Mais de quatro décadas após seu lançamento, Blade Runner permanece um marco da ficção científica. No entanto, seu sucesso estava longe de ser garantido.
Blade Runner: o fracasso de bilheteria que se tornou uma das maiores referências da ficção científica Existem filmes cuja influência ultrapassa em muito o sucesso que tiveram no momento do lançamento. Blade Runner pertence, sem dúvida, a essa categoria.
Quando chegou aos cinemas, em 1982, o longa de Ridley Scott não despertou imediatamente o entusiasmo que podemos imaginar hoje. Ainda assim, 44 anos depois, tornou-se uma das obras mais importantes da história da ficção científica.
Estrelado por Harrison Ford, o filme também está entre os 10 longas de ficção científica que você precisa assistir, segundo a redação do AdoroCinema. A seleção inclui ainda 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, Mad Max: Estrada da Fúria, de 2015, e o primeiro Star Wars.
Dois clássicos da ficção científica em apenas três anos
Em 1979, Ridley Scott revolucionou os códigos da ficção científica e do terror com Alien, o 8º Passageiro. Depois, em 1982, mudou completamente de registro com Blade Runner. Mais contemplativo e melancólico, o novo filme apresentou uma visão do futuro que se tornaria uma das mais reconhecíveis da história do cinema.
Longe dos ambientes espaciais de Alien, o cineasta mergulha o espectador nas ruas de uma Los Angeles distópica. A história se passa em 2019, em uma metrópole constantemente coberta pela chuva e tomada por néons, poluição e gigantescos painéis publicitários.
É nesse universo que Rick Deckard, um ex-policial especializado em caçar “replicantes”, volta à ativa. Sua missão é localizar vários desses androides, praticamente indistinguíveis dos seres humanos, depois que eles se rebelam e provocam a morte da tripulação de uma nave.
Para criar esse universo, o filme se inspira livremente no romance Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick. Mas Blade Runner vai muito além de uma simples adaptação para o cinema do livro do escritor norte-americano.
A trama policial serve principalmente como ponto de partida para uma reflexão muito mais ampla sobre o que realmente define um ser humano. Os replicantes têm aparência humana, sentem emoções e são atormentados pela própria mortalidade. Com isso, a separação entre seus criadores e eles se torna cada vez mais difícil de estabelecer.
Memória, identidade, inteligência artificial, morte e desumanização são alguns dos temas que o filme entrelaça sem necessariamente oferecer respostas definitivas. Essa ambiguidade continua sendo parte de sua riqueza e alimentou inúmeros debates em torno do próprio Deckard e de sua verdadeira natureza.
Um fracasso que se tornou referência do cyberpunk
O status de clássico de Blade Runner, porém, não foi construído da noite para o dia. Quando chegou aos cinemas, o filme teve uma recepção muito mais dividida do que sua reputação atual poderia sugerir e não alcançou o sucesso comercial esperado.
Foi aos poucos que o público redescobriu a obra e sua influência se tornou evidente. Sua Los Angeles futurista, suas construções monumentais, as luzes artificiais e a atmosfera de filme noir ajudaram a transformar Blade Runner em uma das principais referências do cyberpunk.
Também é impossível dissociar essa identidade da trilha sonora de Vangelis. Com suas composições eletrônicas carregadas de melancolia, o músico grego contribuiu de maneira decisiva para a atmosfera hipnótica do longa.
Neste lendário filme cult de ficção científica, Blade Runner encontra ação sangrenta com monstros – e agora finalmente está no streamingA influência deixada pelo filme pode ser encontrada em uma infinidade de obras, tanto no cinema quanto em séries, mangás e videogames. Produções como A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell e Cyberpunk 2077, entre tantas outras, mostram a força dessa estética futurista que se tornou praticamente incontornável.
Roy Batty, Rachael e personagens que entraram para a história
Embora Harrison Ford esteja no centro da trama como Rick Deckard, vários personagens secundários também contribuíram para transformar o filme em uma obra lendária. Rutger Hauer, por exemplo, entrega uma atuação memorável como o replicante Roy Batty, personagem associado ao célebre monólogo das “lágrimas na chuva”. Já Sean Young interpreta Rachael, cuja existência está diretamente ligada às questões levantadas pelo filme sobre memória e identidade.
A fascinação em torno de Blade Runner também foi alimentada pelas diferentes versões do filme. Existem nada menos que cinco montagens do longa, com diferenças que, em alguns casos, alteram significativamente a maneira de interpretar a história. Algumas delas se tornaram quase tão famosas quanto o próprio filme entre os fãs.
Com um legado desse tamanho, era inevitável que o universo dos replicantes ganhasse novas histórias. Em 2017, 35 anos depois do filme original, Denis Villeneuve assumiu a difícil tarefa de dar continuidade à obra com Blade Runner 2049.
Para estabelecer uma ligação entre os dois longas, também foram produzidos três curtas-metragens: 2036: Nexus Dawn, 2048: Nowhere to Run e Blade Runner: Black Out 2022. As produções abordam acontecimentos ocorridos durante as três décadas que separam as histórias dos dois filmes.
A franquia também chegou à televisão com a série animada Blade Runner: Black Lotus, lançada em 2021 e ambientada nesse mesmo universo. Já a minissérie Blade Runner 2099, prevista para chegar ao Prime Video em 25 de novembro, é um dos projetos mais aguardados do ano.
Mais de quatro décadas depois de seu lançamento, Blade Runner continua sendo muito mais do que um simples clássico da ficção científica. Sua estética, seus personagens e, principalmente, as questões que levanta sobre a fronteira entre o ser humano e a máquina parecem até mais atuais em uma época na qual a inteligência artificial ocupa um espaço cada vez maior em nossas vidas.
Blade Runner está atualmente disponível em streaming no Prime Video e HBO Max. Já Blade Runner 2049 pode ser encontrado por meio de compra ou aluguel no Prime Video ou no Sony Pictures.