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    Plano de Fuga
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Plano de Fuga

    De volta à ação

    por Lucas Salgado

    Mel Gibson sempre foi um sujeito carismático e talentoso. Não foi por sorte que se tornou um dos grandes astros do cinema nos anos 80 e 90. Mas aí chegaram os 2000 e ele se viu em meio a uma série de polêmicas, que foram de comentários antissemitas a um conturbado divórcio. Ainda assim, conseguiu realizar bons filmes, principalmente na função de diretor, como aconteceu com A Paixão de Cristo e Apocalypto. Como ator, chegou perto de cair no esquecimento, mas foi resgatado pela amiga Jodie Foster no drama Um Novo Despertar. Agora, Gibson ensaia um retorno ao gênero que o consagrou. Com muita ação e certa dose de humor, Plano de Fuga tenta seguir a fórmula de Máquina Mortífera. Seja pela falta de personagens tão interessantes ou por um roteiro menos inspirado, o novo filme não chega nem perto da franquia citada em termos de qualidade. Mas isso não significa que ele não funciona bem como entretenimento.

    O filme conta a história de um criminoso que cruza a fronteira do México enquanto tentava escapar da polícia norte-americana. Ele, no entanto, não vai muito longe e acaba preso por oficiais mexicanos, indo parar em um presídio tomado por um líder do tráfico. Lá, tem que aprender rapidamente os costumes do local, para que consiga sobreviver ao tumulto.

    Inspirado em uma prisão real, a vista no longa é bastante interessante. Como diz bem o personagem de Gibson, parece ser o shopping center mais sujo do mundo e não um presídio. O dia a dia dos presos é retratado desta forma, não focando na sensação de encarceramento, mas sim na convivência com outros indivíduos, que variam desde os peões do tráfico a funcionários corruptos. No meio de tudo isso, o personagem principal, cujo nome não é dito em nenhum momento, acaba contando com a ajuda de um menino de nove anos. É aí que o filme perde um pouco de sua força, pois dá a está criança a responsabilidade de fazer bonito ao lado de um astro como Mel Gibson. E não dá certo, como fica claro diante da sensação de que todas as boas cenas não contam com a presença do jovem Kevin Hernandez.

    Get The Gringo (Peguem o Gringo, na tradução literal) é um título bem melhor do que o nacional e genérico Plano de Fuga, afinal o mais interessante da história é o fato de estarem sempre atrás do sujeito em busca de dinheiro, informação ou qualquer outra coisa que ele possua ou tenha roubado. O filme marca a estreia na direção de Adrian Grunberg, que já havia trabalhado com Gibson em O Fim da Escuridão e Apocalypto, sempre como primeiro assistente de direção. Para um trabalho, inicial ele até que se sai bem, mas é inegável que ainda tem muito a aprender no que diz respeito a uma boa distribuição da narrativa. O longa é muito prejudicado pelos altos e baixos, culpa que deve ser dividida com o montador Steven Rosenblum.

    A fotografia de Benoît Debie merece destaque. Ele já havia feito um belíssimo trabalho no duro Irreversível e repete a dose aqui, mostrando um México com tons bem quentes, sempre próximos do laranja. Outro ponto positivo é a trilha sonora do brasileiro Antonio Pinto (Cidade de Deus), que utiliza-se de temas bem tradicionais do país, gerando inclusive divertidos comentários da narração off de Gibson.

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