Há 26 anos era lançado um dos filmes mais criticados de todos os tempos, mas com certeza assistiria de novo
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Disponível no streaming, este filme foi responsável por revitalizar um dos subgêneros mais controversos da comédia.

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Não precisa ser nenhum especialista em sétima arte para distinguir um filme que se leva a sério de outro que vai pelo caminho do absurdo. Longe de ser um demérito seguir pela segunda opção, sabemos que a indústria cinematográfica é um meio que oferece a oportunidade de produzir os mais variados tipos de história. Aí está a graça de adorar cinema, aliás. É justamente por isso que parte do mercado não teve medo nem vergonha de apostar em algo que passamos a chamar de besteirol.

Parte intrínseca da formação de muitos cinéfilos que cresceram entre os anos 1990 e 2000 - mesmo aqueles que seguiram por caminho mais tradicionais -, este subgênero da comédia se popularizou no começo do século a partir de entradas que tiveram um fervor absurdo com o público jovem, mas surgiram bem antes, com filmes como Porky's - A Casa do Amor e do Riso, lançado em 1982.

O pai dos besteiróis dos anos 2000

Responsável por inspirar uma série de filmes que conhecemos através da TV aberta, que vão de American Pie a Superbad - É Hoje, este longa também abriu precedentes para abordagens cada vez mais incisivas e metalinguísticas. Todo Mundo em Pânico é uma joia emergente da trajetória dos besteiróis, que, embora hoje tenha uma alta gama de questões problemáticas, foi responsável por apresentar a paródia de tudo o que efervescia no cinema da época.

Sim, talvez este seja um dos filmes mais bobos de todos os tempos justamente por revitalizar a ideia do que Porky's trouxe ao cinema, mas com o frescor do começo dos anos 2000 e forte apelo ao público infanto-juvenil. A paródia feita ali era tão autorreferencial à sétima arte, que tornou-se o início de uma franquia de seis filmes - um deles recém-lançado -, além de inspirar outros projetos.

Não é Mais Um Besteirol Americano, Super-Herói: O Filme, Espartalhões, Deu a Louca em Hollywood e Os Vampiros que Se Mordam são apenas alguns dos longas que seguiram a tendência que chegou até ao campo das animações com Deu a Louca na Chapeuzinho. Embora muitos seguissem a ideia de fazer graça com propriedades intelectuais conhecidas, era muito fácil caírem apenas no mau gosto e não chegarem nem aos pés da saga criada pelos irmãos Wayans - que já não era tão exemplar assim.

Prós e contras de Todo Mundo em Pânico

O grande problema dessas narrativas já era observado na época de seus lançamentos e foram apenas acentuados com o passar dos anos: excessivas piadas escatológicas, apoio na comédia física, roteiros fracos, humor grosseiro e, claro, uma enxurrada de ofensas a minorias e estereótipos que envelheceram muito mal. Isso nos coloca num lugar muito importante para quem adora cinema: entender que tudo é um produto do seu tempo.

Com 51% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, o título considerado "muito cruel e grosseiro para provocar risadas". Robert Ebert, um dos profissionais mais respeitados do meio jornalístico, o considerou "uma paródia boba que, às vezes, acerta, mas mais frequentemente erra pelo exagero". Ainda assim, existiam considerações positivas: “Um filme que não tem medo de ser idiota – e isso é seu maior charme”, também ponderou o crítico do Chicago Sun-Times.

Ainda que o consenso fosse negativo, grandes veículos reconheceram o frescor do projeto com avaliações. “Os irmãos Wayans sabem como rir com – e não apenas de – seus personagens”, escreveu o Los Angeles Time. Já a Variety focou em uma das protagonistas: “Anna Faris prova que pode ser uma estrela da comédia, roubando todas as cenas em que aparece”, descrevia a publicação.

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É preciso entender que aquilo foi feito em uma época em que discussões sociais apenas tocavam na superfície da indústria cinematográfica mainstream, algo que, embora ainda tenha outros problemas nas engrenagens, é feito de uma maneira geralmente respeitosa atualmente.

Inclusive, embora tenha fracassado na sua abordagem, reconheço que Todo Mundo em Pânico 6 foi uma das apostas mais arriscadas do cinema atual. Mesmo me fazendo rir, o projeto é recheado de problemas - e mesmo assim ele coloca um assunto interessante em pauta: como trazer a energia caótica e referencial dos filmes originais sem cair neste caminho da ofensa apelativa?

Até ri com Todo Mundo em Pânico 6, mas nem o elenco original evitou uma crise: a vida adulta tirou a graça do besteiról ou o filme realmente não funciona?

Ao rever o filme original, na verdade, pude notar uma genuína intenção em tirar graça não apenas do cinema assim como Pânico sempre fez com suas tramas metalinguísticas - e daí que vem o nome da paródia -, mas também encontrar maneiras bobas de tirar o riso com uma equipe de produção irreverente. Existem muitas sequências que não contam com nenhum tipo de agressão além dos personagens causando situações ridículas - e isso tem seu charme quando feito com carisma e timing cômico.

O filme foi responsável por oxigenar o subgênero das paródias, que tem vários expoentes nas décadas anteriores, ao subverter filme de terror. Tudo isso enquanto tentava mostrar à audiência que o cinema pode também não se levar a sério a partir de um humor escrachado. A fórmula se esgotou, tanto que não vemos mais produções como estas atualmente, mas a chegada desta sequência prevista para junho de 2026 pode mudar tudo.

Todo Mundo em Pânico pode ser visto no Mercado Play e no Paramount+. Já Todo Mundo em Pânico 6 já está disponível em plataformas de compra e aluguel digital.

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