Hoje na Netflix: O brutal filme de faroeste e aventura de 500 milhões de dólares que ganhou um Oscar muito esperado
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Se a ideia é aproveitar o streaming para ver algo mais intenso neste fim de semana, aqui estão duas horas e meia bastante selvagens.

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Durante anos, cada temporada de premiações trazia a mesma conversa: quando Leonardo DiCaprio ganharia o Oscar? Ele já havia passado por Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador, O Aviador, Diamante de Sangue e O Lobo de Wall Street, acumulando indicações e atuações enormes, mas a estatueta nunca chegava.

Em meados da década passada, DiCaprio já não precisava provar muita coisa. Tinha trabalhado com grandes diretores, além de estrelar um dos filmes de maior bilheteria da história com Titanic. Mesmo assim, acabou se metendo em uma das filmagens mais complicadas de sua carreira para interpretar um homem que se recusa a morrer.

O filme que finalmente deu o Oscar a Leonardo DiCaprio

Trata-se de O Regresso, faroeste de sobrevivência dirigido por Alejandro González Iñárritu. DiCaprio interpreta Hugh Glass, um explorador que, na década de 1820, fica gravemente ferido após o ataque brutal de um urso e é abandonado por seu grupo no meio de um território congelado. Glass sobrevive contra qualquer lógica e empreende uma jornada marcada pelo frio, pela fome e pela vontade de acertar as contas.

Tom Hardy interpreta John Fitzgerald, que se torna o principal alvo de Glass, enquanto Domhnall Gleeson e Will Poulter completam parte do elenco. O filme toma como ponto de partida a história do verdadeiro Hugh Glass e o romance de Michael Punke, embora Iñárritu tenha levado o relato para um terreno muito mais físico e selvagem. Aqui há pouco espaço para discursos longos e, durante boa parte de suas duas horas e meia, DiCaprio se arrasta, corre, congela e tenta se manter vivo.

Bastidores tão brutais quanto o filme

A fama de O Regresso não vem apenas do que se vê na tela. Iñárritu e o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki decidiram trabalhar principalmente com luz natural e em locações remotas do Canadá, o que deixou janelas de apenas algumas horas por dia para filmar certas sequências. As temperaturas chegaram a cair muito abaixo de zero e a falta de neve obrigou inclusive a transferir parte da produção para a Argentina.

DiCaprio também não saiu exatamente confortável do projeto. O ator entrou em água gelada, suportou jornadas em condições extremas e chegou a comer fígado cru de bisão para uma cena, apesar de não consumir carne. A produção se tornou tão complicada que alguns integrantes da equipe a descreveram como um inferno, enquanto o próprio Iñárritu admitiu depois que tomou decisões que poderiam ser consideradas irresponsáveis.

E depois há a cena do urso, provavelmente a sequência mais lembrada de todo o filme. Glass é atacado durante vários minutos em um momento filmado para parecer desconfortável e próximo, com a câmera praticamente colada ao personagem enquanto ele tenta sobreviver. O animal foi criado por meio de efeitos visuais, mas a mistura com a paisagem, a atuação de DiCaprio e os movimentos de câmera ajudaram a transformar a sequência em uma das imagens mais reconhecíveis do cinema.

Todo esse esforço acabou funcionando também na bilheteria. Com um orçamento relatado de cerca de 135 milhões de dólares, O Regresso acumulou mais de 533 milhões de dólares ao redor do mundo. Depois veio a temporada de premiações, e o filme recebeu 12 indicações ao Oscar, vencendo três: Melhor Direção para Iñárritu, Melhor Fotografia para Lubezki e, finalmente, Melhor Ator para DiCaprio.

O filme está na Netflix e no Paramount+.

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