Fui assistir #SalveRosa esperando mais um filme nacional comum e saí da sala impressionado. Fazia muito tempo que um filme brasileiro não me deixava pensando por dias depois de assistir.
O maior destaque para mim foi a direção. O filme utiliza enquadramentos estranhos, silêncios desconfortáveis e cenas que permanecem na tela por mais tempo do que estamos acostumados, criando uma tensão constante. Em vários momentos eu me pegava analisando cada canto da imagem, esperando que algo acontecesse. É um suspense construído pela atmosfera, não por sustos baratos.
Outro aspecto que me chamou atenção foi o uso das cores. No início, tudo parece mais vivo, com tons vibrantes e uma sensação quase artificial de felicidade. Conforme Rosa descobre a verdade sobre sua vida, o filme se torna mais frio, apagado e sem vida. É uma mudança visual que acompanha perfeitamente a deterioração da sua percepção da realidade.
As atuações também merecem elogios. Os diálogos muitas vezes apresentam pausas estranhas e silêncios desconfortáveis, mas isso funciona a favor da narrativa. Os personagens parecem pessoas reais, sem respostas prontas para tudo.
A história aborda temas pesados e apresenta uma crítica social relevante. A revelação sobre Rosa muda completamente a forma como enxergamos os acontecimentos anteriores e faz o espectador refletir sobre fama infantil, exploração e a imagem que a sociedade consome sem questionar.
Minha principal crítica está na quantidade de cenas envolvendo sexo. Entendo por que elas existem e discordo de quem diz que não acrescentam nada à trama. Elas ajudam a construir a personalidade da mãe de Rosa, mostrando seu egoísmo, sua busca constante por prazer e sua disposição de abandonar responsabilidades para manter seu estilo de vida. Porém, acredito que algumas dessas cenas poderiam ter sido reduzidas sem prejudicar a mensagem.
Também consigo entender as críticas ao final do filme. Talvez o filme pudesse ter dedicado mais tempo para desenvolver alguns acontecimentos dos minutos finais. Ainda assim, isso não comprometeu minha experiência, porque a obra já havia entregado tudo o que precisava em termos de atmosfera, atuação, direção e impacto emocional.
O mais impressionante é que #SalveRosa não ficou preso apenas à história. Foi um daqueles raros filmes que me fizeram prestar atenção em fotografia, enquadramento, ritmo e linguagem visual. É uma obra que respeita a inteligência do espectador e não entrega todas as respostas de forma fácil.
Não será um filme para todos. Seu ritmo, seus temas e seu final certamente dividirão opiniões. Mas para quem aprecia suspense psicológico, crítica social e uma direção que confia no público, #SalveRosa é uma experiência marcante e, para mim, uma das maiores surpresas que já tive com o cinema nacional. Cabe no meu top 5 melhores filmes facilmente.