caprichando no olhar incrédulo e psicótico), presidiário que já cumpriu oito anos de sua pena e deseja obter a sonhada liberdade condicional. Para tanto ele precisa passar por Jack (, mais uma vez no piloto automático), policial prestes a se aposentar que precisa analisá-lo, através de conversas, e decidir se ele está apto a retornar à sociedade. Percebendo que Jack não está disposto a ajudá-lo, Stone elabora um plano que inclui sua esposa, Lucetta (, banal). Ela teria por função seduzir Jack e fazer com que o marido seja enfim solto.   A primeira metade do filme segue fielmente a fórmula da sedução usada para obter vantagens, o que inclui cenas para explorar o corpo de Milla Jovovich. O espectador mais atento pode até se lembrar de , filme que revelou Norton, pela possível - e previsível - reviravolta que o filme poderia ter. Sim, poderia. Porque a partir da metade, mais exatamente quando o personagem de Norton entra em transe existencial, o filme se transforma. O plano fica de lado, já que a partir de então Norton está mais interessado em temas etéreos, como a influência de vidas passadas e a transformação da pedra - não à toa, tradução do nome do personagem - em ser humano. Em meio aos delírios, deixar a prisão torna-se secundário. É quando o filme, pouco a pouco, parece se desinteressar de seu personagem. Jack (De Niro) ganha o posto de personagem principal. Casado, com uma carreira consolidada, respeitador das leis, religioso mas cansado. Este é o Jack que se rende aos encantos de Lucetta. E apenas porque busca algo mais para sua vida. Jack carrega consigo um ar de descrença em tudo, de sua vida à profissão. "Nunca me senti culpado pelo que fiz", sentencia. "Às vezes acho que deveria levar um tiro", diz em outra cena. Seus atos são um fardo cada vez mais pesado, ampliados pela ausência de felicidade no lar e o temor de se tornar inútil, tão logo se aposente. Só que todo ato gera consequências, e elas vêm em dose cavalar para atormentá-lo. O terço final de busca unir estas histórias tão distintas, que coexistem no mesmo longa-metragem. O presidiário ansioso em deixar o cativeiro que passa por um transe revelador e o policial cansado e descrente de tudo. Entre eles, uma mesma mulher. O desfecho, mais uma vez, foge do óbvio e evita um possível clímax. A desolação da cena final talvez seja a melhor representação do que é o filme. Ao menos em relação à proposta que ele melhor trabalha, ao longo de suas quase duas horas de duração. Como alertado logo no início do texto, trata-se de um filme estranho. E é em sua estranheza que estão alguns temas até interessantes, mas insuficientes para prender a atenção. Apenas regular.

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    Comentários

    • Paula Lima
      Vocês só pegaram o primeiro plano, esse filme é bem mais profundo do que parece.
    • Marcos Davi Silva
      O filme me atravessou. Achei muito interessante !
    • Paulo R.
      Concordo totalmente com a crítica, o filme se arrasta e não se aprofunda e cai num final vazio, historinha fraca e botando bons atores no meio de uma trama oca, expectadores em fúria também por ter visto isso, 3,0/10
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