"O Tostão se diferencia": Na Netflix, Brasil 70 apresenta a história de superação do atleta que se aposentou muito cedo e mudou de vida (Entrevista)
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Ravel Andrade, intéprete do Tostão, se aprofunda na vida de um dos jogadores fundamentais para a vitória do Brasil na Copa do Mundo de 70.

Em primeiro lugar entre as séries mais vistas do catálogo da Netflix, Brasil 70 – A Saga do Tri recria os momentos mais emocionantes dos jogadores protagonizaram a campanha seleção brasileira de futebol no mundial de 1970. Baseada em fatos reais, a produção retrata como os craques do futebol brasileiro se prepararam e enfrentaram as emoções e desafios que culminaram no tricampeonato mundial de futebol em 1970.

Enquanto Pelé (Lucas Agrícola) ganha destaque na trama, os demais membros da equipe também tem seu destaque. Entre eles está Tostão, um atleta fundamental para a vitória da Copa de 70, que passa por um processo delicado durante a narrativa. Durante o evento de lançamento da minissérie, o intérprete do jogador que se aposentou precocemente, Ravel Andrade, explicou como deu vida a uma figura tão importante para o imaginário esportivo brasileiro.

Tostão, um homem diferenciado

Netflix
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“A história dele no futebol é muito interessante", começou o artista que coleciona projetos como Transe, Raul Seixas: Eu Sou, O Jogo que Mudou a História, Sob Pressão e Serra das Almas. "Ele se aposentou muito jovem, depois de tomar uma segunda bolada no olho e descolar a retina pela segunda vez. A partir daí, ele resolveu se aposentar e teve uma outra vida. Estudou medicina e tudo mais."

O artista, que também compartilhou parte da exigente rotina de treinos, explicou como as narrativas esportivas conseguem transmitir um aspecto fundamental para qualquer história: a superação. "Acho que essas histórias são sempre histórias de superação. O futebol está muito ligado a esse lugar de você se superar a cada dia", refletiu.

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"O Tostão se diferencia um pouco. Acho que todos eles têm uma história de superação, mas o Tostão se diferencia porque é uma pessoa diferente: é um cara mais maduro, que lê muito, então tem uma psicologia diferente. Ele vê a vida de outra forma, vê aquela situação da competição de um jeito diferente. E essa superação dele com o olho realmente foi algo que quase o tirou da Copa.

"Ele era um talento gigantesco, um cara que fez gol, foi artilheiro nas eliminatórias. Então, na hora de ir para a Copa, ele precisou fazer uma cirurgia", acrescentou Ravel. "É um personagem que me ensinou muito, porque ele está inserido no futebol, nessa vida de atleta, mas a mente dele está um pouco em outro lugar. É um cara mais intelectual, dos livros, que se debruça sobre eles. Então, foi muito interessante e, para mim, também foi uma espécie de superação interpretá-lo. Representar um atleta, que eu não sou… Eu sempre tive esse sonho, mas nunca cheguei lá, nunca tive a disciplina de um atleta.”

A rotina de treinos exigente de Brasil 70

Alexandre Schneider/Netflix

Como parte das gravações aconteceu em junho, na cidade de São Paulo, o ator relembra que "pegamos um momento frio" na época em que estavam fazendo as filmagens em campo. "A gente acordava às 6h e às 6h30 da manhã e já estava com o pé na grama aquecendo. Tinha preparação, fisioterapia… a gente viveu uma rotina de atleta mesmo, com disciplina de atleta também", conta. "A gente reproduziu muitas jogadas. Para cada jogada que fazíamos, ensaiávamos durante uma semana inteira. Foi tudo muito intenso."

Nessa ideia de replicar a rotina de um atleta de verdade, Ravel também se lembra de que melhorar a resistência dos atores foi fundamental. "A gente precisou ter esse condicionamento porque gravamos em um campo oficial. Era tudo muito real. Às vezes, o condicionamento dos atores não correspondia ao dos atletas, então tivemos uma preparação muito legal e muito divertida de fazer, até para conhecer um pouco do trabalho deles.”

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