A grande tragédia de Euphoria é inspirada em uma história real – mas o criador da série imaginou um destino muito pior
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

Sam Levinson explica como teve a ideia do trágico destino de um dos protagonistas na terceira temporada de Euphoria.

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Já se esperava praticamente desde o terceiro episódio da 3ª temporada de Euphoria que uma tragédia estava no horizonte. Bom, isso eu poderia escrever sobre quase qualquer uma das tramas em que Rue, Cassie e companhia estão mergulhadas. Mas foi no penúltimo episódio que tivemos o que provavelmente é a maior tragédia de toda a série. Spoilers a partir daqui de Chova ou Troveje, o episódio 3x07.

Sam Levinson, o criador da série, queria que a gente sofresse um pouco. Grande parte do episódio desta madrugada serviu para encerrar, se assim podemos chamar, a trama de Nate (Jacob Elordi) e a enorme dívida contraída. E chegou a uma conclusão inevitável, tão inevitável quanto pouco controversa, dado o halo de "vilão" que o personagem carrega.

Criador de Euphoria explica morte de Nate, personagem de Jacob Elordi

Para Levinson, a morte de Nate é um ato de justiça. Ou, pelo menos, daquela justiça que o público deseja depois de ver o personagem retratado como alguém egoísta e controlador. Mas, claro, o que não esperávamos era um destino tão cruel, com o personagem sendo enterrado vivo e, finalmente, atacado por uma cascavel.

Um verdadeiro "cuidado com o que se deseja", segundo Levinson explicou ao Esquire:

É algo divertido quando sei o que o público quer em termos de justiça ou karma e, tendo isso em mente, sempre penso: 'Como posso dar isso a eles? Como posso dar o que querem, mas de forma tão aterrorizante e geradora de ansiedade que, quando acontecer, a audiência não tenha mais tanta certeza de que queria?'

Numa temporada tão inspirada pelo faroesta — para a qual Sam Levinson se embebeu de muito Sergio Leone e outros filmes do gênero —, também há espaço para o grindhouse. De fato, a ideia de Nate acabar enterrado vivo surgiu de um filme dos anos 70 que ele adora: The Candy Snatchers, dirigido por Guerdon Trueblood (Tubarão 3).

Inspirado vagamente no sequestro de Barbara Mackle, em 1968, o filme acompanhava o rapto de uma adolescente que é enterrada viva enquanto os sequestradores exigem um resgate milionário da família. Uma referência a partir da qual Levinson desenvolveu sua própria tragédia — embora tivesse o desfecho bem claro, ainda estava indeciso sobre a causa da morte.

A princípio, o roteirista e criador da série cogitava que a morte fosse por asfixia ou por insolação. O tema da cobra veio depois, enquanto ele dirigia a caminho do trabalho:

Era um daqueles dias lindos em que o tempo em Los Angeles é perfeito. Estávamos ouvindo Otis Redding. Os vidros estavam abaixados e íamos em direção à Warner Brothers. Estou olhando pela janela e me vem a imagem de uma cascavel avançando pelo cano. Ele está batendo e a cobra pode sentir o movimento no chão. E pensei: e se a cobra entrar no cano e ele ficar preso dentro do caixão com essa cascavel? É um daqueles momentos divertidos em que você percebe que nem todas as cenas sombrias vêm de lugares sombrios.

Por falar nisso, caso haja dúvidas, as cobras são de verdade. O que não explicam é por que a turma do armênio não colocou uma grade no cano para evitar esse encontro sangrento.

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