Atualmente em 4º lugar entre as séries mais vistas do serviço de streaming, produção apresenta um recorte preciso sobre a época em que o Brasil venceu a Copa do Mundo pela terceira vez.
É um tanto triste ver como existem pessoas em 2026 que ignoram fatos históricos e acreditam que a ditadura militar não foi algo tão tenebroso quanto mostrado em obras como O Agente Secreto, Ainda Estou Aqui, Marighella, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, entre tantas outras. Mas o que houve no país naquele vasto período impactou toda a população, incluindo os atletas que fizeram história na Copa do Mundo de 1970.
Naturalmente, a minissérie Brasil 70 - A Saga do Tri não poderia deixar de apresentar o contexto vivido pelos jogadores e por toda a nação, e este é, ao lado da parte técnica e da dramaturgia, um dos pontos fortes da narrativa. Ao AdoroCinema, em duas ocasiões diferentes, o diretor Paulo Morelli comentou sobre como o aspecto político influenciou este momento da história do futebol brasileiro.
O impacto da ditadura na Copa de 1970
Conforme apresentado na série, a ditadura militar é apresentada de maneira constante, mas nem sempre óbvia, em todos os lugares onde a Seleção estava. Isso vai do Brasil ao México, inclusive. Durante a visita ao set de Brasil 70, o diretor Paulo Moreira explicou como isso foi impresso na série e, a partir disso, trazer João Saldanha como personagem importante desta versão ficcional do campeonato.
“Como a gente também tem um recorte político para representar os anos 70, sentimos que era fundamental ter o Saldanha presente", disse ele sobre o técnico interpretado por Rodrigo Santoro. "O que aconteceu na realidade foi que ele acabou indo para o México como comentarista. Então ele pôde continuar sendo crítico da Seleção e do Pelé, porque era muito crítico. Ele era conhecido como o ‘João Sem Medo’: diante da ditadura ou de qualquer outra situação, falava o que precisava ser dito."
A regra de ouro para o elenco da série Brasil 70: Como os diretores escalaram a Seleção do Tri com Pelé e Tostão perfeitosO diretor reforça que a presença dele também se dá pelo próprio arco pessoal. Embora tenha sido rigoroso e uma pessoa sem papas na língua ao criticar a Seleção, "no fundo, ele torcia pelo bom futebol", explicou o cineasta. "Foi ele quem ajudou o Brasil a se classificar nas eliminatórias, e também celebrou a vitória. Então, ele é um falso antagonista da história. Aparentemente, é um antagonista porque faz críticas, mas, no fundo, torce pelo futebol. E nunca deixa de criticar a ditadura e o que acontecia naquela época."
Os paralelos entre 1970 e 2026
Durante a entrevista no evento de lançamento da série, ao ser questionado sobre apresentar o período da ditadura em um momento em que grupos da sociedade pedem pela volta do regime, Paulo foi enfático: "Graças a Deus, hoje estamos em uma democracia, então essa semelhança [com 1970] não existe mais. Espero que aqueles que querem a volta da ditadura continuem fracassando em seus propósitos pelo resto da eternidade", disse ele com firmeza.
"Agora, existe uma semelhança muito grande entre 70 e 26", continuou, "porque as duas seleções eram desacreditadas antes da Copa. A de 70 era muito desacreditada. Todo mundo achava que a gente não tinha a menor chance. E hoje em dia ninguém está botando muita fé. A gente tem esperança de que o que aconteceu em 70 volte a se repetir, que eles consigam reverter essa expectativa negativa e tragam o hexa para a gente.”
Ainda na lista das séries mais vistas do catálogo nacional da Netflix, Brasil 70 está completa no streaming.